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Diário: grande ato pela Educação

No dia 15 de maio de 2019, grandes atos por todo o país transformam o cenário político. Em São Paulo, estudantes e professores tomaram a avenida em colorida manifestação.
De OUTRAS PALAVRAS, 16/05/2019

por Gavin Adams
Foto: Alice Vergueiro


Gente, foi indiscutível: a onda pegou e mudou a pauta. Em sites de direita, confusão: quem tem um mínimo de noção admite que foi uma derrota fragorosa de todo campo direitista. Até falam que as manifestações “são contra um governo que, em quatro meses e meio, vem se mostrando inepto para enfrentar os enormes desafios que o país impõe.” O MBL também acusou o golpe… Rere, apenas 5 meses atrás estavam sugando a mamadeira de piroca.

Passei o dia na rua, mas foi só nas fotos aéreas que vi depois é que dimensionei o tamanho da coisa: foi indiscutível. Foi impossível avaliar números na hora, mas li depois que seríamos de 150 a 500 mil, dependendo da fonte. Nacionalmente, seriam 2 milhões.

Foi tão grande que agora é incontornável: os corpos de carne e osso derrotam robôs digitais, não há fórmula mágica que blinda o capitão para sempre, Weintraub está nu e tem que ser demitido, o presidente perdeu autoridade e causou a própria ruína. Agora sim quero ver a “deforma” da Previdência avançar no Congresso! Outras pautas também terão mais dificuldade de avançar.

Hoje me permiti otimismo, pois foi de lavar a égua (ou foi a alma, já não sei). Cercado de jovens nas avenidas de São Paulo, fiquei muito feliz de ver novas formulações em cartazes e palavras de ordem. Muita alegria militante, um grito que estava entalado na garganta pelo menos desde a eleição. Recordei da depressão e da sensação de perigo que me engoliu a partir de outubro de 2018. Tem muito chão ainda, mas… virou!

Nada será como antes.
Foto: Alice Vergueiro

Desci na estação Consolação cedo, 10h, para ir à Praça dos Arcos acompanhar um ato de secundaristas da rede particular. Era uma ação preparatória para o grande ato da tarde. As expectativas eram grandes em relação ao evento principal, pois esta seria um dos primeiras manifestações contra o governo Bolsonaro (a primeira mesmo foi dos indígenas, que conseguiram reverter ato administrativo bem no começo do ano).

Cheguei na praça e logo vi R. Tinha uns 100 estudantes e professores, depois virou mil. A Globo já estava lá com repórter e câmera. Conseguiram fazer algumas entrevistas, mas foram hostilizados também. Conversamos com V, uma moça que nos contou que tinham já passado em várias escolas, tentando mobilizar para os protestos. No geral, conversando com outros estudantes e professores, parece que as escolas mais progressistas apoiaram os alunos, mas os professores não foram liberados.

A pegada desse ato era mais autonomista, isto é, mais basista, com menos interação com partidos ou organizações ligadas a partidos (tipo UMES ou SINPRO). Vi o jornal A Voz Rouca nas mãos de vários manifestantes. Pintavam faixas negras no chão com os dizeres “E se ninguém mais quiser ser professor?” e “Cada escola é uma trincheira”. Notei que tinham um espaço para crianças muito pequenas, e mesas com brinquedos para crianças um pouco mais velhas.

Conversamos com 4 meninos de um colégio do Pirajussara. Contaram que só eles quatro de sua escola tinham aderido e vindo à avenida Paulista. Um deles vestia uma camiseta com “Pirado no Jiraya”.

Já os professores articulavam mais sobre as condições gerais de seu trabalho. Eles estão na linha de frente da privatização da educação, com grandes grupos privados comprando escolas e impondo regime desfavorável de trabalho.

Vi um cartaz “Se aí não tem recuo, aqui não tem arrego”, uma camiseta “#Ele não, #Ele nunca, #Ele jamais!”, uma “Lute como uma garota” e outras 5 laranjas do SINPRO, que é o sindicato dos professores particulares. Vi ainda uma camisa de futebol Rayo Proletário F.C., da Colômbia.
Foto: Alice Vergueiro

Já estava bem mais cheio quando saímos fora e achei notável o nível de articulação da meninada. Notamos também que parecia ter mais meninas que meninos, e perguntei sobre isso. Elas dizem que é isso mesmo, as estudantes frequentemente tomam a frente das mobilizações. Já outros profissionais da educação concordam, mas apontaram que ainda há desequilíbrio na indústria, já que os diretores e donos de escolas rendem a ser homens.

Almoçando lá perto vimos na tela da TV que a Globo dava boa cobertura aos atos por todo o país. Vi Salvador e Brasília, deu para notar que tinha bombado. A tarde ia ser boa. Faz toda a diferença quando a imprensa noticia antes ou durante um ato. No geral, a polícia não reprime quando é assim. Sabemos que esse apoio da emissora é ambíguo e hipócrita. Hoje ela posa de opositora do presidente Bolsonaro, mas não de sua agenda econômica. E já escondeu atos tão grandes quanto este, no passado recente.

