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Judith Butler: "o ataque contemporâneo contra os Estudos de Gênero é organizado por grupos religiosos e políticos"

A filósofa estadunidense participou da inauguração do ano acadêmico da Universidade do Chile, onde falou sobre o futuro das humanidades: "muitos consideram as humanidades como um privilégio ou um espaço só para acadêmicos, e isso desconhece como não podemos apreender o mundo sem as humanidades"


Da Carta Maior, 6 de Abril, 2019
Por El Desconcierto



A filósofa estadunidense Judith Butler fez um chamado para defender as humanidades e os estudos de gênero diante do ataque dos grupos conservadores a nível mundial.

A investigadora participou da inauguração do ano acadêmico da Universidade do Chile, onde deu uma aula magistral, na qual falou sobre o futuro das humanidades.

"Muitos consideram as humanidades como um privilégio ou um espaço só para acadêmicos, e esse pensamento desconhece como não podemos apreender o mundo sem as humanidades", sustentou.

Butler, que durante sua estadia também receberá o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Chile, se referiu aos ataques que vem recebendo por seus estudos de gênero nos últimos tempos, e afirmou que isso "é organizado por grupos religiosos e políticos".

Na mesma linha, afirmou que "os grupos contrários aos estudos de gênero buscam manter ideais de masculinidade, feminilidade e outros conceitos conservadores visando manter um status quo".

Ademais, Butler manifestou sua preocupação pelo crescimento dos grupos conservadores em países como Brasil, França e Chile. "Talvez seja ainda mais preocupante o fato de ver como a Hungria e outros países proíbe os estudos de gênero e os eliminam das listas de possíveis investigações a serem financiadas", contou.

A pensadora afirmou que os estudos de gênero não têm como objetivo desmantelar a sociedade, como afirmam seus opositores.

"Os grupos que lutam pelos diretos LGBTI, ou aqueles que estão trabalhando em estudos de gênero, não querem destruir a sociedade, e sim promover a aceitação e a liberdade para erradicar a violência, a inequidade e a proibição de identidades dissidentes à dominante", explicou.

*Publicado originalmente em el Desconcierto | Tradução de Victor Farinelli

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