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Fórum Brasilianas discute os impactos da 4ª revolução industrial

Do GGN, 16 de Maio, 2018
Por Lilian Milena


Com progresso tecnológico, humanidade terá mais tempo para solucionar problemas sociais? Não necessariamente. Nova revolução industrial poderá acentuar desigualdades regionais. Como em uma corrida de Fórmula 1, países com maior domínio tecnológico continuarão nas primeiras posições do grid em cada nova partida. Evento acontece dia 21 de maio na PUC-SP. Inscrições abertas.

Jornal GGN - Uma das promessas da 4ª revolução industrial é que, com o progresso da tecnologia, a humanidade terá mais tempo para resolver os problemas sociais, sejam no campo da saúde, educação, seja no campo das desigualdades econômicas. Na verdade, essa foi uma esperança plantada muito antes dos anos 2010, quando a humanidade adentrou a quarta fase da revolução industrial.

Muitos teóricos e pensadores que viveram a primeira revolução industrial (que teve início na Inglaterra por volta de 1750), já tinham esperança nessa possibilidade. Agora, estaríamos finalmente perto de concretizá-la. Com a robotização e inteligência artificial cada vez mais aperfeiçoadas, a humanidade aumentará as possibilidades de engajamento em causas sociais. Esse é um dos temas que o Fórum Desenvolvimento Produtivo e a 4ª Revolução Industrial, realização Andifes | PUC-SP | Brasilianas busca fomentar. Poderíamos, até mesmo, fazer um paralelo com o fenômeno que ocorreu em Atenas, na Grécia Antiga.

Ali foi o berço da democracia, ou governo do povo, um dos primeiros registros da nossa história com a participação direta da população na escolha de governantes e decisões políticas. O problema foi que, naquele período, isso foi possível porque toda a produção agrícola e os demais serviços que exigem grande esforço físico eram empregados por escravos, não contabilizados como “cidadãos”.


Voltado aos dias atuais, nem só de expectativas boas se fazem as análises sobre os impactos da 4ª revolução industrial. A automatização das fábricas, por exemplo, está reduzindo postos de trabalho no setor produtivo, não absorvidos na mesma velocidade por outros setores da economia. Não por acaso uma das discussões sobre o tema na Europa é a criação da Renda Básica de Cidadania para evitar o empobrecimento da população.

Vale destacar, ainda, que a indústria sempre teve um papel relevante para a riqueza dos países respondendo pelo melhoramento de salários, distribuição de renda, além do crescimento econômico. Todas as nações hoje desenvolvidas tiveram a indústria como fator central do crescimento (exemplos: Alemanha, Japão, Estados Unidos, China e Coreia do Sul).

A questão que surge hoje, portanto, é qual será o destino do Brasil com a reconfiguração da divisão internacional, com estágio além do esperado para a sua indústria, em comparação com as nações que já ultrapassaram todas as fases do desenvolvimento.

- Nossa renda per capita não é de país desenvolvido. O Brasil está para trás na robotização, não tem um grande fenômeno de outsourcing (terceirização de processos da indústria para o exterior) - explicou Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) em entrevista para o jornalista Marcello Corrêa, de O Globo. Ele será um dos palestrantes do Fórum Brasilianas, dia 21 de maio.

Ainda, segundo dados mais recentes divulgados pelo IBGE, a participação da indústria no PIB caiu para 11,8%, a menor desde os anos 1950, quando o percentual era de 15%. Nos anos 1980, o setor chegou a superar a casa dos 20%.

Para alguns economistas, a desindustrialização em si não deveria ser motivo de preocupação para o brasileiro, já que este é um fenômeno mundial. Porém outros especialistas, como Cagnin, acreditam que o Brasil não tem características que justifiquem essa queda.

- Foram as condições macroeconômicas e sistêmicas que fizeram com que a indústria perdesse espaço, como câmbio desfavorável e custo de capital elevado -, completa o economista, lembrando que, historicamente, os países desenvolvidos vivenciaram antes o processo de industrialização e, somente após o enriquecimento, reduziram gradativamente a participação desse setor na economia.

Com esse cenário, outra preocupação surge no horizonte: será que, à maneira como aconteceu na Grécia Antiga, entraremos em um novo mundo onde os benefícios da 4ª revolução industrial serão totalmente absorvidos por uma parcela da população mundial, enquanto a outra estará fadada a se tornar “novos escravos de Atenas”?

Participe do Fórum de debates brasilianas para se aprofundar ainda mais neste tema. Veja a seguir a programação completa e se inscreva para participar pelo e-mail brasilianasforuns@gmail.com. A entrada é franca, porém limitada ao tamanho do auditório.

Desenvolvimento Produtivo e a 4ª Revolução Industrial

Realização Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Brasilianas

DATA: 21 de Maio
Local: Auditório 333 - 3º Andar
R. Monte Alegre, 984 - Perdizes, São Paulo - SP, 05014-901
Horário: das 9h30 às 17h
Inscrições: brasilianasforuns@gmail.com
*Com emissão de certificado digital

Abertura

9h30 - 9h40 - Profª Dra Mariangela Belfiore Wanderley, Chefia de Gabinete da Reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

9h40 - 9h50 - Profª Silvia Helena Simões Borelli, Coordenadora da CEDEPE (Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais) da PUC de São Paulo

9h50 - 10h - Gustavo Balduino, Secretário Executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)

10h - 10h10 - Luis Nassif, Diretor do Jornal GGN e idealizador do Projeto Brasilianas

1º Painel - O papel do Estado como indutor do desenvolvimento

Neste painel a proposta é levantar as responsabilidades e contribuições do Estado no desenvolvimento industrial, inovação e na incorporação e evolução do conhecimento.

10h10 - 10h40 - Antonio Corrêa de Lacerda, Economista, professor-doutor e pesquisador do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política; diretor da FEA- PUC-SP; Conselheiro e ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

10h40 - 11h10 - Norma Cristina Brasil Casseb, Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Teoria Geral da Economia, atuando principalmente nos seguintes temas: macroeconomia, economia brasileira, economia política e políticas públicas.

11h10 - 12h - Debate e Participação da Plateia

12h - 13h30 - Almoço

2º Painel - 4ª revolução industrial e o Brasil na divisão internacional do trabalho

O objetivo deste painel é expor o fenômeno mundial, o estágio de desenvolvimento da indústria brasileira. Como preparar a sociedade para essas mudanças, avaliando o papel desempenhado pelo Brasil hoje na divisão mundial do trabalho, e como evitar que seus atributos e capacidades não sejam soterrados pelo processo de globalização portanto, em que medida o país pode elaborar um plano de desenvolvimento que responda às expectativas e necessidades internas, sem deixar de lado a colaboração com o exterior?

13h30 - 14h - Rafael Cagnin, Economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)

14h - 14h30 - Marco Antonio Rocha, Coordenador e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT-IE/Unicamp)

14h30 - 15h - Participação da Plateia

3º Painel - O papel das agências públicas de financiamento no desenvolvimento produtivo

A proposta deste painel é explorar as funções dessas agências e as políticas públicas brasileiras de indução e fortalecimento para um ambiente saudável à indústria nacional.

15h - 15h30 - Venilton Tadini, Presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)

15h30 - 16h - Bruno Jorge, Coordenador da Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)

16h - 16h30 - João Furtado, Economista e doutor em economia pela Universidade Paris 13, com especialização sobre “Estratégias e Políticas Industriais e Tecnológicas” na CEPAL/ONU é professor no Departamento de Economia da Unesp.

16h30 - 17h - Participação da Plateia

17h - Encerramento



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