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Cortinas sobre o assassinato de Marielle




Do GGN, 12 de Maio, 2018
Por Gustavo Gollo



Decorridos 2 meses do assassinato, testemunhas foram convocadas para sua reconstituição. A polícia parece ter dado grande importância à superprodução, que envolveu a participação de aproximadamente 200 policiais. Obviamente, se as lembranças do fato eram relevantes, como sugere a grandiosidade do espetáculo, a remontagem do crime deveria ter sido realizada há semanas. Lamentavelmente, tratou-se de uma apresentação particular para os policiais, fechada sob uma cortina de plástico, da qual não surgiram imagens que teriam alimentado os meios de comunicação do mundo inteiro, trazendo à baila, novamente, a execução, reacendendo os debates sobre o fato, e o empenho em sua solução. Ao que tudo indica, no entanto, todo o esforço da polícia parece se dirigir no sentido oposto, ao encobrimento do caso, não a sua divulgação.



A completa descrição dada ao caso, faz saltar aos olhos o contraste entre a dignidade de tratamento conferida por nossa polícia, judiciário e meios de comunicação aos nobilíssimos assassinos, em contraste com o enxovalho endereçado por eles ao presidente Lula. Dize-me com quem andas...


Simultaneamente, como que para se livrar de pecha tão óbvia, fabricaram cortina de fumaça inventando suposta testemunha a lançar acusações a esmo. Sem explicar como, tem-se divulgado que uma figura teria testemunhado simultaneamente o crime e sua coordenação, efetuada por 2 líderes, um deles encarcerado em uma penitenciária. A exemplo das piadas em que cães confessam ser porcos, sob as ameaças de policiais sanguinários, e das confissões incriminatórias arrancadas de empresários sob pressões análogas e com propósitos políticos evidentes, tão em voga atualmente, os meios de comunicação andam testando a oportunidade da apresentação de uma tal confissão.

O que se exige, todavia, não são mais demonstrações de selvageria e injustiça, disso estamos todos fartos. O que se exige, é uma mostra enfática de empenho na solução do caso. Imagens da reconstituição cinematográfica realizada com a participação de centenas de figurantes teriam feito retornar os holofotes ao caso, dificultando o seu encobrimento. A dedicação com que as investigações têm sido ocultadas, no entanto, sugere exatamente o contrário: que o propósito da polícia e dos meios de comunicação consiste em acobertar o crime.

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