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O povo vê Lula gigante diante do minúsculo Bolsonaro

Do 247, 13 de Setembro, 2019
Por Marcos Coimbra

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Jair Bolsonaro e Lula (Foto: PR |
Ricardo Stuckert)
sobre as três pesquisas de avaliação de governo divulgadas recentemente, por MDA, Datafolha e Vox Populi, esta última com perguntas também relacionadas a Lula, e conclui: "substituíram a maior liderança existente, a mais querida e a mais bem avaliada, por um personagem tosco e minúsculo, que satisfaz a um segmento que diminui a olhos vistos. Mais dia, menos dia, terão que remediar seu erro"

Cada uma à sua maneira, as três pesquisas divulgadas nos últimos dias, realizadas pelo MDA, o Datafolha e o Vox Populi, procuraram caracterizar a imagem atual de Bolsonaro e do governo, bem como o apoio que têm na sociedade. Chegaram a resultados semelhantes.

Todas indicaram queda nas avaliações positivas e redução do tamanho de sua base social, em intensidade e ritmo superiores à de qualquer governo anterior. Nenhuma identificou motivos para imaginar que essas tendências mudarão em prazo razoável, o que significa dizer que os maus números de hoje são, provavelmente, menos ruins que os próximos.

A pesquisa Vox foi além e tratou também da imagem de Lula e seus governos. Permite, portanto, comparar os sentimentos da opinião pública a respeito do ex-presidente com os que dedica ao ex-capitão.

A comparação pode ser feita em três aspectos: administrativo - na atuação de ambos na Presidência da República, pessoal - se as pessoas “gostam” (e quanto) de cada um, e político - na identificação com o que são e representam. A vantagem de Lula em relação a Bolsonaro, em qualquer desses quesitos, é grande. Mais ainda se considerarmos que as coisas tendem a piorar para um e estão estáveis, na hipótese mais desfavorável, para o petista.

Bolsonaro é, por ora, avaliado positivamente como presidente por menos de 30% das pessoas, obtendo 23% na soma de “ótimo” e “bom” na pesquisa Vox. Entre os que o aprovam, estão 5% que acham “ótimo” seu trabalho.

Lula, preso há um ano e meio e alvo de uma incessante campanha de desconstrução pela imprensa corporativa, tem seus dois governos avaliados positivamente por 63% dos entrevistados, quase o triplo do que obtém o atual ocupante do Palácio do Planalto. Olhando somente para os que dizem que foi um “ótimo” presidente, a taxa é de 24%, cinco vezes maior que a do sucessor.


Quando se pede às pessoas que escolham, espontaneamente, o “melhor presidente que o Brasil já teve”, a resposta, para 50% dos entrevistados, é Lula. Para 9%, Bolsonaro (que está em primeiro lugar quando a interrogação é quanto ao “pior presidente que o Brasil já teve ”).

No plano pessoal, 30% dos entrevistados dizem que “gostam muito” de Lula, acompanhados por 23% que afirmam que “gostam um pouco”. Na outra ponta, 8% dizem que o “detestam”. As respostas a respeito de Bolsonaro vão no sentido quase inverso: 10% dizem que “gostam muito” e 21% que o “detestam”.

É possível que o carinho por Lula decorra da avaliação objetiva de seus governos. Para 62% dos entrevistados, foi no período em que Lula foi presidente que “tiveram melhores condições de vida: emprego, maior renda, menos inflação, etc.”. Até entre os que se dizem favoráveis a Bolsonaro a dianteira é de Lula: 32% dos bolsonaristas respondem que foi com Lula que viveram melhor.


Para avaliar o tamanho do “bolsonarismo”, a pesquisa fez uma pergunta direta: “Pensando na forma como Bolsonaro faz política, as ideias defendidas por ele e sua equipe, o modo como fala e se relaciona com seus opositores e as pessoas de uma maneira geral, o que você diria?”. “Gosta muito, se sente uma ou um bolsonarista” foi a resposta de 6% dos entrevistados, enquanto 17% afirmaram que “gostavam, mas não se sentiam bolsonaristas”. Do outro lado, 22% responderam que “detestavam o bolsonarismo” e 25% que “não gostavam, mas não chegavam a detestar”. Em resumo: 23% disseram que “gostavam” e 47%, o dobro, que “não gostavam”.

São números bem piores que os relativos ao petismo. Oferecendo as mesmas opções de resposta, a pesquisa aponta que 28% dos entrevistados podem ser definidos como antipetistas e 32% como favoráveis ao PT. Em oito meses de governo, o antibolsonarismo tornou-se significativamente maior (quase 70% maior) que o antipetismo.

De agora em diante, as coisas tendem a ser mais complicadas para Bolsonaro. O tempo passa e a falta de resultados positivos torna-se mais evidente, ao mesmo tempo em que diminui a paciência da parcela pouco politizada do eleitorado. O apelo exclusivamente ideológico atinge cada vez menos pessoas. Não deve demorar, restará a Bolsonaro o apoio exclusivo de uma pequena minoria.

Aqueles que golpearam a democracia brasileira, especialmente nas Forças Armadas e no sistema de Justiça, com o aval de uma burguesia que só enxerga lucros imediatos, fizeram a troca mais despropositada de nossa história: substituíram a maior liderança existente, a mais querida e a mais bem avaliada, por um personagem tosco e minúsculo, que satisfaz a um segmento que diminui a olhos vistos. Mais dia, menos dia, terão que remediar seu erro.

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