Da esquina da rua Augusta com a Paulista já dava para ver os balões dos sindicatos em frente ao MASP. Normalmente faço um cuidadoso recenseamento dos balões, bandeiras e faixas da manifestação, mas acabou que deixei para depois e não anotei. Mas lembro que eram os clássicos das centrais sindicais: CUT, Bancários de São Paulo, APEOESP e outros. Dos cartazes e faixas, anotei os que achei mais legais. Seria impossível fazer uma varredura completa.
Foto: Alice Vergueiro

Eram 14h e já tinha gente chegando, misturadas aos trabalhadores dos escritórios que voltavam de seus almoços na região. Vi uma camiseta “Disparada”, outra “#Ele não”, uma do cosmonauta soviético Iúri Gagarin, e uma camisa do Corinthians – e outra do Palmeiras. Um moço trazia à cabeça uma fita vermelha com “Lula Livre”.

Quando cheguei ao MASP, quase lamentei a forte presença sindical bem em frente ao museu. Menos pelas fricções das duas pautas (trabalhadores e estudantes), ou medo de “sequestro” do ato por uma outra parte, e mais pelo carro de som: o volume sonoro é grande e o discurso sindical clássico, gritado, mais afasta que inspira. Vi mensagens contra a reforma da Previdência, e também várias Lula Livre – e umas 5 máscaras de papel do Lula. Mas não foram dominantes. Marielle, por outro lado, também apareceu em vários suportes. Seu rosto mirava o povo a partir de vários cartazes e bandeiras:

“Marielle semente, Paulo Freire presente!”.

A Greve Geral, por sua vez, apareceu como chamada e como cartaz.

Dei um giro e já dava para ver muitos estudantes pela área, muito alegres. Vi vários grupos deles, um deles sob a faixa “GLECC. Grêmio Livre Estudantil Charlie Chaplin”. Cantavam “acabou a paz, mexeu com estudante mexeu com satanás – olha o capeta!”.

R apontou que um jovem frade, de hábito marrom e tudo, também cantava a palavra de ordem!

Tinha relativamente poucos cartazes impressos: “É greve porque é grave” e “Cortem a cabeça do ministro”. A grande maioria era feita à mão, o que sempre dá um ar mais humano à manifestação, e frequentemente as mensagens são mais criativas:

“Se você acha que a educação é cara, pense no preço da ignorância”

“Conhecimento destrói mito”

“Mente vazia, oficina do Olavo”

“Mente vazia, oficina do Bozo”

“Corte só se for no pescoço do fascista!”

Vi bandeiras da UNE, UJS, UEE, PCO (e seu enorme faixão vermelho), PSTU, PSOL, SINPEEM e PT.

Vi também várias do Brasil, mas não mais do que tem sido normal nos últimos meses. Vi gente com a camisa da CBF, digamos umas 10 ao todo no dia. Por um lado muitas destas traziam “Lula” escrito atrás, portanto eram petistas, mas fiquei atento para ver se gente de fora da bolha da esquerda militante estava lá. Em sites de direita, a falta do verdeamarelo foi muito apontada.
Foto: Alice Vergueiro

Achei que um ou outro cartaz indicava isso de gente não-militante na manifestação: “Verás que um filho teu não foge à luta” era um deles. Por ser um verso do hino nacional, a esquerda evita a mensagem. Mas vi muito cartaz assim em 2013 e em manifestações coxinhas subsequentes. Outro cartaz que reconheci das jornadas de junho foi “Estes são os filhos da pátria amada”, e ainda “Um país mudo não muda”. De fato, depois se avaliou que a capilaridade do ato excedeu os limites usuais da esquerda.

Li depois que algumas pessoas fizeram paralelos com 2013, mas talvez seja menos contencioso comparar hoje com as Diretas Já. A capilarização pela sociedade foi parecida.

Já eram perto de 15h e não parava de chegar gente. Agora os estudantes e professores começavam a ser mais numerosos do que os sindicalistas. Deu para ver que ia bombar.

Ainda perto da FIESP, anotei mais cartazes:

“O futuro existe porque a educação resiste!”

“Do marechal ao capitão, a prioridade nunca foi a educação”

“IFSP na luta”

“Tire a mão da nossa educação”

Vi uma camiseta do EMANCIPA, uma do RUA. Vi a faixa “Bolsonaro ladrão! Devolva a verba da educação! FENET. Movimento Correnteza. UJR. UP.”

