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França prolonga confinamento e sobe número de mortes na Europa e EUA


Mais de 80 mil pessoas em todo o mundo morreram pelo coronavírus desde que o primeiro caso foi relatado em dezembro na China.

Da Carta Capital, 09/04/2020

O governo da França informou nesta quarta-feira 08 que prolongará o confinamento da população para conter a propagação do novo coronavírus, num dia em que o número de mortos continuaram a subir na Europa e nos Estados Unidos, e especialistas alertaram que a recessão global iminente pode ser a pior em décadas.


Os governos estão divididos entre garantir a segurança pública e deter o impacto econômico devastador da paralisação de atividades, que em poucas semanas eliminou milhões de empregos.

Mais de 80.000 pessoas em todo o mundo morreram desde que o primeiro caso foi relatado em dezembro na China. A pandemia gerou um colapso na economia global e forçou bilhões de pessoas a ficar em casa o maior tempo possível para evitar o contágio.

Especialistas em saúde enfatizam que qualquer flexibilização prematura das restrições poderia acelerar a propagação de uma doença que já afeta quase todos os países.

Na França, uma das nações europeias mais afetadas, com mais de 10.000 mortes, a ordem de confinamento emitida em 17 de março “será prorrogada” para depois de 15 de abril, disse à AFP uma autoridade próxima ao presidente Emmanuel Macron.

Itália e Espanha ainda relatam centenas de mortes por dia, embora a situação também esteja se deteriorando no Reino Unido, que registrou um recorde de 938 falecimentos nesta quarta-feira, quando o primeiro-ministro Boris Johnson passou o terceiro dia em terapia intensiva.

O político de 55 anos está “melhorando” e “de bom humor”, disseram as autoridades.

Nova York, epicentro do surto americano, registrou um recorde de 779 mortes em 24 horas, embora o governador do estado, Andrew Cuomo, tenha dito que as hospitalizações diminuíram. O total de óbitos nas últimas 24 horas nos Estados Unidos foi de 1973, sendo que no dia anterior esse número chegou a 1939.

Um relatório preliminar indica que 34% dos falecidos em Nova York são latinos, sendo que constituem 29% da população da cidade.

Em Wuhan, foco da epidemia na China, houve momentos de euforia quando a proibição de viajar em vigor desde janeiro foi suspensa.
A recessão das nossas vidas

O chefe da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevedo, alertou que as consequências econômicas da crise “podem ser a recessão mais profunda ou o mais grave revés econômico em nossa existência”.

O comércio mundial pode diminuir em até um terço este ano, segundo a OMC.

A Alemanha e a França, as principais economias da União Europeia, foram duramente atingidas. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha deverá diminuir em quase 10% no segundo trimestre. A França já registrou seu pior desempenho econômico desde 1945 no primeiro trimestre, com queda de 6%.

Mas autoridades do Federal Reserve (banco central) dos Estados Unidos disseram que o fechamento das empresas não deve ter o impacto duradouro visto na crise financeira global de 2008.

Alguns países europeus avaliaram a flexibilização das medidas de contenção, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu para não fazerem isso.

“Agora não é hora de relaxar as medidas”, disse o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, pedindo “dobrar e triplicar” os esforços coletivos.

O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu ao presidente americano, Donald Trump, que “não politizasse” o vírus depois que ele ameaçou suspender a contribuição dos Estados Unidos à agência, acusando-o de não saber lidar com a pandemia e de preconceito contra a China.
“Um momento muito, muito triste”

Em todo o mundo, as equipes médicas estão pagando um alto custo físico e emocional em unidades de terapia intensiva lotadas e hospitais improvisados erguidos em estádios esportivos, navios e até mesmo em uma catedral de Nova York.

Na Espanha, outras 757 mortes foram registradas nesta quarta-feira, aumentando o número de vítimas pelo segundo dia após vários dias de declínio.

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