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Estudantes chilenas criam plástico biodegradável a base de alcachofras que também serve de adubo


As estudantes da Universidade de Santiago explicaram que o plástico que criaram tarda entre quatro e cinco meses em se decompor, e que estão estudando como o mesmo material pode ser feito a partir de outros vegetais, para viabilizar uma produção anual de embalagens ecológicas



Da Carta Maior, 21 de junho, 2018
Por periódico chileno El Desconcierto


Em meio a tantos alertas sobre a crise climática e imagens assustadoras sobre a contaminação dos oceanos e outras tragédias ambientais, eis que surge uma boa notícia: um grupo de estudantes da Universidade de Santiago desenvolveu novas embalagens de plástico biodegradável com resíduos de alcachofra, e que inclusive pode servir como adubo para a terra.

De acordo com um estudo de 2017 realizado pela Universidade de Geórgia de 2017, cada cidadão que vive no Chile produz um quilo de lixo por dia em média, e 11% desses produtos é feito de plástico. Deste modo, em um ano o país acumula cerca de 25 mil toneladas de dejetos desse material, que demora mais de 600 anos em se decompor, sem contar os produtos que vão parar no oceano e causam um grande dano à flora e à fauna marinhas.

Esse cenário motivou a estudante Fernanda Ramírez, tecnóloga em desenho industrial da Universidade de Santiago, junto com suas companheiras, sua professora guia e o apoio do Laboratório de Embalagens (LABEN) da mesma universidade, surgiu a ideia de melhorar os bioplásticos já existentes. “Um deles é o poliácido lático (PLA), ao qual acrescentamos resíduos de alcachofra para que demorasse menos em se decompor. O processo de decomposição do PLA tarda entre 8 e 10 meses, enquanto o que nós criamos tarda entre 4 e 5 meses”, explica.

A equipe que desenvolveu o novo material, que recebeu um financiamento do Fundo de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Chile, também descobriu outro tipo de bioplástico, que chamaram Skålen, ao qual também mesclaram com resíduos de alcachofra, o resultou em um material capaz de se dissolver em contato com a água. Deste modo, não poderia conter produtos líquidos, mas oferece, em compensação, a vantagem de servir como adubo para o solo, e por tanto não gera lixo.

“Usamos a alcachofra porque é uma das hortaliças que mais se produz na região (central do Chile) durante o período em que realizamos a pesquisa (junho e setembro de 2017), além do fato de que é 70% dela é desperdiçada, e nos pareceu que poderíamos aproveitar exatamente essa parte”, afirma a estudante Fernanda Ramírez, que liderou a pesquisa chilena.

Ainda assim, Ramírez afirma que sua equipe está trabalhando em novos estudou e provando com outros resíduos. “Nosso objetivo é desenvolver uma variedade de materiais que tornem viável a produção anual e em grande escala de embalagens ecológicas”, projeta a estudante.

A solução oferecida pelas estudantes chilenas surge em meio a um cenário onde existem muitos projetos de universidades chilenas para encontrar soluções que sejam harmônicas com o meio ambiente – algumas delas com apoio financeiro estatal.

Essa necessidade surgiu a partir de uma nova lei recentemente promulgada no país que visa proibir completamente o uso de bolsas de plástico convencional no comércio em um prazo de três. A nova legislação aceita a substituição desse plástico convencional por materiais bioplásticos com período de decomposição menor que um ano. Também prevê a aplicação de multas àqueles que não cumprirem a legislação quando a proibição já esteja plenamente vigente.

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