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Filosofia em estado de emergência

Nas reflexões de Zizek, Butler, Bifo e Lazzarato, a incerteza do pós-pandemia. Para otimistas, uma brecha para mudar; para pessimistas, desponta-se o apocalipse. Mas a vocação do capitalismo, de sacrificar para sobreviver, vai se desmascarando…

Do OUTRAS PALAVRAS, 22/05/2020

por Filipe Ceppas
Título original do artigo: A pandemia como contra-produção sacrificial do capitalismo global

« …o discurso filosófico sempre se perde em um determinado momento: talvez ele seja apenas uma maneira inexorável de perder e se perder. É também o que o murmúrio degradante nos lembra: isso segue seu curso »

(Blanchot)

« Ô Josué,
eu nunca vi tamanha desgraça.
Quanto mais miséria tem,
mais urubu ameaça »

(Chico Science)

Circula a ideia de que o isolamento, essa longa pausa-suspensão da “normalidade da vida”, é uma oportunidade para que “a humanidade aprenda alguma coisa”. Nada tão incerto. Isso parece envolver alguns pressupostos duvidosos, como a ideia de que a “normalidade” impede a humanidade de aprender qualquer coisa ou que um acontecimento como a pandemia tende a ser edificante; levando em conta a dificuldade de avaliar o que é “normal” na dita normalidade e o uso da metonímia infeliz de uma “humanidade aprendiz”. Isso não impede que, diante da pandemia, alguns discursos filosóficos se lancem nesse otimismo um tanto rasteiro; enquanto outros abracem um pessimismo apocalíptico.

Não se trata de “pressa na análise”, mas, se a filosofia deve falar diante da urgência dos acontecimentos —e ela deve fazê-lo— espera-se, no mínimo, o inesperado, uma ideia, conceitos, ou um contraponto a fatos e interpretações mais fáceis ou banais. A ideia ou o contraponto pode e deve envolver também a desconstrução dos termos que levam a esse tipo de interpretação. Para além de alguns discursos “mais apressados”, muitas das análises produzidas pelas filósofas e pelos filósofos até agora, como aquelas publicadas pela n-1 edições, no site Outras Palavras, dentre outros meios, tem sido fundamentais para nos ajudar a pensar a e a partir da pandemia. Comento a seguir algumas dessas análises, chamando a atenção para o problema da natureza sacrificial do capitalismo que a pandemia põe em relevo.

Antes, vale levar mais adiante a pergunta pelo específico da intervenção filosófica num tal contexto, questionando as próprias categorias de otimismo e pessimismo. Qual o papel da filosofia num “estado de emergência” como esse no qual estamos atualmente imersos? Para além do fato óbvio de que filosofias distintas darão respostas distintas para essa questão, há ao menos três dimensões capazes de resumir o teor das respostas possíveis. A filosofia pode gerar três tipos de discursos ou atitudes não excludentes perante os acontecimentos, que Kant resumiu ao investigar se o gênero humano caminha em direção constante ao progresso. Ela pode gerar respostas positivas; respostas negativas ou críticas;ou pode ser indiferente e visar a consolação (me aproprio aqui livremente das posturas que Kant nomeia como “otimista”, “pessimista” e “abderentista”). E ela pode misturar um pouco de cada coisa. Uma boa análise filosófica deveria tentar ponderar a pertinência e o alcance dessas dimensões.

Kant disse, ao tratar da história e do futuro, que a filosofia frente aos acontecimentos só pode ter a forma de uma profecia autorrealizativa e ele tinha como parâmetro, é claro, a Revolução Francesa. A filosofia (essa parece ser a sugestão de Kant) tem o dever de oferecer uma plataforma capaz de motivar a ação numa boa direção. Assim, os discursos que procuram analisar a atual pandemia a partir de suas potencialidades revolucionárias, como uma oportunidade para mudar radicalmente alguns dos parâmetros mais destruidores do sistema capitalista global (senão o próprio modo de produção capitalista, que entretanto acreditamos revolucionável somente por revoluções), deveriam indicar minimamente os elementos capazes de propiciar uma tal mudança. Mas não é fácil ver como o isolamento social e o freio na economia global que ele engendra, por exemplo, sejam capazes de oportunizar isso. Pelo contrário.

