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'O BID é um divulgador de fake news', diz o economista Eduardo Fagnani

Instituição divulgou projeção alarmista para 2065 caso o Brasil não aprove a "reforma" da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro

GILMAR FELIX/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Da RBA publicado 10/05/2019 


'Já mudaram oito vezes a projeção do PIB para 2019. Não acertam projeção trimestral, como querem fazer projeção para 2060?'

São Paulo – Para justificar a necessidade da “reforma” da Previdência proposta pelo governo de JairBolsonaro (PSL), economistas e algumas instituições têm apresentado projeções alarmantes para o futuro do país caso a “reforma” não seja aprovada. É caso do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que na última terça-feira (7) divulgou estudo no qual projeta que o Brasil gastará, em 2065, 138% do PIB com as despesas da Previdência. Uma análise descabida, segundo o professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) Eduardo Fagnani.

“O BID é irresponsável. Esse diretor do BID que fez essa projeção deveria ser convocado pelo Congresso Nacional para explicar qual o modelo atuarial ele utilizou para fazer essa projeção tão catastrofista. O BID é um divulgador de fake news! É um irresponsável que faz terrorismo para passar a ‘reforma’ da Previdência”, critica Fagnani, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

Outros dados frequentemente usados por parlamentares e economistas defensores da proposta do governo Bolsonaro, são os projetados por Paulo Tafner, um dos principais assessores do governo no tema, para o ano de 2060. Para o professor da Unicamp, o grande problema das projeções de Tafner é a ausência do modelo atuarial utilizado.

“Ele não apresenta as variáveis que está utilizando. O governo não tem um modelo de projeção atuarial”, enfatiza Eduardo Fagnani. “De janeiro de 2019 até abril de 2019, os economistas do mercado mudaram oito vezes a projeção do PIB para 2019. Oito vezes! Eles não conseguem acertar projeção trimestral, como o Paulo Tafner e o BID querem fazer projeção para 2060?”, questiona, com alguma dose de ironia.

O professor da Unicamp foi um dos quatro economistas convidados para participar da audiência pública realizada, nesta quinta-feira (9), pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de “reforma” da Previdência do governo Bolsonaro. Para ele, a proposta é uma maneira camuflada de “acabar com o Estado social da Constituição de 1988”. “Esse é o objetivo central”, define.

Segundo Fagnani, a ideia de capitalização proposta pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Regime Geral da Previdência devem ser excluídos do debate da “reforma”. “Não tem sentido você fazer uma ‘reforma’ num sistema onde mais de 70% recebe um salário mínimo. Onde tem privilegiado aí? “Como que uma pessoa que ganha R$ 1.300 é um privilegiado?”, destaca.

Com relação à polêmica proposta de capitalização, na qual cada trabalhador faria sua própria “poupança” para a futura aposentadoria, o professor da Unicamp é enfático ao dizer que tal ideia irá acabar com o modelo atual de repartição e com o INSS. “Por que acaba? Porque as pessoas deixam de contribuir para o regime atual do INSS e passam a contribuir para os seus planos individuais, e ao fazer isso, se desfinancia a Previdência atual; e ao desfinanciar a Previdência atual, não se garante a aposentadoria nem sequer para quem está aposentado”, alerta.

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