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Do fundo da noite que me cerca, por Ponce de León

Do GGN, 16 de Abril, 2018
Enviado por Felipe A. P. L. Costa, por F. Ponce de León
do blogue Poesia contra a guerra

Foto Dicas Brasil
O poeta inglês William Ernest Henley (1849-1903) é comumente lembrado pelo seu poema ‘Invictus’. Escrito em 1875, durante uma longa temporada que o autor passou internado em um hospital, o poema – originalmente publicado sem título – consta da primeira edição do livro A book of verses (1888). Foi dedicado a ‘R. T. H. B.’, alusão a Robert Thomas Hamilton Bruce (1846-1899), comerciante escocês, crítico e patrono literário.

Anos atrás, o título foi usado no filme ‘Invictus’ (2009), dirigido por Clint Eastwood, inspirado em fatos da vida de Nelson Mandela (1918-2013). Nos seus anos como preso político da coroa britânica, o ex-presidente da África do Sul teria conhecido o poema, adotando-o como uma fonte de inspiração pessoal.

Ao menos duas versões já foram publicadas entre nós, em traduções de André C. S. Masini (aqui) e Thereza Christina Rocque da Motta (aqui).

No que segue, ofereço uma nova versão. O original, extraído do livro A book of verses (Scribner, 1893, 4ª edição), é reproduzido logo em seguida.


Invictus

William Ernest Henley
Para R. T. H. B.

Do fundo da noite que me cerca,
Preta qual fosso de polo a polo,
Sou grato a qualquer deus que exista,
Por minh’alma insubjugável.

Nas garras cruéis do que enfrento,
Eu não recuei nem pranteei.
Sob os repetidos golpes do destino,
A cabeça sangra, mas está ereta.

Além deste lugar de ira e lamento,
Avulta-se apenas o Horror das sombras;
E, todavia, o vaticínio do tempo
Acha-me e achar-me-á sem medo.

Não importa quão estreita a porta,
Quão cheio de punições o pergaminho;
Sou o senhor do meu destino:
Sou o capitão da minh’alma.

*

Invictus

William Ernest Henley

To R. T. H. B.

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

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