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“A Natureza não perdoa e tampouco se protege, simplesmente se vinga”



Do IHU, 13 Fevereiro 2019
Por Tracy Segal, publicada por O Estado de S. Paulo, 12-02-2019.


Antes de completar duas semanas da tragédia de Brumadinho a natureza volta a se vingar desta terra e, agora, sua fúria recai sobre o Rio de Janeiro. Quem estava no dia 6 de fevereiro na cidade testemunhou a fúria da natureza com um vento de 110 km e uma chuva torrencial, portanto não questionaria a frase acima, dita pelo biólogo e ambientalista Mario Moscatelli – mestre em ecologia, especialista em gestão de ecossistemas costeiros, que lida há trinta e três anos com questões de natureza ambiental, chefiou o departamento de controle ambiental da prefeitura de Angra dos Reis, e esteve à frente da recuperação de mais de 2 milhões de metros quadrados em manguezais.

Segundo Moscatelli, o acontecido é mais uma catástrofe previamente anunciada. Ele ainda afirma que “a cidade se tornará um ‘açougue ambiental’ cada vez menos habitável”. Sua visão é de um futuro apocalíptico – os estudos referentes às mudanças climáticasapontam para uma nova realidade nada animadora, podendo inclusive inviabilizar parte da região metropolitana da cidade, “uma situação de verdadeira metástase no tecido urbano-ambiental da região na maior parte das vezes devidamente consolidado”, afirma Moscatelli.

Tome-se como exemplo a baía da Guanabara. Dos 51 principais rios que chegam na baía, 46 estão mortos por lixo e esgoto, e já foram gastos no PDBG (Programa de despoluição da Baía de Guanabara) 1 bilhão de dólares, e no PSAM (Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara) 850 milhões de dólares, e nenhum dos programas chegou a lugar nenhum, com estações de tratamento subutilizadas, ou não utilizadas.

A tragédia da semana passada deixou ao menos sete vítimas fatais além do estrago incalculável de partes da cidade – até a data do fechamento desta matéria alguns bairros ainda sofrem com falta de luz e água.

Para o biólogo é imprescindível que a gestão da cidade seja de uma eficiência exemplar, com técnicas efetivas, pois o Rio de Janeiro é uma cidade com uma ocupação urbana historicamente desordenada agravada pelo tipo de geomorfologia da região, com construções em encostas e áreas de risco.

As raízes são históricas, a maneira como foram geridos os recursos da cidade vem desde o Brasil colônia. Moscatelli define a nossa sociedade como uma “moderna colônia de exploração do século XXI”, cujos recursos naturais são geridos de maneira desmedida, com intento de faturar o máximo possível no menor prazo. A impunidade com os responsáveis por desastres ambientais, como visto em Mariana, dá aval para que os “delinquentes ambientais” – como ele define sem pudor – tenham o “irrestrito e infinito direito de matar, degradar e recorrer, garantido por leis manipuláveis e batalhões de ótimos escritórios de advogados, muito bem relacionados, de um judiciário caro e lento, e finalmente de uma sociedade que apresenta uma doença ‘genético-cultural’ que eu denomino de ‘resiliência patológica’, ou seja a capacidade de aceitar até o inaceitável.”

Mas a natureza envia a conta, impreterivelmente.

“Provavelmente chegará um momento em que o preço econômico cobrado pelo ambiente será tão alto que simplesmente, num quadro mais extremo, pedaços da cidade se tornarão inviáveis economicamente de serem habitados”.
Eis a entrevista

O Rio de Janeiro poderia estar melhor preparado ou é a conta climática que está cada vez mais imprevisível?

A conta climática é imprevisível, pois ainda estamos longe de entender perfeitamente como funciona o clima desse planeta e o Rio de Janeiro, de uma forma geral, não tem se preparado/resolvido nem para os antigos e conhecidos problemas básicos e tão pouco para os novos problemas que não serão tão benevolentes como os do passado.

Quem não for 300% competente na gestão dessa nova realidade irá pagar um preço muito alto, tanto do ponto de vista de perdas materiais, como humanas e ambientais. Definitivamente acabou a fase da improvisação. Ou se tomam as medidas de gestão técnica efetiva, sejam elas amargas ou não, ou a cidade se tornará um “açougue ambiental” cada vez menos habitável.

Podemos considerar o que ocorreu na semana passada como sendo um caso de catástrofe anunciada?

No Rio de Janeiro, devido ao tipo de ocupação urbana historicamente desordenada associada ao tipo de geomorfologia da região, onde a ocupação desordenada se dá nas baixadas, ocorrem inundações. E se isso ocorre nas encostas, há escorregamentos/desabamentos. A chuva de 06/02 é simplesmente mais uma tragédia previamente anunciada, aliás apenas mais uma entre tantas outras que nesse exato momento estão sendo “cuidadosamente” geradas por conta da falta de políticas de habitação e ordenação do uso do solo. É questão de saber onde será a próxima chuva torrencial.

