Pages

G20 sob alta tensão com reunião entre Trump e Xi Jinping

A previsão é que os líderes dos EUA e da China conversem em um 'jantar de trabalho' na noite deste sábado 1º.


Da Carta Capital, 01/12/2018
Por Mauricio Rabuffetti

por AFP* — publicado
Juan Mabromata / AFP
Membros do G20 se preparando para a foto oficial do encontro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se reúnem neste sábado 1º em Buenos Aires, à margem do G20, a fim de negociar uma trégua comercial. Sob os olhares atentos dos mercados e governos, os líderes das duas maiores economias mundiais, cuja guerra tarifária começa a pesar sobre o crescimento global, previram um "jantar de trabalho" ao final do dia.

Ao exigir que Pequim acabe com as práticas comerciais, Trump impôs tarifas que chegaram a 300 bilhões de dólares, incluindo 250 bilhões de dólares sobre produtos chineses, e afetaram as importações de aço e alumínio de outros países.

Leia mais:
Peripécias do globalismo
Acordo entre Mercosul e UE depende de Bolsonaro, diz Macron
Presença do Brasil no G20 é irrelevante à espera do que fará Bolsonaro

A China, não demorou a reagir com medidas recíprocas, o que alimentou a "guerra comercial" que os analistas temem que possa atingir a economia mundial.

A próxima série de aumentos está prevista para 1º de janeiro, quando as tarifas dos Estados Unidos sobre as importações chinesas no valor de 200 bilhões de dólares podem subir de 10% a 25% se os dois gigantes não chegarem a um acordo.

Déficit em alta

Há anos, os Estados Unidos acusam a China de manipular sua moeda, o yuan, para tornar seus produtos mais competitivos. Com a chegada de Trump à Casa Branca e suas medidas protecionistas - além dos embates travados em fóruns multilaterais -, o governo americano passou da retórica à ação.

Apesar das decisões de Washington, o déficit comercial com a China continua a aumentar, o que dá argumentos ao presidente para se posicionar de forma ainda mais dura. Em setembro, o ele alcançou um nível recorde, totalizando 54 bilhões de dólares no vermelho - 37 bilhões corresponde ao comércio com a China.

No acumulado anual, o déficit comercial americano cresceu 10,1%, a 445 bilhões de dólares, segundo dados do Departamento do Comércio.

Antes de deixar Washington, o presidente americano disse ver "bons sinais" nas relações comerciais entre os dois países. Mas também se mostrou reticente a um acordo nas últimas horas. "Acho que estamos muito perto de fazer algo com a China, mas não sei se quero fazê-lo", disse Trump.

Em seu discurso em Buenos Aires, o presidente chinês dirigiu uma clara mensagem a Trump: os membros do G20 devem "se comprometer com a abertura e a cooperação e apoiar o sistema comercial multilateral". "Em seis meses, o número de novas medidas restritivas ao comércio aplicadas pelos membros do G20 duplicou", apontou, ressaltando ser necessário um diálogo entre os países "para alcançar um progresso gradual.

Homenagem a Bush 'pai'

No início do segundo dia da cúpula, a notícia da morte do ex-presidente americano George H. W. Bush, aos 94 anos, uniu os líderes do G20 em torno de sua figura.

Trump elogiou sua "liderança inabalável" durante o fim da Guerra Fria e o presidente francês Emmanuel Macron destacou "seu apoio inabalável à aliança com a Europa". Ele também foi elogiado pela primeira-ministra britânica Theresa May, que se referiu ao ex-chefe de Estado americano como "um exemplo para todos nós".

Embora o G20 seja um fórum de discussão e não um órgão decisório, as divisões entre seus membros tornaram-se especialmente visíveis este ano.

Trump suspendeu uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, depois de tensões entre a Rússia e a Ucrânia, resultantes da apreensão pelas forças russas das tripulações de três navios militares ucranianos na costa da Crimeia.

A reunião foi suspensa também em meio a polêmica nos Estados Unidos por novas revelações na investigação de uma suposta interferência da Rússia na campanha presidencial americana de 2016. O presidente dos EUA reiterou sua inocência.

No centro das atenções também está o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salmanpelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. A justiça argentina iniciou uma investigação - que dificilmente terá consequências - sobre este caso, a pedido de organizações de direitos humanos.

E embora na abertura da cúpula o presidente argentino Mauricio Macri tenha feito um apelo ao "diálogo", a verdade é que poucas decisões são esperadas neste G20 de improvável consenso, o primeiro a ser realizado em solo sul-americano em 10 anos de existência.

Em um primeiro esboço consultado na segunda-feira pela AFP, um dos pontos mencionados é o aquecimento global, antes da conferência climática COP24, em 2 de dezembro, na Polônia.

*Leia mais em AFP

Nenhum comentário:

Postar um comentário