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Desenvolvidos e Em Desenvolvimento: uma classificação ultrapassada para países?

Do IHU, 28 Julho 2018
A reportagem foi publicada por Fiocruz e reproduzida por EcoDebate


Estudo da Fiocruz publicado pelo periódico PLOS Neglected Tropical Diseasesquestiona divisão de países entre desenvolvidos e em desenvolvimento.

Um estudo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado hoje (12/7) na revista PLOS Neglected Tropical Diseases – uma das mais respeitadas do mundo na área de doenças negligenciadas – questiona a divisão de países entre industrializados, em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

Segundo a pesquisa, o conceito de Países em Desenvolvimento Inovadores (IDCs), para definir um grupo de nações com programas científicos de impacto, seria uma alternativa à tradicional segmentação.

A discussão acerca do papel dos IDCs no controle e prevenção de epidemias foi realizada com base nas redes de colaboração em pesquisa sobre zika e ebola. O papel central do Brasil, qualificado no estudo dentro do conceito de IDC, na rede de pesquisa em zika, se refletiu na liderança de instituições brasileiras nos trabalhos sobre a epidemia e na capacidade de controle do surto. Em contraste, os países africanos que não são definidos como IDCs, afetados pela epidemia de ebola, participaram de maneira menos expressiva na rede de pesquisa sobre a doença e contaram predominantemente com especialistas externos para controlar a epidemia.

Proposto pela primeira vez em 2005, o termo IDC desafiou o senso comum de que os países em desenvolvimento não teriam capacidade de inovação. Originalmente, o conceito era definido a partir de uma classificação global dos países com maior número de patentes depositadas nos Estados Unidos.

No novo trabalho, a proposta foi incluir o número de patentes depositadas internacionalmente. Desta forma, segundo os resultados da pesquisa, a lista atualizada de IDCs tem como primeiro lugar a China, ultrapassando EUA, Índia e Japão. O Brasil perde três posições no ranking e passa a ocupar o 15º lugar.

A pesquisa examina, ainda, a contribuição dos IDCs em temas de interesse nacional. Para isso, os pesquisadores analisaram publicações científicas de autores afiliados a IDCs para mostrar que esses países investem acima da média mundial em pesquisa e desenvolvimento em Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). “A capacidade de pesquisa e inovação que os IDCs já dispõem e suas significativas participações nas redes de produção de conhecimento poderão contribuir expressivamente para que a humanidade alcance mais rapidamente os objetivos do desenvolvimento sustentável”, afirma Carlos Morel um dos pesquisadores da Fiocruz que participou do estudo.

“Nossa pesquisa mostra claramente um papel proeminente dos IDCs na inovação em saúde, pesquisa e desenvolvimento em doenças tropicais negligenciadas (DTNs) e em preparação, prevenção e controle de epidemias”, ressalta o pesquisador. De acordo com Morel, o conceito de IDCs, desde a sua criação, tem impacto positivo na análise de inovação dos países.

Além disso, pontua o pesquisador, ao levar em consideração a resposta das nações às epidemias de zika e ebola, mostra a importância de haver uma infraestrutura sólida na área de saúde e redes de colaboração em pesquisa para que haja uma resposta rápida e efetiva nos casos de crises na área de saúde.

Em uma comparação entre três índices de inovação, os resultados se mostram diversos. Quando o índice considerado é o Bloomberg – um dos principais provedores mundiais de informação para o mercado financeiro – os três primeiros países do ranking são Coreia do Sul, Suécia e Alemanha. Já o índice global de inovação mostra nas primeiras colocações Suíça, Suécia e Holanda. De acordo com o índice desenvolvido pelos pesquisadores do INPI e Fiocruz, China, Japão e Estados Unidos são os líderes de inovação mundial.

Confira a pesquisa completa clicando aqui.

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