O que achou das respostas dadas pelo governador e prefeito quanto à imprevisibilidade da catástrofe ?

Sugiro a ambos que se atualizem tanto com os dados já existentes da série histórica de grandes chuvas no Rio de Janeiro, disponível no instituto de meteorologia, para que entendam que eventos tais como o ocorrido na quarta passada, como em anos anteriores, não são nenhuma novidade para a cidade do Rio de Janeiro, nem suas consequências e tão pouco as causas que agravam ainda mais essa vulnerabilidade natural da cidade. Essas causas só têm se agravado nos últimos anos, apesar das dezenas de bilhões de reais que as autoridades brasileiras torraram para os Jogos Pan Americanos, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Também sugeriria que os assessores de ambos os administradores, checassem os estudos referentes às consequências das mudanças climáticas previstas, esperadas para os próximos anos, que colocam cidades como o Rio de Janeiro numa situação delicadíssima sob o ponto de vista de sua própria existência não apenas em eventos isolados mas como tendo de encarar uma nova e permanente realidade, que poderá inviabilizar parte da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Para dar um exemplo, temos a situação das cincos lagoas no Rio de Janeiro, em que apenas a Lagoa de Marapendi apresenta uma situação menos pior, sendo as demais quatro imensas latrinas, produtoras de cianobactérias. Na semana retrasada 8 toneladas de tilápias morreram na Lagoa de Marapendi, e hoje estão morrendo peixes na lagoa de Jacarepaguá. 6,5 milhões de metros cúbicos de lama e lixo estão acumulados apenas na lagoa da Tijuca, criando um potencial tampão na drenagem da região da baixada de Jacarepaguá.

Quanto à Baia de Guanabara – dos 51 principais rios que chegam na baía, 46 estão mortos por lixo e esgoto, e já foram gastos no PDBG (Programa de despoluição da Baía de Guanabara) 1 bilhão de dólares, e no PSAM (Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara) 850 milhões de dólares, e nenhum dos programas chegou a lugar nenhum, com estações de tratamento subutilizadas, ou não utilizadas. Destaco que cada um tem um número para quanto já foi gasto nessas obras de recuperação que se tornaram uma máquina de fazer dinheiro fácil para o governo do Estado do Rio de Janeiro.

Como você avalia a maneira como a prefeitura está lidando com os estragos?

Da forma que geralmente se trata historicamente, isto é, consertando o que foi destruído e recolhendo os mortos e feridos. Depois de um evento desses não há muito o que se fazer. Além disso seria produtivo pensar e formular rapidamente novos protocolos para novas situações semelhantes a essa, bem como atacar as causas que agravam as consequências. Fato que eu considero que não deverá acontecer principalmente no que diz respeito à questão de ordenação do uso do solo.

Dar solução e opinião após a tragédia é sempre simples. De qualquer forma, futuras tragédias apenas poderão ser minimizadas* (*digo minimizadas pois na cidade do Rio de Janeiro e na região metropolitana do Rio de Janeiro, temos uma situação de verdadeira metástase no tecido urbano-ambiental da região na maior parte das vezes devidamente consolidado) se as causas da maior vulnerabilidade forem combatidas sistematicamente como políticas permanentes de Estado, isto é, políticas habitacionais para a população de baixa renda, bem atendida por transportes, com ordenação do uso do solo, evitando o crescimento das ocupações já consolidadas em áreas de risco. Sem isso, não vai adiantar nenhuma tecnologia preventiva de ponta, pois milhares de pessoas continuarão morando em áreas ambientalmente vulneráveis.

O uso de avisos por sms e sirenes, que já ocorrem, associados com o sistema de monitoramento por satélite/radar a respeito da chegada de fortes chuvas poderá minimizar potenciais tragédias, mas repito, isso exigirá das autoridades coragem e responsabilidade para emitir os alertas com antecedência e maturidade da sociedade em acatar os alertas e aceitar se por ventura as previsões não se materializarem.

Como equilibrar os interesses públicos e privados quando se trata de questões ambientais?

O Brasil do século XXI continua pensando e gerindo seus recursos naturais como uma colônia de exploração do século XVIII. O que interessa é faturar o máximo possível no menor prazo possível, independente de qual seja o recurso natural, seja ele mineral, vegetal ou animal, estratégico como a água ou não. Se não mudarmos por bem, diante das claras evidências, consequências das burradas que temos cometido sistematicamente e historicamente em cidades como o Rio de Janeiro, onde questões como a habitação e o saneamento continuam muito, mas muito longe de serem efetivamente equacionadas, não vai ter jeito, e a produção de tragédias anunciadas, sejam elas humanas, ambientais e/ou materiais vai continuar sem previsão de término.

