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PINGUELLI: POSTURA DO GOVERNO BOLSONARO COM MEIO AMBIENTE REMETE À DITADURA

Do 247, 30 de dezembro, 2018



Ex-presidente da Eletrobras e professor da UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa critica o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; "Ele acusa a mudança do clima de ser uma conspiração esquerdista. Lembra uma acusação do tempo da ditadura militar de que os críticos ao acordo nuclear do Brasil com a Alemanha, entre os quais me incluía juntamente com José Goldemberg e Rogério Cezar de Cerqueira Leite, participavam de uma conspiração judaico-comunista", compara

247 - Em artigo, o ex-presidente da Eletrobras e professor da UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, condena a postura do governo Bolsonaro em relação à pasta do meio ambiente. "A indicação do futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, agradou ao agronegócio e deixou preocupadas as ONGs ambientalistas", observa.
"Foi objeto de críticas, durante a 24ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP24), realizada em dezembro, na Polônia, a decisão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que levou o governo Temer a cancelar a realização no Brasil da Conferência do Clima da ONU em 2019 (COP 25)", alerta.

Ele diz que o Brasil "vinha mantendo uma atitude pró-ativa nessa área desde a Rio 92, ganhando forte prestígio internacional". "O Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima (FBMC), criado no governo Fernando Henrique, era presidido pelo próprio presidente da República. De algumas de suas reuniões participaram os presidentes Fernando Henrique, Lula e Dilma --mas jamais Temer. O FBMC teve influência importante na política climática brasileira, contando com a participação dos ministros do Meio Ambiente Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira".

"Pelo Acordo de Paris de 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir em 2025 suas emissões em 37% abaixo dos níveis de 2005, e em 47% em 2030. Mas, seguindo a linha equivocada de Donald Trump, Bolsonaro declarou a intenção de retirar o Brasil do acordo, desconsiderando os sucessivos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)".

O professor ressalta que "são preocupantes algumas declarações divulgadas pela mídia atribuídas ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, e a pessoas ligadas a ele. Entre elas, a que diz respeito à agenda modernizadora mundial do século 21".

"Seu ministro de Relações Exteriores acusa a mudança do clima de ser uma conspiração esquerdista. Lembra uma acusação do tempo da ditadura militar de que os críticos ao acordo nuclear do Brasil com a Alemanha, entre os quais me incluía juntamente com José Goldemberg e Rogério Cezar de Cerqueira Leite, participavam de uma conspiração judaico-comunista".

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