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Impactos gerados pela mineração em Minas Gerais são registrados do alto por fotógrafa do estado

Imagens que vão de Itabira a Brumadinho estão expostas em Nova York. Para Júlia Pontés, os problemas gerados pela atividade ainda são pouco conhecidos.

Linhares, perto de Regência (ES), foz do Rio Doce, nove meses após a tragédia da Samarco. — Foto: Júlia Pontés/Divulgação


Do G1, 30 de Maio, 2019
Por Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte


Desde 2015, a fotógrafa mineira Júlia Pontés registra imagens de mineração em Minas Gerais. A ideia começou após o desastre de Mariana, na Região Central do estado, quando a Barragem de Fundão, da Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billiton, se rompeu. Dezenove pessoas morreram, o Rio Doce foi contaminado e distritos desapareceram sob a lama de rejeitos.

A partir daí, Júlia começou a documentar através de imagens aéreas a atividade mineradora no estado. O projeto, chamado “Ó Minas Gerais/Paisagens Transitórias”, ganhou força com a tragédia de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em janeiro deste ano, a Barragem de Córrego do Feijão, da Vale, se rompeu, matando mais de 240 pessoas.

“Nós temos uma pesquisa prévia de geolocalização, do que aquela mina faz na cidade. As imagens são todas feitas de avião. É fundamental para o meu processo estar vendo. Estar ali vendo com meus próprios olhos. E aquele sentimento eu traduzo em imagem”, disse Júlia que também é ativista.

Ela trabalha com comunidades atingidas pela mineração e luta por uma legislação mais justa da atividade.


Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, três meses depois da tragédia — Foto: Julia Pontés/Divulgação

“A gente quer levar a discussão sobre mineração para fora de Minas. Como as montanhas mineiras que estão em processo de mineração estão em acordos com Ministério Público para que a fachada visível da montanha seja protegida, os impactos da mineração são pouco conhecidos”, disse ela.

Imagens da destruição causada por estas duas tragédias e atividades em minas de cidades como Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo, Nova Lima e Conceição do Mato Dentro procuram levantar uma reflexão sobre como é feita a mineração no estado, que tem essa exploração vinculada a sua própria história.


Mina de Brucutu, a maior da Vale em Minas Gerais, em São Gonçalo do Rio Abaixo — Foto: Júlia Pontés/Divulgação



Mina do Pico em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Júlia Pontés/Divulgação

Uma exposição com estas fotos está sendo realizada em Nova York. Ela já esteve em Congonhas e segue em cartaz no Recife.

“São 12 fotos e ela [exposição] tem uma narrativa. Ela começa com uma grande foto feita em Itabira, primeiro projeto individual de mineração no Brasil, e termina em Brumadinho. Através das legendas, ela vai ensinando um pouco mais sobre mineração e também um pouco sobre solução. A exposição também traz essa discussão”, afirmou.



Júlia Pontés registra mineração em Minas Gerais desde 2015 — Foto: Júlia Pontés/Arquivo pessoal

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