Pages

Um certo Valter, por Jean Pierre Chauvin

Do GGN, 23 de Março, 2018
por Jean Pierre Chauvin


Um certo Valter


"era como ouvia cada palavra, enquanto uma mão limpava a casa, a outra limpava o ego imperialista do patrão" (at, p. 20)*

Dizem que ninguém é dono das palavras; mas, convenhamos, alguns fazem delas melhor uso. É isso que nos permite identificar nestes alguma autoridade para lidar com aquelas.

Penso, especialmente, em Valter Hugo Mãe, que comecei a ler há tão pouco. O que dizer de seus narradores ácidos e das personagens que vivem a tensionar o senso comum, em seus diálogos?

Estou às voltas com *O Apocalipse dos Trabalhadores, desde ontem à tarde.

Suspendi a leitura, voraz, para conversar sobre o valor da fala com alunos dos cursos de Letras e Pedagogia, a gentil convite da Unisa.

Planejava recomendá-lo aos ouvintes e amigos de lá, mas o diálogo, ao final da apresentação, tomou o lugar do que eu mais tivesse dizer sobre o romance.

De hoje não passa. Posicionarei o volume no apoio de lousa para o apagador, sala 205, prédio central da ECA, enquanto estivermos a falar de Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie.

Estendo-o cá. Veja lá, internauta, de que Maria da Graça e Quitéria são feitas.

Para quem sente saudade, a meias, de José Saramago, Valter Hugo Mãe é um valioso correspondente.

J.P.C.

Post scriptum: esta postagem inaugura esta colaboração como blogueiro do GGN, a quem quero agradecer pela acolhida de Lourdes e Luís Nassif e ao convite do, também cronista, Janderson Lacerda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário