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HISTORIADORA FRANCESA: MST E MTST SERÃO DECLARADOS TERRORISTAS POR BOLSONARO



Do 247, 4 de Novembro, 2018



A historiadora francesa Maud Chirio, que pesquisa a direita brasileira, não considera razoável a ideia de que Bolsonaro vá moderar seu discurso ao chegar ao Planalto e manifesta seu ceticismo em relação ao equilíbrio entre Poderes em seu governo; ela faz um prognóstico sombrio, com todas as letras: a partir de 3 de janeiro, MST e MTST serão declarados organizações terroristas o PT pode ser interditado; "só não vê quem não quer", ela diz

247 - A historiadora francesa Maud Chirio, que pesquisa a direita brasileira, não considera razoável a ideia de que Bolsonaro vá moderar seu discurso ao chegar ao Planalto e manifesta ceticismo em relação ao equilíbrio entre Poderes em seu governo. Ela faz um prognóstico sombrio, com todas as letras: a partir de 3 de janeiro, MST e MTST serão declarados organizações terroristas e, em fevereiro, o PT poderá ser interditado. "Só não vê quem não quer", ela diz.

O jornalista Lucas Neves fez uma entrevista com a historiadora francesa para o jornal Folha de S. Paulo. O prognóstico dela é sombrio: "para Chirio, no dia 3 de janeiro do ano que vem, o MST e o MTST serão declarados organizações terroristas e, no começo de fevereiro, o PT será interditado. 'Haverá também um expurgo na administração pública, que já está em preparação. Só não vê quem não quer'."

A historiadora reitera duvidar da capacidade de Legislativo, Judiciário e imprensa de servirem de contrapeso a eventuais abusos autoritários do militar da reserva e alerta para a afinidade de Bolsonaro com a ala linha-dura do regime que vigorou no Brasil de 1964 a 1985.

Ela diz: "ele representa um segmento que sempre rejeitou a República decorrente da Constituição de 1988 e sua apologia da diversidade étnica, religiosa e do pluralismo. Não há razão para acreditar que ele pense diferente".

Ela se mostra pessimista e temerosa pela democracia brasileira e fala a respeito do medo que há internacionalmente em relação ao governo de ultradireita no Brasil: "ele aumentou, por causa da natureza das reações de uma parcela de eleitores de Jair Bolsonaro. Minha inquietude se apoia em alguns elementos. Em primeiro lugar, em itens do discurso do agora presidente eleito sobre o respeito ao pluralismo político. Grande parte de sua fala é norteada pela [ideia de] repressão violenta da oposição de esquerda --das menções a exílio forçado e prisão até a alusão a agressões físicas e eliminação definitiva de adversários. E não são excessos pontuais, deslizes, mas, sim, uma retórica recorrente a indicar que ele não aceitará a sobrevida política de uma oposição de esquerda, o que já basta para caracterizar como não democrático o regime que vai se instaurar em janeiro de 2019".

Ela complementa: "em segundo lugar, há o fato de o discurso repressivo de Bolsonaro se estender a outros setores da sociedade, aos quais é negado o direito à diferença. Isso é muito claro com os homossexuais e com os índios --estes, ao que tudo indica, para "virarem brasileiros", vão ser destituídos de suas especificidades, sofrendo com a supressão de reservas e com a rédea solta para o agronegócio, o que resultará provavelmente em massacre. Ou seja, há uma rejeição da diversidade política e social do país --o que, a meu ver, caracteriza uma sociedade autoritária".

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