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Karl Marx, 200 anos. Do capitalismo industrial às lógicas do mundo em rede



Do IHU, 02 Agosto 2018 

Por: João Vitor Santos 



A revista IHU On-Line abre o segundo semestre de 2018 com a publicação da edição 525, que retoma o pensamento de Karl Marx nesse ano em que se lembra os 200 anos de seu nascimento. Intitulada, Karl Marx, 200 anos - Entre o ambiente fabril e o mundo neural de redes e conexões, a proposta é pensar na atualidade desse pensador que marcou a teoria política, econômica e social do século XX. Para muitos pesquisadores, a volta às produções marxianas pode ser importante para compreender não só como o capitalismo eclode na sociedade moderna, mas como vai se transformando e engendrando novas e profundas transformações como a que vivemos atualmente.

Acesse o sítio da IHU On-Line e leia a revista, disponível em HTML, PDF e em versão para folhear.

Revista IHU On-Line, número 525

Entre o ambiente fabril e o mundo neural de redes e conexões

Nesse exercício de pensar Marx diante dos desafios do século XXI, os entrevistados analisam como a gênese do seu pensamento, gestado num contexto fabril da 1ª Revolução Industrial, ainda pode servir de inspiração para refletir acerca da 4º Revolução Industrial, que vai muito além dos computadores, chegando ao mundo das redes neurais de inteligência artificial.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo considera equivocado afirmar que o pensador se limitou a olhar o capitalismo inglês do século XIX, quando, na verdade, desvelou a dinâmica do capital.

Nesse contexto, o cientista político alemão Michael Heinrich está lançando uma biografia de Marx que, para ele, não se limita apenas a uma visão de mundo. O pesquisador compreende as concepções marxianas como algo em processo, que não fornece respostas prontas, mas que inspira a construir caminhos para compreensão da realidade.

Michael Löwy, diretor de pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS, de Paris, defende a atualidade de Marx, reconhecendo que a ortodoxia na interpretação dos escritos do filósofo limita a compreensão dos problemas atuais e reduz a potência de seu pensamento.

José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador da Escola de Ciências Estatísticas do IBGE, destaca a atualidade da obra de Marx para crítica do capitalismo e, especialmente, das denúncias das desigualdades do mundo. Reconhece que é necessário fazer atravessamentos na obra, pois acredita que o marxismo já nasceu desatualizado no que se refere à relação entre a humanidade e a natureza.

Marcelo Carcanholo, professor de Economia da UFF, compreende que Marx foi quem melhor conseguiu observar as determinações do capitalismo.

General intellect é uma das importantes categorias de Marx. Yann Boutang, professor de Ciências Econômicas na Université de Technologie de Compiègne - Sorbonne Universités, na França, retoma essa categoria e analisa as transformações nos modos de produção de hoje.

Marildo Menegat, professor da UFRJ, analisa o impacto destrutivo do capitalismo no contexto da chamada Revolução 4.0, em que a tecnologia assume grande protagonismo. Para ele, o marxismo fornece um instrumental pertinente para observar essa realidade.

Andrea Fumagalli, professor da Università di Pavia, Itália, destaca o pioneirismo de Marx ao conceber a economia como uma ciência que vai muito além de análise numérica. Para ele, é nisso que consiste a atualidade. Segundo ele, “o General Intellect está se transformando em General Life”.



Marx e a esposa, Jenny | Foto: Wikipédia

O filósofo e ensaísta alemão Anselm Jappe se debruça na reflexão sobre a ideia de “fetichismo” e demonstra como o conceito é válido para pensar acerca das crises do presente. “A teoria do fetichismo permite explicar, entre outras coisas, um fenômeno que Marx ainda não podia conhecer bem: a crise ecológica”, aponta.

O socialismo pensado por Marx não é o mesmo que poderia ser concebido hoje. Mas, para Carlos Eduardo Martins, da UFRJ, a leitura do pensador contribui para a reinvenção do socialismo no século XXI.

Em artigo, Jose Arthur Giannotti, professor emérito da USP, destaca que a esquerda está ferida. Para ele, o remédio para cicatrizar os ferimentos passa pela retomada das ideias marxianas.

Por fim, o professor Ruy Fausto, em perspectiva política similar, observa que a esquerda no mundo todo está em crise. Para ele, revisitar os conceitos marxianos pode ser um caminho para conceber saídas e uma outra política para esquerda mundial e, em especial, a brasileira.

Outros conteúdos

A edição 525 ainda traz ainda entrevistas com o professor de História da Religião e professor de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade de Villanova, Filadélfia, EUA, Massimo Faggioli, que destaca os movimentos do papa Francisco no cenário geopolítico contemporâneo; com o jurista José Carlos Moreira da Silva Filho, que repercute a condenação do Brasil em corte internacional pela morte de Vladimir Herzog; e o artigo de Anselmo Otavio sobre a política externa da África do Sul.

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