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OCDE alerta para estagnação salarial

Créditos da foto: Paulete Matos
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico alerta para o facto de a estagnação salarial atingir desproporcionalmente os países mais afetados pela crise e também os trabalhadores com salários mais baixos


Da Carta Maior, 5 de Julho, 2018
Por Esquerda.net



A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reconhece as melhorias no crescimento e na diminuição do desemprego, que se aproximam dos valores anteriores à crise económica, mas alerta para uma estagnação sem precedentes nos níveis salariais.

De acordo com o relatório “Perspetivas de Emprego”, da OCDE, ao qual a agência Lusa teve acesso, a estagnação salarial atinge sobretudo os países mais afetados pela crise e os trabalhadores precários que passaram recentemente por períodos de desemprego.

“A menos que os países quebrem este ciclo, a recuperação vai ser prejudicada e aumentará a desigualdade do mercado de trabalho”, lê-se no estudo.

Os dados compilados no estudo indicam que a taxa de emprego na população entre os 15 e os 74 anos alcançou os 61,7% na média dos países membros no final do ano de 2017, fazendo com que pela primeira vez haja mais empregos do que antes da crise, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego está também a alcançar mínimos históricos.

“A taxa de emprego deverá chegar aos 62,1% este ano e atingir os 62,5% no quarto trimestre de 2019”, sendo que é entre os trabalhadores de idade mais avançadas, mulheres trabalhadoras com filhos pequenos, jovens e população imigrante que se observam as principais melhorias.

Porém, e apesar destes dados positivos, a OCDE alerta para o facto de, no que diz respeito à segurança e qualidade dos postos de trabalho, também ser possível observar o crescimento da pobreza entre os trabalhadores. Mais concretamente, alcançou os 10,6% em 2015, face aos 9,6% observados na década anterior.

“O crescimento dos salários permanece substancialmente mais baixo do que antes da crise financeira. No final de 2017, o crescimento dos salários nominais na OCDE era apenas metade do que era dez anos antes”, diz o documento.

Mais grave é o facto de esta estagnação salarial afetar muito mais aqueles com salários mais baixos do que os trabalhadores com salários mais elevados.

"Esta tendência de estagnação salarial perante um aumento no emprego destaca as mudanças estruturais que ocorreram nas nossas economias, e que a crise global se aprofundou, e sublinha a necessidade urgente dos países ajudarem os seus trabalhadores, especialmente os menos qualificados," disse o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, no lançamento do relatório.

*Publicado originalmente na Esquerda.net

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