Não seria difícil apresentar evidências capazes de demonstrar como a suposta necessidade de retomar o crescimento ou o desenvolvimento econômico virá com força total tão logo a pandemia arrefeça (em alguns contextos, medidas neste sentido já estão sendo tomadas), ainda que, aqui e ali, discursos sobre a economia verde ou o decrescimento ganhem mais simpatizantes. Simplesmente não parece haver base produtiva e relações sociais preparadas para uma tal mudança radical, e nada indica que a base produtiva e as relações de trabalho existentes, por mais abaladas que estejam, irão caminhar em direção alternativa àquela anterior à crise. Ademais, apesar da forte solidariedade social estimulada pela pandemia, em especial nos movimentos de organização popular em contextos de pobreza e desamparo, as urgências sanitárias e o isolamento social não favorecem por si só a construção de mobilizações populares politicamente articuladas.

Cabe ainda destacar as medidas que estão sendo tomadas no presente para fazer face às quedas vertiginosas do consumo, da produção, das bolsas de valores, do preço do petróleo, etc: demissões, diminuição de salário, férias coletivas, transferência massiva de verbas públicas para bancos privados (sob a justificativa de facilitar e baratear o crédito para pequenas e médias empresas, o que, ao menos aqui no Brasil, até agora não aconteceu), privatizações dissimuladas, como o avanço do EaD no sistema público de ensino por parte de grandes empresas privadas, sempre de olho na mina de ouro dos contratos públicos; ou o avanço de empresas de todo tipo no sistema de saúde pública, sob a capa de solidariedade e doações milionárias, com a construção de hospitais de campanha, distribuição de cestas básicas, etc (de um lado, grandes empresas aparecem como doadoras solidárias; de outro, algumas dessas mesmas empresas demitem, cortam benefícios dos trabalhadores e pressionam os governos para relaxar o isolamento social). O intenso freio na economia, o desemprego e a recessão que arrombam a porta da economia global, assim como algumas importantes características dessa pandemia (sua provável longa duração e o alerta de que outras piores podem surgir), certamente levarão a ajustes no mundo da produção e do trabalho. Leigos como eu têm o dever de desconfiar que tais ajustes tendem a ser negativos.

Alguns intelectuais (entre eles, Paulo Arantes e Ricardo Antunes) chamaram a atenção, recentemente, para o fato de que o contexto da pandemia somente poderia potencializar uma mobilização política revolucionária (dependendo, é claro, do que se entenda por “revolucionário”) caso existisse, antes do acontecimento, alguma articulação significativa nesse sentido. Infelizmente, não é o caso, excetuando, talvez, o exemplo de alguns poucos países, como o Chile ou a Bolívia. A hipótese de que o contexto da pandemia poderia propiciar por si só a constituição de uma tal mobilização deve, no mínimo, oferecer alguma evidência nesse sentido — e é isso o que não temos visto, para além de crenças muito genéricas de que as pessoas estão se dando conta disso e daquilo e, em especial, de que a pandemia mostra para a maioria da população que o modelo de produção capitalista existente é insustentável.

Ademais, a tese de que o isolamento social potencialize, de algum modo, o exercício do pensamento é duvidosa. A qualidade do pensamento não depende de mais ou menos tempo ocioso disponível. Nada há de mais relativo do que o tempo; e o tempo ocioso, sobretudo nas atuais condições de vida, parece produzir frequentemente mais neurose, depressão ou violência do que uma disposição para o cuidado de si. A qualidade do pensamento sequer depende de mais ou menos solidão, de afastamento da vida social ou do frenesi consumista. Nada mais enganoso do que a crença segundo a qual as pessoas estão se dando conta de que, antes da pandemia, consumiam muito mais do que precisavam e que isso as fará mudar seus hábitos de consumo, suas disposições afetivas, suas relações sociais e políticas (informações e estatísticas nesse sentido seriam bem vindas).

