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Incêndio atinge Alter do Chão, área de proteção ambiental, no Pará

Fogo se alastrou desde o último sábado e se intensificou nesta segunda-feira. Estado apura possível ação criminosa
EUGÊNIO SCANAVINO

Do Redação RBA 16 de Setembro, 2019

A polícia investiga origem criminosa do fogo, que teria sido ateado por uma pessoa da comunidade Ponta de Pedras, dentro da Apa de Alter de Chão, área de proteção ambiental já invadida

São Paulo – Um incêndio de grandes proporções começou no último sábado (14) e se alastrou para uma área de proteção ambiental em Alter do Chão, na região de Santarém, no Pará. O governo do estado chegou a anunciar que as chamas estavam controladas, mas o fogo se intensificou nesta segunda-feira (16), segundo informações das brigadas de incêndio.

Um novo foco foi identificado em uma ilha de difícil acesso, próximo a Ponta de Pedras. Os bombeiros continuam as operações de combate ao fogo. No fim da noite de ontem, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), informou via Twitter ter solicitado reforço da Força Nacional e o envio de um avião-pipa para locais de difícil acesso.

O fogo também atingiu uma área de mata perto da margem do rio Tapajós. Segundo o governo do estado, a previsão é que no início desta tarde chegue o avião-pipa e 40 militares do Exército que deverão ajudar no combate às chamas.

A polícia investiga a origem criminosa do fogo, que teria sido ateado por uma pessoa da comunidade Ponta de Pedras, dentro da Apa de Alter de Chão, área de proteção ambiental já invadida. O inquérito foi aberto após solicitação do governo do estado paraense.

Alter Chão é uma vila balneária distante 37 quilômetros por via terrestre de Santarém, oeste do Pará, e a 1.373 quilômetros da capital do estado, Belém. O balneário, cortado pelo rio Tapajós, é o principal ponto turístico da região, conhecido como Caribe da Amazônia.

O deputado federal Airton Faleiro (PT-PA) disse, em seu Twitter, que o combate ao fogo “parece não ter fim”. “O povo de Alter do Chão, com ajuda de visitantes e turistas que ficaram arrasados com as cenas que viram, e com os sons dos animais desesperados vindo das áreas de queimada, conseguiu articular medidas para contenção do fogo que começaram a ser executadas nesta manhã”, relatou.

REGISTRADO EM: ALTER DO CHÃO, FLORESTA AMAZONICA, INCÊNDIO, PARÁ

INCENDIÁRIOS
Queimadas em territórios indígenas cresceram 88% em 2019
Conselho Indigenista Missionário denuncia "ação criminosa" incentivada pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro. Um dos territórios teve 95% da área queimada
Publicado por Redação RBA 16/09/2019 10:12
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FOTOS PÚBLICAS


Queimadas em territórios indígenas atingem principalmente os biomas da Amazônia e do Cerrado

São Paulo – Os focos de incêndio em terras indígenas cresceram 88%, de janeiro a agosto deste ano, na comparação com o 2018, de acordo com levantamento realizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), baseado em informações coletadas junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O crescimento atípico é atribuído a “ações criminosas” que têm sido estimuladas pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que também tem provocado o “desmonte” do sistema de proteção ambiental.

Segundo o recém-eleito secretário-executivo do Cimi, Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, as comunidades indígenas estão assustadas com o crescimento das queimadas. “O país inteiro está assustado. O mundo está assustado com essa avalanche, com essa ação criminosa que está ocorrendo no país. Não é uma situação que ocorre de forma natural, mas é intencional, para que as terras indígenas sejam prejudicadas”, afirmou em entrevista à jornalista Marilu Cabanãs, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (16).

Os focos de incêndio se concentram nos estados de Tocantins, Mato Grosso, em áreas de Cerrado, e na também na região amazônica. Desde o início do ano, foram 9.078 mil focos registrados em terras indígenas. A “explosão” se deu em agosto, quando foram registrados mais de 4 mil pontos de queimada.

No município de Lagoa da Confusão, em Tocantins, o fogo consumiu 95% da terra indígena Krahô-Kanela. “Processo de queimada foi para além da região Amazônica. Terra indígena Krahô-Kanela: o fogo iniciou em áreas de fazenda e, infelizmente, apesar de todo esforço feito pelos próprios Krahô e por outros povos indígenas, não conseguiram fazer frente, e a queimada avançou para praticamente todo o território”, denuncia o secretário adjunto do Cimi, Cleber Buzatto.

Os integrantes do Conselho ressaltam que as estruturas dos órgãos de preservação e controle estão sendo desmontadas, e os próprios indígenas buscam fazer o combate. Sem o treinamento e preparo adequado, expõem as próprias vidas, na tentativa de salvar a vegetação e os animais da região onde vivem.

Itaipu

Os missionários também comentaram decisão da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a condenação da União, do estado do Paraná, da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e da Itaipu Binacional por danos causados pela construção da usina ao povo Avá-Guarani, que residia na região. A PGR pede R$ 50 milhões por ano desde o início da construção da usina, em 1978.

Segundo o Cimi, estudos antropológicos apontam que 32 aldeias indígenas foram alagadas pela construção da hidrelétrica. Populações remanescentes, que formaram novas aldeias no entorno da área alagada, sofreram processos de reintegração de posse movidos pela própria Itaipu Binacional. “A Itaipu até hoje nega o direito dos Guarani às suas terras, negam inclusive que eles tenham sido atingidos pela construção da usina. Essa ação derruba essa tese falaciosa. Apesar de bastante tardia, vem num momento político bastante importante, e dá esperança aos Guarani, no sentido de que os seus direitos sejam definitivamente reconhecidos”, destaca Buzatto.

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