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Ataque ao 247 e demissão de crítico de governo: a escalada da ignorância

Do Brasil 247, 29 de Maio de 2019
Por Ricardo Kotscho


Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia 

Marco Antonio Villa ganhou a vida descendo o pau nos governos do PT e apoiou Bolsonaro nos seus comentários na Jovem Pan.

Agora, virou crítico do governo, e sente na pele a peia da intolerância: para agradar Bolsonaro, a emissora da extrema direita resolveu tirar o colaborador do ar por 30 dias. Por qual motivo, a mando de quem?

É algo inédito: se não são férias, e não são, segundo Villa, então é aviso prévio. Demissão com prazo determinado não existe.

A figura do “historiador” que mudou de lado não tem a menor importância e não é flor do meu jardim.

Mas o que está em jogo é algo sagrado para a democracia: a liberdade de expressão.
O desgoverno Bolsonaro dividiu os jornalistas e veículos de mídia em amigos e inimigos, como em tudo que faz.

O capitão reformado pelo Exército aos 33 anos vive em guerra permanente. Não sabe fazer outra coisa, muito menos governar o país.

Chama os amigos para dar entrevistas encomendadas e coloca seus bate paus para perseguir quem considera inimigo por criticá-lo.

A prática não é nova e fez muito sucesso durante a ditadura militar, que ele tanto elogia e da qual sente saudade.

Passei boa parte da minha carreira sob censura, quando trabalhava no antigo Estadão, e sei o que é isso.

Amigos meus não só foram tirados do ar, mas presos e torturados. Vladimir Herzog foi assassinado nos porões do DOI-CODI.

Na madrugada desta quarta-feira, a escalada continuou: milicias digitais tiraram do ar o portal Brasil 247, que abriga o grupo Jornalistas pela Democracia, do qual faço parte.

Esse grupo, liderado por Leonardo Attuch, pratica o crime de ser crítico deste desgoverno e é um oásis de independência editorial e compromisso democrático na mídia brasileira.

Claro que os cachorros loucos das redes sociais bolsonaristas não gostam do que publicamos e resolveram cortar o mal pela raiz.

É assim que começa, e ninguém sabe como vai acabar.

As nuvens negras de 1964 estão voltando para assombrar os brasileiros, sob o comando do capitão expulso do Exército e seus saudosistas generais de pijama.

Vale tudo se for para aprovar a reforma da Previdência dos patrões e dos bancos: dinheiro para emendas de parlamentares e anúncios oficiais a granel para a imprensa amiga.

Com o porrete numa das mãos e um saco de grana no outro, o governo pensa que vai implantar na mídia o pensamento único do projeto de destruição do país, prometido por Bolsonaro no encontro com a extrema direita americana, em Washington, sob as bençãos de Olavo de Carvalho, durante o asqueroso beija-mão a Trump.

Ainda bem que nunca trabalhei na Jovem Pan e durante 11 anos mantenho esse Balaio, só Deus sabe como, onde escrevo o que quero e não posso ser demitido. Aqui eu sou o dono e único funcionário, sem direito a folga semanal…

Vida que segue.

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