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O medo da segunda onda

Depois de ficar mais de um mês sem registros, Wuhan tem novo foco de casos de covid-19. Na Alemanha e Coreia do Sul, infecções voltam a crescer após Alemanha e Coreia do Sul após reaberturas.

De OUTRA SAÚDE, 11/05/2020

por Maíra Mathias

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 11 de maio. Leia a edição inteira.


No sábado, o mundo ultrapassou a marca dos quatro milhões de casos confirmados do novo coronavírus, com 275 mil mortes. O ritmo de contágio parece ter se estabilizado em um milhão de novas infecções a cada 12,3 dias. Isso significa que, até o fim de maio, deve haver mais de cinco milhões de casos. Em abril, esse número foi puxado pelos EUA e por países emergentes, como Brasil, Turquia e Rússia.

Ao mesmo tempo, maio já está se revelando um mês importante para compreender melhor a relação entre o relaxamento das medidas de distanciamento social e a volta das infecções. No domingo, a cidade de Wuhan, na China, registrou seu primeiro caso desde o dia 3 de abril. Hoje, já são cinco. Todos os infectados vivem no mesmo complexo residencial. Uma das vítimas, um homem de 89 anos, está em estado crítico. Wuhan foi o primeiro epicentro da doença, passou 76 dias sob lockdown e começou a reabrir suas fronteiras no dia 8 de abril.

No sábado, o governo chinês havia comemorado o registro de apenas um caso de coronavírus no país em 24 horas com o anúncio da volta de shopping centers, hotéis, restaurantes, cinemas, academias, museus e entre outros espaços fechados. Os locais terão de estabelecer um limite para o número de visitantes e operar sob medidas especiais de prevenção. Além disso, o governo havia baixado o nível de alerta da epidemia de “emergência” para “trabalho regular”. Os novos casos em Wuhan podem provocar uma revisão nessas decisões.

É o que aconteceu na Coreia do Sul: apenas três dias depois que o governo do país começou a relaxar as medidas de distanciamento social, no sábado o prefeito de Seul ordenou o fechamento de bares e boates por mais um mês devido a novos casos de coronavírus. Mais de 50 infecções foram relacionadas a um homem de 29 anos que visitou cinco clubes e bares em um bairro popular da capital no final de semana. Seu teste deu positivo na quarta-feira – mesmo dia em que o governo sul-coreano disse que não havia problema em retomar a vida normal. O surto pode atrasar também a reabertura das escolas, que estava prevista para começar na próxima semana. Ontem, o presidente Moon Jae-in disse que os casos mostram como “mesmo durante a fase de estabilização, situações podem surgir novamente a qualquer momento“.

A Alemanha, outro país admirado por sua resposta a covid-19, também relatou o crescimento de casos no fim de semana em meio ao processo de reabertura. Na quarta, a chanceler Angela Merkel anunciou a reabertura de lojas, escolas e até do futebol na semana que vem.

Mas tanto no sábado quanto no domingo, o Instituto Robert Koch divulgou que a taxa de reprodução – o número estimado de pessoas infectadas por cada paciente confirmado – voltou a subir. Primeiro para 1,1, depois para 1,13. O número ficou abaixo de 1 na maior parte do tempo nas últimas três semanas. A agência disse que ainda não foi possível avaliar “se a tendência decrescente no número de casos de incidentes observados nas últimas semanas continuará ou se os números de casos aumentarão novamente”.

O país viu protestos por uma reabertura mais acelerada da economia no sábado em cidades como Berlim, Frankfurt, Munique e Stuttgart. Grupos de direita participaram dos atos, onde foram registrados confrontos com a polícia.

França e Espanha reabrem hoje. Ontem, o primeiro-ministro do Reino Unidos Boris Johnson apresentou o plano de reabertura do país, que é o mais afetado da Europa e o segundo do mundo, atrás dos EUA. As escolas e comércio devem reabrir em junho.

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