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Holanda inova mais uma vez em mobilidade urbana

País combina trens e bicicletas, abre enormes estacionamentos subterrâneos junto às estações demonstra: políticas públicas inteligentes podem vencer ditadura do automóvel



Estacionamento de bicicletas na cidade de Utrech

























Da página Outras Palavras, 13 de fevereiro, 2019
Por Isabel Ferrer, em El País Brasil


Com 17 milhões de habitantes, há na Holanda 23 milhões de bicicletas. As famílias têm três em média, de acordo com o Escritório Central de Estatísticas. A Bicicletas Recreativas, organização que calcula seu uso, diz que é o veículo mais utilizado (84% da população); é o país com mais bicicletas por habitante (1,3), seguido pela Dinamarca (0,8) e o Japão (0,6); 16% usam modelos elétricos, e destes, 6% têm uma de corrida. Existem 88.000 quilômetros de rotas adaptadas, entre estradas e caminhos municipais, e 94% das viagens começam na porta de casa. O governo pretende investir 345 milhões de euros (1,45 bilhão de reais) em infraestrutura para que outras 200.000 pessoas as levem ao trabalho. Impressionante, mas onde estacioná-las com uma densidade de população de 412 habitantes por quilômetro quadrado? Em estacionamentos subterrâneos gigantescos.


Na realidade, a bicicleta na Holanda pode ser estacionada em qualquer rua, desde que não exista sinalização que o impeça e não interrompa a passagem dos pedestres. O problema é que não costuma haver lugar e os espaços dispostos em diversas áreas das grandes cidades acabam lotados. Lá, estacioná-las no primeiro dia é gratuito e o segundo custa 0,50 euro (2 reais). A partir do terceiro cobram 2,50 euros (10 reais). A solução é construir garagens maiores, especialmente nas grandes estações de trem, como as de Utrecht e Haia. Muita gente sobe no trem, que possui plataformas adaptadas, com a bicicleta para continuar usando-a em outro local. É muito conveniente deixá-la no subsolo da estação ferroviária.

A Prefeitura de Utrecht já abriu um estacionamento para 12.500 bicicletas, o maior do mundo de sua classe, sob a praça da estação central. De três andares, tem acesso pela rua e é possível percorrê-lo pedalando até encontrar uma vaga. Possui um túnel que conecta com o pátio e as plataformas da estação de trem. Aqui o primeiro dia também é gratuito e é possível pagá-lo com o cartão geral de transporte, válido em todos os serviços públicos: trem, ônibus e bonde. Também tem 700 bicicletas de aluguel e não fecha.

Em Haia está sendo construído um estacionamento parecido, na estação central de trens, com capacidade para 8.500 bicicletas. A abertura está prevista para o final de 2019 e também terá o acesso através da rua. Em Amsterdã, onde hoje a maior parte das bicicletas se estaciona perto da estação, se constrói desde 2018 uma garagem com capacidade para 7.000 no canal localizado em frente. Toda a área exterior será remodelada e, como nas outras duas cidades, a previsão é que a entrada fique na rua. Está previsto para ser inaugurado dentro de cinco anos.

Os três projetos recebem dinheiro do governo central e das respectivas prefeituras e o ministério do Transporte quer que a população utilize muito mais a bicicleta. De acordo com números do departamento, 25% dos trajetos sobre duas rodas têm a ver com o trabalho e podem ser chamados de profissionais. 37% são viagens de lazer. O restante é para compras, ir ao colégio e outras atividades. Levando em consideração que “mais de 50% da população ativa mora a menos de 15 quilômetros de seu trabalho e que mais da metade dos percursos de carro não supera os oito quilômetros”, dizem porta-vozes oficiais, a ideia é promover as bicicletas com uma diminuição dos impostos. Para cada quilômetro coberto nesses deslocamentos diários para ir trabalhar, o usuário recebe diminuição de 19 centavos de euro (80 centavos de real). O Ministério do Transporte espera convencer as empresas dos benefícios de financiar as bicicletas de seus empregados. E colocar chuveiros nos escritórios, que é outro dos pedidos persistentes.



EL PAÍS BRASIL

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