Provavelmente chegará um momento em que o preço econômico cobrado pelo ambiente será tão alto que simplesmente, num quadro mais extremo, pedaços da cidade se tornarão inviáveis economicamente de serem habitados.

Infelizmente a cidade do Rio de Janeiro tem se mostrado uma verdadeira trituradora de recursos naturais e potencialidades econômicas sustentáveis.

Nem as praias que foram eternizadas mundialmente na cidade maravilhosa, seu principal atrativo e ativo econômico-ambiental, são tratadas como deveriam, estando inúmeras delas impróprias para o banho o ano inteiro ou sempre após as chuvas.

Portanto, ou a sociedade exige um comportamento ambientalmente mais civilizado de si própria, como de seus governantes, ou estamos sem qualquer dúvida rumando para uma situação sem volta do ponto de vista econômico, onde se paga caro para se viver num lugar sem qualidade de vida, independente de qual classe socioeconômica você pertença.

A natureza não perdoa e tão pouco se protege, simplesmente se vinga.

Qual sua avaliação sobre legado olímpico e da Copa, do ponto de vista ambiental?

Desconheço de qual legado você esteja falando. Fui durante a preparação da documentação do COB, um dos colaboradores que gerou as soluções técnicas para os graves problemas ambientais que existiam no Rio de Janeiro. Depois que ganharam a indicação, simplesmente esse assunto, tema, foi esquecido pelas autoridades. Não adiantou falar para o mundo inteiro que as autoridades brasileiras quando o assunto é ambiente, nunca foram e continuavam não sendo minimamente sérias, nem mesmo quando todo o mundo estava de olho na cidade. Simplesmente ignoraram as denúncias e ficou o dito pelo não dito como sempre.

Para a Copa de 2014, torraram 1.6 bilhões de reais na segunda reforma seguida do Maracanã, dinheiro mais do que suficiente para recuperar todo o sistema lagunar de Jacarepaguá como sua bacia hidrográfica, ambas transformadas em imensas latrinas.

Na baixada de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, região que concentrou a maior parte das atividades dos jogos olímpicos não foi feito praticamente nada ambientalmente. Essa área era a que mais crescia na cidade até o início da crise – e agora todos os rios estão mortos por lixo e esgoto – dos que chegam nas lagoas – rio Marinho,Arroio Pavuninha, Rio Caçambe, Arroio Pavuna, Canal do Anil, Arroio Fundo, Rio das Pedras, Rio Itanhangá e Rio Cachoeira, todos são valões de esgoto.

Para o ambiente simplesmente não sobrou coisa alguma a não ser a degradação crescente e dessa forma, a baía de Guanabara continua a cloaca de sempre e o sistema lagunar, uma imensa latrina. Portanto, nada mudou.

Como devemos lidar com as políticas de habitação e ordenação do uso do solo numa cidade do porte do Rio de janeiro?

Afinal, não pagamos uma fortuna para que nossos legisladores criem leis que visem regular o uso do solo e demais providências? As cidades não dispõem de planos diretores? As cidades não dispõem de órgãos de fiscalização ou secretarias de habitação ou algo que diga respeito ao tema? O que está faltando para que toda essa estrutura cara e pesada funcione?

O problema é que no Rio de Janeiro, a regra se tornou exceção e a exceção virou regra, onde o errado virou certo e vice-versa, e quando a tragédia sócio-ambiental acontece, geralmente a culpa é da natureza que para se defender não dispõe de caros escritórios de advocacia, que no Brasil quase tudo podem e conseguem.

No Brasil, aliás estamos vendo uma revolta das águas. Acabamos de testemunhar um caso de reincidência de tragédias como em Brumadinho, poucos anos após Mariana. O que mais podemos esperar?

Podemos esperar mais tragédias anunciadas ou não anunciadas, pois como já disse, vivemos numa moderna colônia de exploração do século XXI, onde a certeza da impunidade é cristalina para os delinquentes ambientais vip, públicos e privados, fortemente ancorados no amplo, irrestrito e infinito direito de matar, degradar e recorrer, garantido por leis manipuláveis e batalhões de ótimos escritórios de advogados, muito bem relacionados, de um judiciário caro e lento, e finalmente de uma sociedade que apresenta uma doença “genético-cultural” que eu denomino de “resiliência patológica”, ou seja a capacidade de aceitar até o inaceitável.

A cidade do Rio de Janeiro corre o mesmo risco?

A cidade do Rio de Janeiro não corre risco, é um exemplo do risco que é gerado por décadas de falta de gestão socioambiental, onde problemas mais do que básicos como habitação e saneamento são empurrados com a barriga pelo poder público que muitas vezes se beneficia dessas demandas nunca sanadas, tanto politicamente como economicamente.

