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A filosofia revolucionária de Lênin


"Para Lênin a dialética é o coração pulsante do materialismo histórico, aquilo que o torna uma teoria viva e dinâmica."



Do Blog da Boitempo, 10 de Julho, 2018Por Gianni Fresu.


A Boitempo acaba de lançar um novo livraço da coleção Arsenal Lênin. Cadernos filosóficos reúne um precioso conjunto de textos que, embora pouco conhecido do grande público, é considerado fundamental para a trajetória teórico-prática dos intensos dez últimos anos de vida do líder soviético. As reflexões buscam desenvolver uma fundamentação dialética da transformação social e documentam um momento de transição no pensamento leniniano. A edição conta com os textos-base traduzidos diretamente do russo (a revisão da tradução é de Paula Almeida), e vem acrescida de longo texto de introdução assinado por Henri Lefebvre e Norbert Guterman, e um posfácio de Michael Löwy. Para José Paulo Netto, responsável pela tradução do prefácio, trata-se do “documento mais importante do pensamento filosófico do líder da vitoriosa Revolução de Outubro” e acrescenta: “aqui está Lênin em sua madurez revolucionária e na plenitude de sua universalidade teórica.” A edição de André Albert tem apoio da Fundação Maurício Grabois e da Fundação Dinarco Reis. A capa é de Maikon Nery. Leia abaixo o texto de Gianni Fresu sobre a obra.

Boa leitura!

Artur Renzo, editor do Blog da Boitempo.

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Por Gianni Fresu.

Em pleno fulgor da Primeira Guerra Mundial, Lênin sente a exigência de apoiar seus estudos, então centrados no imperialismo, em uma pesquisa rigorosa no campo filosófico, voltada à aquisição dos instrumentos da análise dialética. É assim que entre 1914 e 1915 debruça-se sobre o estudo da Ciência da lógica, das Lições sobre a história da filosofia e das Lições sobre a filosofia da história, de Hegel, com a convicção de que, sem aprofundar o conhecimento dessas obras, mesmo a compreensão de O capital seria limitada. O resultado dessas leituras são os apontamentos dos Cadernos filosóficos, publicados pela primeira vez entre 1929 e 1930 – não exatamente uma obra filosófica orgânica, mas um conjunto de notas que constitui um dos mais importantes legados teóricos de Lênin.

As maneiras de entender a dialética internamente ao materialismo histórico foram um divisor de águas na história do movimento operário de inspiração marxista. A posição da filosofia hegeliana como fonte essencial do marxismo foi ignorada ou combatida tanto pela “ortodoxia” determinista quanto pelo revisionismo. Se, para Bernstein e seus diversos seguidores, a dialética é um simples método com o qual se pretende embrulhar a história – uma astúcia filosófica, um mero artifício metafísico, sobre a qual pesa a responsabilidade do “apriorismo” marxista –, para Lênin a dialética é o coração pulsante do materialismo histórico, aquilo que o torna uma teoria viva e dinâmica.

Em outros tempos ouviu-se dizer com frequência que somente quem estudou Marx profundamente poderia compreender Hegel de forma plena. Independentemente da maior ou menor sustentação dessa proposição, é certo que Lênin decide-se pelo estudo sistemático da filosofia de Hegel graças a seu conhecimento profundo da obra de Marx. Os Cadernos filosóficos são o coroamento do percurso de esclarecimento filosófico em Lênin, que se entrelaça à obra mais propriamente política e econômica e, por consequência, à prática concreta. A constante interação entre teoria e práxis é de fato o elemento que mais distingue a figura de Lênin em um panorama – o do marxismo depois de Marx – no qual esses dois âmbitos raramente tiveram efetiva conjunção.

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Arsenal Lênin

Vladímir Ilitch Uliánov Lênin (1870-1924) foi o mais importante líder bolchevique e chefe de Estado soviético, mentor e executor de um evento que inaugurou uma nova etapa da história universal, a Revolução Russa de 1917. Intelectual e estrategista com rara apreensão do momento histórico em que viveu, escreveu artigos e livros que inspiraram a articulação do internacionalismo socialista e aprofundaram a compreensão do capitalismo, dos efeitos do desenvolvimento desigual, do imperialismo e do Estado. Durante sua existência, praticou o que escreveu e escreveu sobre o que praticou, num notável exemplo de coerência. Quase toda a sua obra – teórica e prática – foi produzida nas duas décadas que inauguraram o século XX, período em que sua influência foi decisiva. Por isso e muito mais, é fundamental voltar a Lênin. A Boitempo aceita o desafio e se lança nesta aventura fundamental: a coleção Arsenal Lênin!

Conselho editorial: Antonio Carlos Mazzeo • Antonio Rago • Augusto Buonicore • Ivana Jinkings • Marcos del Roio • Marly Vianna • Milton Pinheiro • Slavoj Žižek

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