Desconfio de textos sobre a pandemia que partem do esquema “antes não sabíamos… agora provavelmente sabemos”; o que não quer dizer que a adoção desse esquema anule a importância das ideias neles apresentadas. Seguindo o princípio da ruptura e da impropriedade do discurso filosófico, esse esquema é uma dimensão retórica menos importante. Assim, o luminoso texto de Judith Buttler sobre a pandemia e a superfície de todas as coisas, Traços humanos nas superfícies do mundo,1 que começa com essa mesma estrutura (a pandemia nos revelou…), aponta para o problema essencial dos “trabalhadores essenciais”, para chegar à conclusão de que “o fato é que não sabemos” se tudo isso terá um desdobramento positivo ou negativo.2

Até agora, com relação a esses aspectos centrais, Jacques Rancière parece ter elaborado o comentário mais lúcido: “Não está realmente comprovado que esse tempo tenha suscitado o triunfo do biopoder e nos tenha lançado na era da ditadura digital. Mas tampouco é certo que nossos Estados e o sistema econômico que eles gerem tenham saído enfraquecidos da demonstração de impotência que acaba de ser fornecida. Seria preciso relativizar, igualmente, os efeitos radicais que alguns esperam ao término da situação presente.”3 Se, entretanto, Bifo tem razão, quando afirma que o possível parece mais interessante, sua aposta de que o útil tenha voltado ao campo social (“A utilidade, há muito tempo esquecida e negada pelo processo capitalista de valorização abstrata, agora é a rainha da cena”4) pode ser válida, quem sabe, apenas para o contexto europeu. A questão da utilidade (no sentido do valor de uso em oposição ao valor de troca) não parece ser, de modo algum, a rainha dos debates mídia afora, ao menos aqui, na periferia do capitalismo globalizado. O que não significa, evidentemente, que não se deva chamar atenção para esse ponto e lutar para que um (o valor de uso) prevaleça sobre o outro (o valor de troca), o que de resto sempre foi um eixo central dos discursos e das lutas socialistas.

Bifo defende, ainda, a tese de que a “propaganda massiva da morte que estamos testemunhando poderá reativar nosso sentido de tempo como fruição, e não como adiamento da alegria”. Nada mais estranho na periferia do capitalismo, onde o adiamento da alegria não tem, nem nunca teve, vez. Enquanto escrevo, em pleno crescimento mais acentuado da curva pandêmica no Brasil, quando o país chega perto dos 17 mil mortos, “o povo” parece negar-se terminantemente a viver qualquer luto. Para além das notícias recentes de relaxamento do isolamento em todo o país, na comunidade vizinha ao meu prédio, num domingo de sol, negacionistas ou simples irresponsáveis fazem churrasco e jogam futebol, disputando quem propaga música e vírus no maior volume. Em registro mais criativo, uma guerra de pipas lançadas das janelas e das lajes alegra a meninada. A festa continua. Nenhum espaço para a morte ou para o luto. Mas, para além de uma questão factual, a própria dicotomia entre um on-line-adiamento-da-alegria e um off-line-fruição-possibilitada-pela-morte parece por demais simplória. Dado o longo histórico de epidemias mundiais e catástrofes de todo tipo, porque essa epidemia conseguiria produzir aquilo que até então não teve lugar: uma “consciência mais aguda da morte” e suas eventuais lições?

Sem dúvida, num registro otimista, o reforço de uma maior atenção para com a relação intrínseca entre vida e morte, no atual estágio do capitalismo, significa uma maior consciência acerca da estrutura sacrificial do sistema contra-produtivo globalizado e disposição para lutar contra ela de todas as formas possíveis. Se Zizek e os marxistas mais ortodoxos têm razão (por motivos distintos) ao criticarem, por exemplo, qualquer aposta no consumo consciente, na economia verde e quetais, como superação dos males do capitalismo, nenhuma “razão” terá jamais qualquer vantagem diante do engajamento produtivo de cada ser humano (na intensidade de cada uma e de cada um) na recusa em participar desse ciclo de horrores sacrificial, analisado, dentre outros, por pensadoras e pensadores tão distintos como Wendy Brown, Achile Mbembe e Terry Eagleton. Uma recusa que implica, também e necessariamente, um enorme combate à necropolítica guiada pela “normalidade” da reprodução e circulação do capital: da invasão de terras indígenas ao holocausto diário de milhões de animais para consumo humano; do agronegócio devastador às indústrias poluentes; o que implica combate ao racismo, ao feminicídio, ao sexismo, à lgbtfobia, ou seja, ao padrão do homem branco soberanista que comanda a destruição por toda parte. Mas ninguém pode prever se e o quanto a atual “propaganda massiva da morte” irá propiciar uma tal consciência geral da maior parte da população com relação ao caráter destrutivo e sacrificial do capitalismo e a necessidade de se engajar numa tal luta, o que reforça o ceticismo de Zizek e dos marxistas ortodoxos.

