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Pistoleiros torturam crianças sem-terra em São João do Araguaia







Do GGN, 07 de Maio 2018

Jornal GGN - Na última sexta-feira, dia 4, pistoleiros atacaram um grupo de 10 famílias que acampavam às margens do Rio Araguaia, no município de São João do Araguaia, no Pará. Fortemente armados, os agressores promoveram uma sessão de violência durante quase uma hora.

Os pistoleiros, encapuzados, tinham escopetas, pistolas e revólveres. Chegaram ao local em duas caminhonetes. No acampamento estavam, além dos adultos, 11 crianças entre 3 meses e 10 anos de idade, além de uma mulher grávida de 3 meses.

Por quase uma hora os trabalhadores foram vítimas de sessão de torturas, e nem as crianças foram poupadas. Os adultos foram espancados a golpes de paus, facões e coronhadas, deixando marcas pelos corpos. Os agressores dispararam suas armas próximo do ouvido de duas crianças gêmeas de 3 meses de idade para aterrorizar a mãe. Além disso, atiraram em redes com crianças dentro, além de derrubarem e pisotearem crianças. Uma das mães, grávida, foi também pisoteada, teve sangramento e pode ter sido vítima de aborto.

Depois do horror das torturas, os pistoleiros atearam fogo nos barracos dos agricultores com tudo que estava dentro. As vítimas, além de tudo que possuíam, tiveram documentos pessoais queimados. Dois trabalhadores que chegaram ao acampamento no momento da agressão, retornaram correndo sob tiros disparados pelo grupo. Todos foram obrigados a subirem na carroceria das caminhonetes, com a roupa do corpo, sendo abandonados na Vila Santana, que fica às margens da Rodovia Transamazônica, a 30 quilometros do local do acampamento.

O grupo de sem-terra, junto com outras famílias, já havia sido despejado em janeiro desse ano da Fazenda Esperantina, de propriedade da siderúrgica Sidenorte Marabá, por ordem do juiz da Vara Agrária de Marabá. Sem ter para onde ir, as famílias decidiram acampar às margens do Rio Araguaia, a 10 quilometros dos limites da fazenda. Não foi suficiente. Os pistoleiros não deixaram de perseguir as famílias e a ordem foi para que fossem para o Tocantins, e não ficassem mais no Pará.

Esta é uma prática recorrente na região, utilizar grupos de pistoleiros para fazerem despejos ilegais e torturarem trabalhadores sem-terra. Nos dois últimos anos, houveram cinco ações dessa natureza. E não há notícia de que a Polícia Civil tenha investigado e responsabilizado alguém por organizar essas milícias armadas na região sudeste do Pará.

Com informações da Comissão Pastoral da Terra.

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