Vi a camiseta “Don’t be racist, be like a Panda”.
Foto: Alice Vergueiro

Vi vários grupos da PUC chegando, assim como um bandeirão “Casper Líbero Antifascista”, e ainda mais secundaristas, estes cantando uma versão da canção Bella Ciao que ainda não consegui anotar em sua totalidade. Mas agora entendi o refrão principal, que canta “Bolso tchau” ao invés de Bella Ciao!

Também gritavam “A Zona Leste chegou!” e “Uh, Zona Leste!”.

A amiga F nos contou que “o pessoal do audiovisual está aqui”. Encontrei A no meio da multidão, meio espremido perto da linha policial em frente ao Parque do Trianon, em frente ao museu.

R disse que viu um pai levantar o dedo aos PMs perfilados, passando muito rente a eles, dizendo “Seus filhos também vão passar por isso. Depois não vão bater na meninada!”.

Topei com M e P, que é da USP-Leste. Logo depois com J. Conversamos um pouco, e estávamos felizes com o tamanho da coisa.

Nessa hora notei que não dei atenção a nenhum discurso do carro de som. Parece que o Haddad falou. Mas não vi.
Foto: Alice Vergueiro

Vi passar um bandeirão, horizontal, do MTST e ainda outro da Frente Povo Sem Medo. Vi uma bandeira vermelho e negra. Vi uma camiseta “Ubuntu”, uma “UFABC em greve”, outra do Levante Popular da Juventude.

Vi um estandarte colorido “Paz”, outro “Tirem as mãos de nosso futuro, canalhas!”, um cartaz tipo pirulito “Livros sim, armas não!”. Um cartaz “A educação é nossa arma”. Reagindo às declarações de Bolsonaro em Dallas, o cartaz “Sem educação é o presidente e seus ministros”.

Deu para notar que o termo “balbúrdia” pegou e foi apropriado pela galera. O termo figurou em inúmeros cartazes e faixas, ora contrastando com o conhecimento, ora acusando o próprio governo de ser uma bagunça.

Vi que a avenida estava fechada desde a Brigadeiro Luiz Antônio, e , a esta altura, até a Consolação. A presença da polícia muito discreta. Mas não vi ninguém tirar selfie com eles. Perto deles, à porta doparque, uma roda de crianças e pais e mães, sentadas no chão.

A passagem em frente ao museu já estava quase impossível, e decidimos ficar do lado da Consolação, pois achamos que os secundaristas iam ficar ali. Não foi bem o caso, mas deu para conversar com várias pessoas lá.
Foto: Alice Vergueiro

Tentei saber das pessoas como era isso da educação ter se tornado o palco principal da resistência. A transversalidade do campo foi muito citada, isto é, trata-se de uma pauta que pega todas as famílias. Mas algumas ressalvas feitas à mobilização de hoje chamaram-me a atenção. Uma delas era a separação centro-periferia ou esquerda branca e esquerda negra. No geral pareceu que todos reconheciam a importância de defender a universidade e a educação, mas também de reformá-las. Alguns temiam que, uma vez salva a universidade, esta daria (de novo) as costas à sociedade.

Desde Bolsonaro eu grito muito aos liberais e democratas “porque vocês não estão me defendendo contra a extrema-direita? Porque vocês ficaram em casa e propiciaram quem prometeu me matar? Como é que seu democratismo aceita um miliciano no poder?”. Mas percebo que é exatamente o mesmo grito que ouço das periferias e do movimento negro – só que agora é para mim que o apelo é lançado.

O Mano Brown foi muito citado por jovens periféricos.

Quase todos reconheceram o protagonismo das mulheres, negrxs e LGBT, mas a inscrição mais institucional de suas lutas não é tranquila.

Alguns falaram também dos limites do formato manifestação de rua. É muito bonito estar na rua em números tão expressivos, mas os mais jovens pareciam que não compartilhavam de meu enorme alívio de termos “saído do coma”. Para eles, tem muito chão ainda pela frente.

Dei mais um giro, agora perto das 16h e vi a faixa “O levante dos livros vai derrotas os cortes de Bolsonaro!”. Vi bandeiras da CGTB, do PDT, ADUSP, UNIFESP. Um faixão da APEOSEP.

Vi um grupo de moças passarem com aqueles chapéus de formatura.

Vi uma camiseta da URSAL, outra “Lembrar é resistir”,
Foto: Alice Vergueiro

Vi um cartaz “Educação e arte, pavor dos opressores”, e outro muito bom. Este trazia o desenho de um tubo de ensaio borbulhante, com a legenda “É hora de reagir!”. Ainda outro “Lugar de fascista é no caixão”.

Encontrei H, F, MF e E, acadêmicos, e também L e ainda A e M. Vi o pessoal do Coletivo Democracia Corinthiana e depois o pessoal do Coringão Antifa. Vi mais duas bandeiras vermelho e negras, e a camiseta “Resistência Popular Sindical”.

