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MP pede que Aécio devolva R$ 11,5 milhões por voos injustificados

O valor corresponde a mais de 1,3 mil deslocamentos aéreos feitos pelo ex-governador tucano durante os seus dois mandatos, de 2003 a 2010.
Da Carta Capital, 24 de novembro, 2018

por Redação — publicado 24/11/2018 05h32

Jefferson Rudy/Agência Senado/Fotos Públicas

A assessoria de Aécio Neves qualifica como “incompreensível” a relação de voos mencionados pelo MP

O Ministério Público de Minas Gerais ingressou na Justiça com uma ação civil na qual solicita que o ex-governador Aécio Neves devolva 11,5 milhões de reais gastos em mais de 1,3 mil voos sem justificativas. Eleito deputado federal pelo PSDB nas últimas eleições, o tucano administrou o estado por dois mandatos, de 2003 a 2010.

O valor, corrigido, refere-se ao que foi gasto durante o período com o suposto uso irregular das aeronaves oficiais em benefício próprio e “sem comprovação de necessidade de satisfação do interesse público”.

Entre os voos sob suspeição, há 116 deslocamentos para o aeroporto no município de Claudio, em Minas Gerais, construído pelo governo do estado em um terreno de seu tio-avô, Múcio Tolentino, desapropriado pelo poder público. Outro destino frequente era o Rio de Janeiro, para onde foram realizados 138 deslocamentos aéreos.

O Ministério Público solicitou, em caráter liminar, o bloqueio de bens do tucano até o valor equivalente ao montante a ser ressarcido. Segundo a denúncia, boa parte dos deslocamentos foram realizados para o transporte de passageiros não identificados no momento dos voos.

“A circunstância, por si só, não se harmoniza com a alegação, encetada pela defesa na fase inquisitiva, de que a finalidade dos voos tinha o objetivo de garantir a segurança do requerido na qualidade de então chefe do Executivo”, diz um trecho da ação.

O valor solicitado corresponde aos gastos com combustível, manutenção das aeronaves e remuneração de tripulação, conforme descrito em perícia que instruiu o inquérito. Para o MP, a prática adotada pelo ex-governador configura ato de improbidade administrativa.

Por meio de nota, a assessoria de Aécio Neves qualifica como “incompreensível” a relação de voos mencionados pela Promotoria, pois lista praticamente todos os deslocamentos aéreos feitos pelo então governador durante os seus dois mandatos. A defesa garante que será comprovada a legalidade de todos os voos.

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