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MST alfabetiza 900 pessoas em Minas Gerais

Do Diario do Centro do Mundo,  25 de dezembro de 2018
Por Agatha Azevedo



“Você também sempre nos falava que essa ousadia só foi possível porque Fidel Castro e o Povo Cubano não tinham medo de resolver os problemas, por mais difíceis que fossem. E essa ousadia atravessou oceanos. O “Sim, eu posso!” alcançou 28 países. Alfabetizou mais de 8 milhões de pessoas. No Brasil, através dos esforços de alguns estados e do compromisso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, o programa foi desenvolvido e ainda se desenvolve nos estados do Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Alagoas, Piauí e em várias outras experiências locais. Ah, Leonela! Você iria adorar ir a cada um desses lugares, escutar as histórias desse povo. As músicas, os poemas, os desenhos e as letras que se criaram. É o verdadeiro cultivo da liberdade que se experimenta ao conhecer e se apaixonar pelas letras.”

O trecho acima foi retirado da carta de Juliana Bonassa, do Coletivo de Cultura do MST, à Leonela Relys, responsável pela criação do método de alfabetização “Sim, eu posso!”

Foram 10 meses de aulas, entre o método de alfabetização cubano ‘Sim, eu posso!’ e os ‘Círculos de Cultura de Paulo Freire’, que serviram para aperfeiçoar a leitura e a escrita de 900 pessoas em oito municípios de Minas Gerais.

Neste período, a Brigada Leonela Relys, composta em sua maioria por militantes do MST e de movimentos populares, desafiou-se e chegou em regiões onde o direito à educação foi tantas vezes negligenciado.

O MST ousou ao propor para o Governo do Estado através da Secretaria de Educação e para a Fundação Helena Antipoff, a Jornada Mineira de Alfabetização, que levaria brigadistas alfabetizadores para os municípios de Montes Claros, Tumiritinga, São Joaquim de Bicas, Itatiaiuçu, Novo Cruzeiro, Almenara, Ibirité e Teófilo Otoni.

Desde então, os desafios foram muitos. Turmas distantes, falta de estrutura, deslocamento de militantes, como é o caso de muitos educadores e educadoras que mudaram de região em Minas Gerais para reviver a Jornada de Alfabetização da Revolução Cubana e cumprir a missão de ajudar na busca por conhecimento para tantos brasileiros.

Para a coordenadora do Núcleo de Teófilo Otoni, Maria José, foi com essa mística que projeto resistiu até o fim. Ela ressalta que apesar dos desafios ninguém desanimou: “Os princípios da educação popular, a alegria, solidariedade, resistência e luta, foram inspirações em toda essa jornada”.

E foi nesse clima de solidariedade e dever cumprido, que os oito municípios do projeto realizaram as suas formaturas locais com mística e alegria. Ao todo, mais de duas mil pessoas participam deste momento, entre formandos e formandas, familiares, equipe pedagógica e política do projeto.

“Foram momentos de muita emoção nas formaturas regionais, alguns alunos levaram até as identidades antigas e as identidades novas com as assinaturas dos nossos educandos que aprenderam a ler e escrever”, disse.

Em meio ao cenário complexo que virá no próximo ano, o MST se vê mais uma vez com a responsabilidade de continuar lutando para que a educação chegue para todos e todas, e para que os sujeitos que aprenderam a ler, também possam interpretar o mundo. E assim sendo, construí-lo e reconstruí-lo de uma maneira mais solidária e em harmonia com a natureza.

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