Para começar, talvez seja preciso pensar a pandemia, essa atual “produção massiva da morte”, não como decorrência de um império “dos bichos”, de um vírus, como sugere Bifo, seguindo Donna Haraway, e de um vírus pronto para vingar séculos de barbárie do homem branco capitalista falocêntrico e genocida, como sugerem outros textos. Sem de modo algum fazer pouco dessa ideia de uma “vingança cósmica” (como indica Frédéric Keck, ela implica uma leitura sígnica, não simbólica, da relação entre humanos e não humanos5), vale pensar se a potência disruptiva de um vírus como o atual não faz, antes, parte intrínseca da velha estrutura contra-produtiva sacrificial do capitalismo, para além das fragilidades do sistema, como a desestruturação neoliberal dos sistemas de saúde, ou mesmo levando em conta teorias conspiracionistas, como um suposto plano para dizimar parte significativa do incontrolável exército excedente e inútil de mão de obra mundial. Um legítimo sentido antropomórfico atribuído ao vírus deve, no mínimo, aliar-se a considerações históricas, econômicas, políticas, antropológicas, ecológicas e epidemiológicas.6

Desse modo, o comércio ilegal de animais silvestres (de onde, como tudo indica, o coronavírus espalhou-se) deveria ser visto não como resquício de práticas tradicionais atrasadas e estúpidas, de seres alijados de uma racionalidade minimamente aceitável, como se essas práticas fossem “primitivas”, qualitativamente diferentes das múltiplas formas com que o capitalismo produz a morte, diariamente, em todo o planeta; e os negacionistas servem-se desse fato quando, em seu total desprezo pela vida, ignorando dados científicos e as estruturas precarizadas dos sistemas de saúde, relativizam o perigo da pandemia argumentando, com valor obscenamente invertido, que esta produz menos morte do que o dia a dia ordinário. Outro lado do mesmo problema: quando se separa de tal maneira “o bem” (técnicas higiênicas de produção) e “o mal” (práticas primitivas de consumo de animais), perde-se a oportunidade de compreender que é, ao contrário, o “bem” que carrega o desprezo mortífero pelos animais e pelo planeta, pela selva e pelo modo de vida e os conhecimentos tradicionais, com consequências cada vez mais nefastas para os humanos, enquanto o consumo tradicional de animais silvestres (o “mal”) torna-se fonte potencial de epidemia porque marginalizado-desregulado frente à escala urbana e, tal como o tráfico de drogas e tantos outros contrabandos, permanece um resto inextirpável, um apêndice ou suplemento, uma contra-produção indissociável dos parâmetros sanitários civilizados.

Sem dúvida que esses parâmetros sanitários —incluindo as UTIs (unidades de tratamento intensivo), os EPIs (equipamentos de proteção individual), as vacinas e toda a indústria farmacêutica— constituem um inegável bem, dadas as condições atuais, como última esperança da sobrevida dos humanos e segurança dos profissionais da saúde, em sistemas públicos que o o neoliberalismo de fato corroeu em grande escala. Mas essa denúncia de que o neoliberalismo, mesmo nos países desenvolvidos, tenha destruído de maneira mórbida o funcionamento minimamente aceitável de uma estrutura já em si mesmo disfuncional e degradante da gestão alopática-industrial da vida e da morte (associada que está ao funcionamento da indústria cancerígeno-alimentícia-fast-food) deveria ser um ponto de partida e não uma evidência capaz de conscientizar as massas numa perspectiva crítica. A tese de que se possa, de uma hora para outra, mesmo que diante do “trauma da pandemia”, converter atávicos consumidores de hospitais, medicamentos e produtos enlatados em vegetarianos orgânicos e adeptos conscientes da acupuntura e de ervas medicinais porque “o fim do mundo já está aí”, não soa convincente. Pelo contrário, todas as esperanças se voltam para a indústria farmacêutica, vacina, remédios, novos protocolos sanitários, mais controle tecnocientífico industrial.

