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Anúncio de Mozart Ramos para a Educação gera crise na base bolsonarista

A bancada evangélica não aprova o nome do executivo do Instituto Ayrton Senna, que seria defensor da "ideologia de gênero". O convite fica em suspenso
Da Carta Capital, 21 de novembro, 2018

por Redação publicado 21/11/2018 17h09
Instituto Ayrton Senna
Ramos foi secretário de Educação de Pernambuco
*Atualizado às 6h50 de 22/11/2018 para acréscimo de informações

A escolha de Mozart Neves Ramos, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna, para liderar o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro parece não ter agradado a bancada evangélica. A confirmação do pernambucano como o futuro titular da pasta deveria ocorrer nesta quinta-feira 22, mas o presidente eleito pode recuar da nomeação.

Ramos não parece inclinado a embarcar na tese do Escola Sem Partido, a julgar por declarações anteriores. Em entrevista a um jornal nordestino, ele defendeu a inovação nas salas de aula em prol do pensamento crítico.

“Contribuir para desenvolver o pensamento crítico dos alunos demanda um enorme esforço”, afirmou. “Para isso aterrissar na sala de aula, no chão da escola, vai ser necessária uma nova arquitetura da sala de aula, para que uma nova escola dialogue com o novo mundo e mudanças profundas”.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o perfil moderado de Mozart e o seu não alinhamento ao Escola Sem Partido são razões para a rejeição pela bancada evangélica. Há pressão para que o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora, seja nomeado para a pasta.

No Twitter, Bolsonaro disse que "até o presente momento não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação".

Ramos foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco, secretário de Educação do governo do estado entre 2003 e 2007 e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Engenheiro químico, pós-doutorado na Itália, pode ser o primeiro nordestino a integrar o escalão superior da futura administração Bolsonaro. Foram anunciados até o momento 11 ministros.

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O executivo chegou a ser sondado por Michel Temer para assumir o MEC logo após a derrubada de Dilma Rousseff, mas recusou o convite com o argumento de “estar feliz” no Instituto Ayrton Senna. “Eu não quero ser ministro. Posso fazer mais pela Educação de onde estou agora”, declarou na ocasião.

Um dos autores do liberal Instituto Millenium, Ramos criticou a desvinculação e o congelamento de verbas para a saúde e educação provocados pela PEC do Teto do Gasto, aprovado no primeiro ano de Temer no poder. Igualmente criticou a fusão dos ministérios de Educação e da Cultura.

Ideólogo do bolsonarismo, o astrólogo Olavo de Carvalho criticou a indicação. “Mozart Ramos cotado para o MEC é palhaçada”, escreveu no Facebook. Segundo Carvalho, o futuro ministro seria favorável à “ideologia de gênero”, um moinho de vento ardorosamente combatido pelos apoiadores mais fanáticos do futuro presidente da República.

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