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O Globo localiza casa de motorista de Flávio Bolsonaro: não parece ser de quem movimenta R$ 1,2 milhão em um ano



Da Redação do Viomundo, 11 de Dezembro, 2018


Os repórteres Juliana Castro e Igor Mello, de O Globo, localizaram a casa onde vive o ex-motorista do então deputado e agora senador eleito Flávio Bolsonaro.

Fica Taquara, na zona Oeste do Rio de Janeiro, e parece bem simples.

O Conselho de Controle das Atividades Financeiras, COAF, ao investigar assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para a Operação Furna da Onça, disse em relatório (ver abaixo) que Fabrício Queiroz apresentou movimentações “atípicas” em sua conta bancária.

“Na viela onde Queiroz mora com a mulher, Márcia Aguiar, os imóveis são colados uns aos outros. No beco há varais improvisados do lado de fora das casas, fios emaranhados e canos aparentes. Na casa de Queiroz, um adesivo rasgado com as fotos do presidente eleito Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, vereador no Rio, está colado na fachada. No segundo andar, que tem a laje sem revestimento, tapetes secavam no parapeito ainda sem janela. No portão que dá acesso ao conjunto de aproximadamente 70 casas, distribuídas em uma rua mais larga e vielas, há um aviso de que a área é monitorada 24 horas”, escreveram os repórteres.

Segundo o relatório do COAF, Queiroz recebeu depósitos de outros oito funcionários e ex-funcionários de Flávio Bolsonaro.

A mulher e duas filhas dele trabalharam para a família Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio e no Congresso Nacional.

Queiroz e a filha Nathalia Melo de Queiroz, que trabalhava com Jair Bolsonaro em Brasília, deixaram seus cargos no mesmo dia, depois que foi deflagrada a Operação Furna da Onça.

Chamou a atenção do COAF uma sequencia de saques em dinheiro feitas por Queiroz entre 23 de janeiro e 15 de março de 2017: R$ 49 mil, em 9 saques de R$ 5 mil e um de R$ 4 mil.

Foram dois saques por dia, o que indica que Queiroz poderia ter tido a intenção de fracionar as retiradas, com o objetivo de não chamar a atenção das autoridades.

O Ministério Público não informou a O Globo se Queiroz está sob investigação, mas funcionários de Flávio Bolsonaro estão juntando documentos para esclarecer o caso, segundo o chefe de gabinete informou ao diário conservador carioca.

Apoiadores de Bolsonaro dizem que Queiroz terá de explicar a origem de R$ 600 mil, já que o R$ 1,2 milhão citado no relatório refere-se a débitos e créditos na conta.

Como servidor da Alerj, Queiroz ganhava R$ 23 mil mensais.

No relatório do COAF, um dos fatos mais notáveis é que Nathalia, a irmã Evelyn e a mãe Márcia, esposa do motorista, enquanto funcionárias da família Bolsonaro, transferiram mais de R$ 95 mil reais para a conta do pai — o que não faz sentido, a não ser que ele funcionasse como um caixa da família Bolsonaro.

Fabrício Queiroz, o motorista, depositou R$ 40 mil na conta da futura primeira dama, Michelle Bolsonaro. O presidente eleito diz que foi pagamento de um empréstimo e que recebeu o dinheiro na conta da esposa por não ter tempo de ir ao banco.

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