Destaco que em 33 anos trabalhando em questões de natureza ambiental, eu não tenho conhecimento da prisão de qualquer delinquente socioambiental, público ou privado, relacionado com os grandes problemas ou tragédias ambientais no estado do Rio de Janeiro.

Nem na baía de Guanabara durante os grandes vazamentos de óleo ocorridos em 1997 e em 2000 ou nos programas de recuperação ambiental que demandaram centenas de milhões de dólares sem ter alcançado qualquer objetivo ambiental significativo. Nem nas frequentes mortandades de peixes nas lagoas da cidade. Nem nos aterros de extensas áreas de manguezais no sul do Estado.

Simplesmente, ninguém parece ser culpado de coisa alguma e a degradação avança, a pilhagem dos recursos naturais avança, pilhas de leis que não servem para muita coisa na prática são geradas por um legislativo que normalmente não diz ao que veio e sem dúvida alguma rumamos para um futuro para lá de sombrio.

Qual a melhor estratégia, em âmbito nacional, para evitar esse tipo de tragédia?

1 — Aprender a votar, selecionando o que há de melhor ou menos pior.

2 — Aprender a cobrar das autoridades eleitas e das estruturas públicas que nos custam muito caro, a aplicação das leis, independente de quais interesses estejam envolvidos.

3 — Mostrar musculatura para o poder público, isto é, mobilização da sociedade diante das demandas historicamente proteladas por um tipo de classe política e demais castas mais preocupadas com seus problemas do que com as demandas de quem paga seus salários e mordomias.

4 — Mudar os hábitos culturais apáticos da sociedade que perpetuam a escória da política brasileira no poder e alimentam a degradação humana, econômica eambiental.

Infelizmente, não vejo numericamente muita gente em assumir essas sugestões e tão pouco com motivação para encampar essas ações na prática, portanto, no meu entendimento, continuaremos ladeira abaixo, colhendo novas tragédias, fruto de nossa apatia e da sociopatia das castas do poder público.

O acontecido, o volume das chuvas e os ventos, não foram previstas pelos sistemas de meteorologia. Isto seria consequência do aquecimento global ou descaso das autoridades, ou ambos?

Esta é uma questão que vai gerar mais polêmica do que efetivamente solução, pois filho feio não tem pai.

O radar meteorológico, segundo o que ouvi na imprensa, tem um alcance que atinge o município de Angra dos Reis, ou seja, aproximadamente 150 km de distância. A resposta de sua questão, gira em torno de quem estava monitorando a situação naquela quarta-feira e o que motivou a falta de ação dos responsáveis pelo monitoramento no sentido de emitir a tempo um alerta diante daquele quadro. Faltou protocolo diante daquela situação?

Lembro que alguns anos atrás, um ex-prefeito deu um alarme preventivo diante de previsões meteorológicas, pedindo que os cariocas voltassem mais cedo para a casa pois havia a possibilidade de fortes chuvas. As pessoas voltaram mais cedo para casa e a tal chuva torrencial não aconteceu. No dia seguinte esse ex-prefeito foi criticado e virou motivo de chacota na cidade.

Infelizmente a cultura nessa cidade é muito mal acostumada a um padrão climáticonormalmente previsível, mas que está mudando de comportamento e de humor numa velocidade muito rápida e que exigirá dos gestores públicos coragem para emitir alarmes diante da possibilidade de extremos climáticos, mesmo que as chuvas não venham a ocorrer. É preciso maturidade da sociedade diante dessa nova realidade que se apresenta.

Essa nova e provável realidade climática não admitirá erros e tão pouco medo com relação às previsões não materializadas.

Quanto ao aquecimento global, existe a turma da negação e a da convicção quanto quem está provocando tais mudanças. Não sou climatologista, mas sei de uma coisa, temos de uma forma quase que sistemática tido recordes de temperaturas elevadas ano após ano. Se a causa é natural ou gerada pelo homem, fato é que algo está mudando e muito mais rápido do que se pensava no final do século passado.

As áreas mais pobres e de encostas são, como se viu, as mais prejudicadas. É possível descolar a desigualdade social em que vivemos de tragédias deste porte?

É fato que as pessoas mais pobres vivem geralmente nos lugares mais vulneráveis. No entanto olhando para 2010 ou 1996, durante outras grandes chuvas que ocorreram no Rio de Janeiro, independente de ser rico ou pobre, os prejuízos se deram de forma “democrática” pois a Natureza desconhece qualquer discurso politicamente correto. Se estiver no lugar errado, sendo pobre ou rico será varrido pela água ou soterrado pela terra. Essa resposta democrática da Natureza está se tornando cada vez mais comum.

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