Choveu meio forte por uns 10 minutos, mas passou.

Mais de 16h30, e o carro de som buscava fazer um retorno para seguir em direção à Assembleia Legislativa, que fica no Ibirapuera. Achei a ideia péssima. Além da instituição ter pouco a ver com a pauta nacional de hoje, o lugar é de difícil acesso, longe do metrô e seria quase impossível de conseguir ônibus àquela hora.

Fomos até o vão do MASP esperar que esvaziasse um pouco o asfalto. Deu para conversar com mais jovens estudantes. Impressionei-me de novo com sua articulação e lucidez. Alguns não têm mais que 17 anos. A companheira T trouxe que talvez exista algo como uma “síndrome da irmã mais nova”. Que é aquele ou aquela que viu seus familiares mais velhos ingressarem na universidade, talvez tendo participado de algum intercâmbio e, agora…. sumiu tudo!

Eram 17h30 e ainda tinha muita gente seguindo em passeata, passando pela frente do museu. R decidiu sair fora, e eu decidi não seguir até a ALESP.

Juntei-me à torrente para percorrer a avenida até a esquina da avenida Brigadeiro e dali seguir a pé para casa. No caminho, vi uma faixa “Derrotar as reformas. Que os capitalistas paguem pela crise. MR8”.
Foto: Alice Vergueiro

Segui um tempo com a Fanfarra Clandestina, muito vibrante mesmo depois de tantas horas na rua. É sempre muito bom tê-la ao lado! Vi um homem da rua, de cartola de papelão rota, havaianas e bermuda. Ele estava feliz e regia a fanfarra a partir da calçada – tocavam “Tequila”. Ele também interagia com os cartazes das pessoas.

Passou R e nos cumprimentamos.

Vi a camiseta “Fogo no racista!”, outra “Transição Socialista”,

Vi o estandarte “Mulheres Letras USP”, a bandeira amarela “Justiça por Marielle. PSOL”, e a faixa “Fora Weintraub”.

A luz do dia já tinha se apagado e fora substituída pelo brilho amarelo da iluminação pública. Achei bonito estar cercado da juventude, no meio da avenida, ao som do batuque. Percebi que tinha relaxado e que estava feliz. Nada será como antes.

O pessoal animado, gritando “Quem não pula é fascista!”.

Chegamos à esquina da Brigadeiro e parte das pessoas desciam – o carro já tinha há muito seguido para a distante ALESP. Muita gente ficando por lá mesmo, na esquina, em vibrante bololô. O companheiro O me contou que tinha visto alguém abrir enorme faixa “Universidade é Resistência” no terraço do Burger King, que domina a esquina!

Vi uma bandeira negra e roxa do anarco-feminismo, outra da ARG, do POR4, do Levante Popular da Juventude, e uma grandona da Frente Antifascista de São Paulo. Vi um estandarte “Juventude Revolução PT”.

Tentei tomar uma cerveja e checar notícias, mas não consegui achar uma mesa vazia! Decidi voltar à esquina e peguei um pessoal que ia seguindo em passeata na direção do Paraíso. Fui com eles. Eram 18h30. Acho que eram da UNIFESP, umas três mil pessoas, com muita energia e possivelmente o melhor batuque da manifestação!

“Recua, Bolsonaro, recua! É o poder popular que está na rua!”

“A nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador!” – uma rima possível somente no falar brasileiro.

“Sou estudante, sou radical, tira amão da minha Federal!”

“Ô Bolsonaro, seu fascistinha, o estudante vai por você na linha!”

“Ô Bolsonaro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação!”

Vi um cartaz ótimo, “Ei, Sr. Sinistro, devolve nosso chocolate”, referência à explicação do ministro Weintraub sobre os cortes, quando usou bombons. Outro: “Mãos que cuidam também lutam. Enfermagem”.

O pessoal chegou até a Praça Oswaldo Cruz e fez um jogral. Ao final, chamaram a greve geral e fizeram uma foto grupal.

Vi um moletom “Bring me the horizon”.

Aproveitei e saí fora a pé, sentido Paraíso. Sentei à mesa num boteco perto da Vergueiro e comecei a escrever. Foram chegando alguns jovens que tinham estado na manifestação. Estavam felizes. Mas ouvi o funcionário que os serviu dizer à meia voz: “Bolsonaro 17!”.

Terminei o copo e fui para casa.


GAVIN ADAMS

Gavin Adams escreve um diário das movimentações políticas de rua desde 2015. Artista plástico e pesquisador-ativista, nasceu em São Paulo e vive no Brasil. Pertence ao cognitariado precarizado e presta serviços gerais de texto e imagem. Seu presente projeto tenta acompanhar os encontros e desencontros da “nova esquerda” e “velha esquerda”. Formado em Artes Plásticas, com pós-doutorado em História da Ciência.

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