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Manifesto do "Partido dos Professores do Brasil"

Fatos históricos devem ser abordados em aulas de história, assim como a geometria deve ser abordada em aulas de matemática.
Da Carta Capital,  30/11/2018 

por Darlan Ramos de Oliveira 

Tânia Rego/ABr

Professores brasileiros, uni-vos.

Filmam-nos em nossas salas de aula. Todavia, é coerente com o propósito da vigilância que nos filmem em reuniões de pais, sem pais. Fazendo vossos papéis ao ouvirmos desabafos de vossos filhos após as aulas. Orientando-os a tomarem um rumo na vida; e fazendo vaquinha para levarmos vossos filhos a excursões pedagógicas.

Também é coerente que nos filmem completamente roucos, após um dia inteiro de aulas; comprando do bolso canetas de quadro branco, gizes, apagadores e papeis para trabalharmos; preparando aula e corrigindo provas aos finais de semana; apanhando de policiais em manifestações legítimas de reposição salarial. Desenvolvendo depressão após anos de labuta.

Ah, e não olvidem em filmar também os alunos colando nas provas; nossos contracheques; as birras e malcriadezas de vossos filhos pelas quais somos obrigados a aturar durante todo ano letivo.

As crianças são expostas a diversas visões de mundo, idiossincraticamente, ao longo da sua formação. Isso não significa, contudo, que elas deixarão de fazer suas próprias escolhas ao longo da vida.

Fatos históricos devem ser abordados em aulas de história, assim como a geometria deve ser abordada em aulas de matemática e a concordância verbal, em aulas de português.

Sabemos exatamente o que temem. Que abordemos uma das formas de economia idealizada por um certo pensador alemão, Karl Marx e pai do tal comunismo. Abordamos Marx assim como abordamos Adam Smith, Adolf Hitler, Martin Luther King, George Bush, Carlos Marighella ou Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Ainda que não estivéssemos bem longe do marxismo , tal metodologia de ensino é amparada pelo art. 206, incisos II e III da Constituição Federal: Art. 206 da CF: "O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas (...)".

Se há um lugar onde não deveria - sob argumento algum - haver manifestações de cunho político, este local são as igrejas. Porquanto os fiéis que as procuram buscam, unicamente, paz espiritual e restauração de dramas pessoais. Eles estão sob forte predisposição em acreditarem no que ouvem pelos seus líderes.

Pregar sermões de cunho político-religioso é prática não apenas filmada como incentivada, especialmente por pastores evangélicos como Silas Malafaia, José Wellington, Edir Macedo, R. R. Soares, entre muitos outros.

“Nós já temos nossos representantes na Assembléia Legislativa, aqui em São Paulo, e na Câmara Federal, lá em Brasília, e o nosso desejo é que eles retornem a essas casas. E logicamente serão levados por nós. O Paulo está lembrando aqui que é até às dezessete horas que é para votar”, disse, aos risos, o pastor da Assembleia de Deus José Wellington, fazendo referência ao número de Jair Bolsonaro.

Não se vê, em sala de aula, tal abuso de poder econômico como prevê a Lei 9.504, de 1997; onde diz, categoricamente, que "é proibido fazer propaganda eleitoral nos bens de uso comum”. E a Igreja, assim como a escola, são consideradas pelo STF como "bens de uso comum".

Tampouco, as igrejas pagam impostos, diferentemente das escolas privadas. No Congresso há, inclusive, a bancada evangélica. Antes houvesse a bancada dos professores, o Brasil ganharia muito mais, sem a menor sombra de dúvidas.

Cada um tem o seu papel importante na sociedade, e, ao professor, cabe ensinar.

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