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Chomsky, Prashad, Hedges e outros destacados intelectuais: desnuclearizem o Oriente Médio


Créditos da foto: Os responsáveis pelas decisões políticas dos EUA, assim como os líderes políticos israelenses, precisam repensar suas estratégias políticas, militares, econômicas e culturais na região (Erich Ferdinand/flickr/cc)

Os responsáveis pelas decisões políticas dos EUA, assim como os líderes políticos israelenses, precisam repensar suas estratégias políticas, militares, econômicas e culturais na região



Do El Alto, 1 de Agosto, 2018
Por Noam Chomsky, Vijay Prashad, Chris Hedges, Common Dreams



O Oriente Médio encontra-se agora em uma situação turbulenta, possivelmente estando novamente à beira de uma grande guerra que poderia envolver os Estados Unidos e a Rússia.

O presidente Donald Trump tirou os Estados Unidos do acordo nuclear de seis nações com o Irã, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global ou JCPOA.
Apesar de alguns de seus conselheiros terem-no aconselhado a não sair do acordo, ele trouxe a seu gabinete conselheiros que são conhecidos por serem linha-dura em relação ao Oriente Médio e preferirem na região mudanças de regime a reformas de regime.

O mais conhecido desses conselheiros é John Bolton, designado como diretor da Agência de Segurança Nacional. Suas políticas são bastante alinhadas àquelas do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que reprovou o acordo nuclear com o Irã desde o início.

Em 14 de maio deste ano, Israel celebrou o 70º aniversário de sua existência. Ele obteve extraordinário sucesso militar contra seus vizinhos árabes em 1948, 1956 e 1967, e após sofrer um contratempo no início da guerra de 1973 contra o Egito e a Síria, o exército israelense cruzou o canal de Suez e esteve em posição de ameaçar as capitais do Egito e da Síria e seus diversos centros populacionais.

Ainda assim, apesar de sua capacidade militar inigualável no Oriente Médio, suas fortes instituições culturais, sua capacidade tecnológica e seu alto padrão de vida em comparação com os outros Estados da região, Israel negociou acordos de paz somente com o Egito e a Jordânia.

O governo dos Estados Unidos proporcionou imenso apoio financeiro e militar para Israel, assim como também o fizeram muitos cidadãos estadunidenses e empresas estadunidenses. O Comitê de Ação Política Estadunidense-Israelense é um dos grupos de pressão mais fortes dos Estados Unidos, no mesmo nível de lobbies corporativos e da Associação Nacional de Rifles.

A decisão recente do governo estadunidense de trasladar sua embaixada para Jerusalém, tomada sem tirar-se nenhuma concessão do governo de Israel e sem o apoio de seus aliados europeus, deixa claro o apoio do governo estadunidense ao Estado de Israel.

Igualmente importante e distintamente relacionado, e talvez algo tão sério quanto as tensões entre Irã e Israel, é a presença de soldados israelenses na Margem Oeste do Rio Jordão (Cisjordânia), com sua densa população palestina.

O exército israelense ocupa militarmente esta região há cinco décadas, fazendo com que esta seja uma das mais longas ocupações militares dos tempos modernos.

O Estado israelense usou seu poder nesta área para negar o estatuto de Estado aos palestinos, para oprimir a população palestina, para desapropriar os palestinos de casas e terras, e estabeleceu uma substancial população colonizadora, fortemente comprometida com a anexação destes territórios.

Os responsáveis pelas decisões políticas estadunidenses, assim como os líderes políticos israelenses, precisam repensar suas estratégias políticas, militares, econômicas e culturais na região.

Se Israel mantiver seu exército na Cisjordânia e continuar, com o Egito, a isolar Gaza do mundo externo, certamente Israel será considerado responsável pelo bem-estar das populações palestinas. Irá implementar políticas típicas de apartheid.

As elites políticas estadunidenses e coreanas consideraram a desnuclearização da península coreana. Uma política do tipo, ou seja, a desnuclearização do Oriente Médio, não seria algo que valeria a pena ser implementado e um primeiro passo importante em direção à resolução das tensões crescentes na região?

Até o momento, os israelenses, possuindo, de acordo com algumas fontes, 150 ogivas nucleares e recusando-se a assinar o acordo de não-proliferação nuclear ou permitir que a Agência Internacional de Energia Atômica realize inspeções em suas instalações, alegam que Israel nunca será o primeiro a introduzir armas nucleares na região.

Apesar dos iranianos não terem alegado que seu programa nuclear seja uma resposta à presença de armamentos nucleares em Israel, certamente este deve ser um fator contribuinte.

Já é hora de que aqueles de nós que estejamos interessados na paz do Oriente Médio e no mundo façamos nossas vozes serem ouvidas. Fazemos um chamado para que outros apoiem políticas que favoreçam a desnuclearização do Oriente Médio e uma solução justa e imparcial para a disputa árabe-israelense.

Esta declaração originou-se na Universidade de Princeton através de conversas envolvendo Arno J. Mayer, Stanley J. Stein e Robert L. Tignor, todos professores aposentados do departamento de história da Universidade de Princeton.

Signatários:

Abdel Aziz Ezz el-Arab (Universidade Americana no Cairo)

Joel Beinin (Universidade de Stanford)

Noam Chomsky (MIT)

Richard Falk (Universidade de Princeton e a Universidade da Califórnia em Santa Barbara)

Khaled Fahmy (Universidade de Cambridge)

James Gelvin (UCLA)

Israel Gershoni (Universidade de Tel Aviv)

Molly Greene (Universidade de Princeton)

Alain Gresh (ex-editor do Le Monde diplomatique e editor-geral do Orient XXI)

Chris Hedges (ex-chefe do Escritório do Oriente Médio do The New York Times)

Yoram Meital (Universidade Ben Gurion no Neguev)

Ralph Nader (cidadão público)

Ilan Pappe (Universidade de Exeter)

Vijay Prashad (diretor do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social)

Roger Owen (Universidade de Harvard)

Cyrus Schayegh (Universidade de Genebra)

Taqadum Al-Khatib (Universidade Livre de Berlin), e Michael Wood (Universidade de Princeton)

A maioria dos signatários realiza pesquisa e ministra cursos sobre o Oriente Médio moderno.

*Publicado originalmente no Common Dreams | Tradução de Nicolas Chernavsky

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