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Acervo do Museu Nacional era também ligado à história dos índios

Do GGN, 3 de Agosto, 2018
por Augusto Diniz


Atenção àqueles que viraram a noite lamentando nas redes sociais o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas passam dias a fio republicando a groselha de Jair Bolsonaro. O acervo irrecuperável desse centro científico também consta vasto material ligado aos povos indígenas, os mesmos que o candidato costuma atacar.
O mais antigo fóssil humano encontrado no País, batizado de “Luzia”, estava lá. No prédio histórico guardava-se o maior meteorito encontrado no Brasil. Uma coleção de múmias egípcias ocupava um dos salões do palácio.

Além disso, inúmeras peças da Família Real em sua posição original, quando ela habitava o prédio, tinham dedicado espaço – ficavam na fachada principal da instituição, no seu segundo piso, com vista maior para a Quinta da Boa Vista.

O Museu Nacional tinha uma diversidade incomum, para um País marcado por centros desse tipo mais especializados.

Mas eram nas galerias laterais do segundo piso, que encontrava-se um impressionante acervo deste museu ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tratava-se da história dos povos indígenas que ocuparam o continente e o País.

O sem número de adornos, trajes, utensílios e imagens dos diferentes grupos étnicos que viviam no País – ou que ainda resistem até hoje - no período colonial, descortinava o que de fato se caracterizava o Brasil quando aqui chegaram os portugueses.

No mesmo andar, mas nas galerias do lado esquerdo, inúmeras peças ameríndias e da fase pré-colombiana também ficavam lá expostos.

Tratava-se do trecho do Museu Nacional aos olhos dos estrangeiros do que tinha de original na instituição - e talvez o que ele jamais tivesse conhecimento se não se dirigisse para lá, para aquela antiga edificação localizada na Zona Norte de uma das únicas cidades brasileiras onde parte expressiva dos estrangeiros que por aqui chegam, fica hospedada.

Para os brasileiros, os relatos acompanhados aos objetos indígenas exibidos davam dimensão exata do papel do índio na formação brasileira, sua ocupação territorial, sua cultura, seu legado. Uma aula de história viva e rara.

Esse talvez tenha sido uma das grandes perdas – dentre tantas outras - do importante acervo do Museu Nacional, em um momento em que precisamos reaprender os valores históricos do País.

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