Nem os especialistas parecem ter ideia de como e porque um vírus como o SARS-Cov-2, de repente, tornou-se tão rapidamente contagioso e letal nos seres humanos. Fica, porém, a constatação de que, se o problema da transmissão de vírus dos animais aos humanos não é novo, ele torna-se infinitamente mais perigoso em função da globalização e da homogeneização das condições da vida urbana civilizada. Ao que parece, ao menos essa transmissão viral específica se deu, precisamente, porque práticas tradicionais acabaram misturando-se a ambientes degradados, produzidos pelo próprio sistema capitalista em uma periferia já não tão periférica assim. Alguns especialistas indicam também a nossa pobre dieta ocidental, a diminuição da diversidade genética e a destruição do ecossistema como parte do problema.7

Nada do que foi dito acima é original ou muito preciso, mas parece conter aspectos importantes no debate sobre a pandemia. Algumas autoras e alguns autores têm chamado a atenção para esses aspectos ao analisarem a pandemia como uma dimensão intrínseca da contra-produção sacrificial do capitalismo globalizado. Podemos entender a expressão “contra-produção sacrificial”, aqui, em dois sentidos: o de que a produção capitalista é, no final das contas, sempre, em alguma medida, contra a vida como um todo, em função de sua dimensão sacrificial-destrutiva, porque submete a gestão produtiva da vida ao princípio de uma consumação mórbida, alienante e destrutiva, como já dizia o jovem Marx dos Manuscritos de 44; e o de que a pandemia desencadeia um processo contraprodutivo, de desaquecimento em certa medida “desejado”, como num súbito acerto de contas com a pulsão de morte, numa aparentemente necessária rearrumação do sistema produtivo.

Seja como for, seja por esse ou por outros caminhos, a maioria das análises filosóficas sobre a pandemia parece levar à (ou ao menos aproximar-se da) ideia de que é urgente lutar pelo estabelecimento coletivo de modos radicalmente alternativos de se pensar e vivenciar as relações entre os seres humanos, e entre humanos e não-humanos; modos de pensar e de viver radicalmente alternativos a paradigmas soberanistas (religiosos, iluministas, políticos), que fantasiam o poder do “propriamente humano”, dominador, controlador, explorador, produtivista e destruidor, sobre todas as demais dimensões da vida, sobre todos os outros seres, sejam animais, minerais, vegetais, “ideais”, “naturais” ou “artificiais”. Para isso, parece urgente repensar a natureza sacrificial da vida, em suas diversas manifestações, para além de qualquer “soberania humana” desde sempre cúmplice da incontrolável máquina sacrificial do capitalismo.

(Escrito em 10/05/2020, revisto em 19/05/2020)

1 São Paulo: N-1 edições, 2020: https://n-1edicoes.org/042

2 Sobre os “trabalhadores essenciais, ver, ainda, João Marcos Albuquerque, Quem são os “trabalhadores essenciais”?, em Outras Palavras: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado /quem-sao-os-trabalhadores-essenciais/.

3 Jacques Rancière, Uma boa oportunidade? São Paulo: N-1 edições, 2020: https://n-1edicoes.org/039-1

4 Franco Bifo Bernardi, Para além do colapso: três meditações sobre um possíve depois, São Paulo: N-1 edições, 2020: https://n-1edicoes.org/051

5 Entrevista publicada com o título Os morcegos e os pangolins se rebelam, São Paulo: N-1 edições, 2020: https://n-1edicoes.org/050. Ver, também, o texto de Juliana Fausto, Contra quem se vingam os animais?, São Paulo: N-1 edições, 2020: https://n-1edicoes.org/040.

6 Também Frédéric Keck: “Hoje, os morcegos e os pangolins se rebelam, e somos nós que corremos o risco de ir para o abate. Mas isso não quer dizer nada, simbolicamente, sobre uma conexão intangível entre a epidemia e a política. Na verdade, nos possibilita diagnosticar dinâmicas do capitalismo que são sinalizadas por doenças infecciosas que não são nunca as mesmas”.

7 Ver o texto de Maurizio Lazzarato, É o capitalismo, estúpido!, São Paulo: N-1 edições, 2020:https://n-1edicoes.org/016 e Nurit Bensusan, Alice no país da pandemia, em https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-isa/alice-no-pais-da-pandemia




FILIPE CEPPAS
É filósofo, professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ, tem realizado uma releitura da antropofagia de Oswald de Andrade e acaba de publicar o livro Ensaios de filosofia nos trópicos. Questões de ensino e aprendizado, pela editora Unicamp.

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