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Mia Couto: “Aquilo que falo como escritor traduz minha visão do mundo”



por GIOVANNA GALVANI
DA CARTA CAPITAL, 14 DE ABRIL DE 2019



Escritor moçambicano mais traduzido no exterior está no Brasil para o lançamento da nova edição de ‘Grande Sertão: veredas’
Para enfrentar o silenciamento, o poder do testemunho. Para revisitar a memória, a linguagem poética. A literatura não segue uma fórmula, e não esquece da história mesmo quando esta não quer ser lembrada por conta dos traumas. Mia Couto, escritor moçambicano mais traduzido no exterior e que está no Brasil para o lançamento da nova edição de Grande Sertão: veredas, já escreveu sobre a guerra civil que assombrou e dividiu seu país por 17 anos, e afirma: “O ideal é que houvesse a possibilidade de haver um mundo cheio de mundos, em que valessem várias linguagens”.

“Viver é muito perigoso”, diz Riobaldo, protagonista criado por Guimarães Rosa para contar a história do livro, que se mistura com outras tantas. A trajetória do jagunço pelo sertão mineiro evoca universos distintos dentro da poética impecável, o que faz da obra uma experiência de sentidos físicos e imagéticos única na literatura brasileira.

Para a edição, a Companhia das Letras priorizou o texto original de 1956 e adicionou mais leituras e análises – incluindo uma correspondência trocada entre Clarice Lispector e Fernando Sabino. Nesta, a escritora se sentencia: “Fico até aflita de tanto gostar”.

Em entrevista a CartaCapital, Mia Couto crava: “Aquilo que falo como poeta, como escritor, traduz minha visão do mundo.” Ele se debruçou sobre a escrita que fala de uma nação, sobre a influência dos discursos que nada comunicam, e sobre seu novo trabalho, interrompido pela tragédia na terra natal. Com uma visão dupla da tragédia por também ser biólogo, o autor é um dos engajados em ajudar na arrecadação de fundos para a reconstrução de Moçambique – o faz por meio da Fundação Fernando Leite Couto, da qual é presidente.

Assista ao vídeo:

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