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Brasil, um país onde se mata e morre muito. Ouvir as pessoas implicadas na vida das periferias é imprescindível.

Entrevista especial com Daniel Hirata


Do IHU, 19 Março 2018 
Por: João Vitor Santos | Edição: Vitor Necchi 


A violência, cada vez mais, é pesquisada no Brasil. No que tange às periferias, no entanto, falta um detalhe importante: ouvir. “Vale a pena o esforço de escuta sobre o que as pessoas dizem. Todas as pessoas. É imprescindível ouvir as pessoas que estão direta ou indiretamente implicadas na vida das periferias para estabelecermos os contornos de o que é pertinente e o que não é para tudo o que discutimos”, destaca Daniel Hirata. Sem isso, “podemos ficar sem entender o que é mais importante e sem conseguir dar respostas ao principal, que é o fato de o Brasil ser um país onde se mata e morre muito”.

Hirata, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line estabelece uma espécie de genealogia do controle das periferias. A começar pelos anos 1990, quando os policiais eram amigos dos comerciantes mais estabelecidos nos bairros, ao mesmo tempo em que se relacionavam com os chamados pés de pato – “justiceiros, herdeiros históricos dos famosos grupos de extermínio dos anos 1970/80”.

Dessas relações emanava a gestão da ordem do bairro. Sem melindres, colocavam na linha ou matavam “vagabundo” e “malandro”. Ao mesmo tempo, “tinham uma certa coerência: moral do trabalho, respeito à família e aos mais velhos, o fascínio da ordem”. Conforme Hirata, “é o velho conservadorismo autoritário com cara de extermínio que sempre assolou as periferias de São Paulo”.

Nas cadeias, havia um espelhamento, e o convívio era dividido por bairro, por quebrada. “Essas quadrilhas foram se organizando para matar os pés de pato fora/dentro das cadeias. E mataram”, afirma. “Não dependiam dos comerciantes para pagar pelas execuções ou pela proteção, não dependiam dos policiais para fazerem a sua proteção em troca de outras mortes.” Desta forma, o negócio do crime cresceu. O Primeiro Comando da Capital – PCC, “como grupo prisional, produz uma articulação dessa história interna à cadeia, e essa história das ruas, das quebradas”. Funcionou como amplificador das demandas dos prisioneiros e das quadrilhas. Isso explica o lema “paz entre os ladrões e guerra com a polícia”.




Daniel Hirata (Núcleo de Estudos da Violência - NEV/USP)

Daniel Hirata é doutor e mestre em Sociologia e graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo – USP. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Leciona na Universidade Federal Fluminense – UFF. É pesquisador do Núcleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU-UFRJ); do grupo Cidade e Trabalho do Laboratório de Pesquisas Sociais (LAPS-USP); e do Núcleo de Pesquisas em Economia e Cultura (NUCEC-UFRJ).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são e como compreender os processos transversais que, na prática, hoje fazem a gestão da ordem das periferias brasileiras?


O PCC é um operador de escala. Operador de escalas políticas e econômicas. Foi um operador de escala de uma disputa dentro das periferias, de estratos sociais diferentes, de visões políticas diferentes, de práticas diferentes para a disputa sobre a gestão da ordem Tweet

Daniel Hirata – Hoje existe um corpo relativamente grande de pesquisas sobre o tema, que é muito variado porque as territorialidades urbanas são bastante diferentes em cada cidade e mesmo no interior de cada cidade. E então vamos encontrar várias composições diferentes entre dinâmicas societárias e institucionais em cada um desses territórios, tudo isso é matéria de pesquisa empírica, de entendimento específico. Existem processos históricos situados que dizem respeito à maneira pela qual isso foi sendo construído, e por aí temos um caminho para entender a coisa toda.

No que diz respeito ao que venho pesquisando e nos lugares onde venho pesquisando em São Paulo, esses processos históricos podem ser bem delimitados. Tenho feito esse esforço com a professora Vera Telles[1]. Já temos coisas publicadas sobre isso, mas estamos preparando algo que deve sair em breve.

Nos anos 1990 (e de outras formas até hoje), os policiais eram amigos dos padeiros, do açougueiro, donos de mercadinhos – dos comerciantes mais ricos do bairro. E eram amigos dos pés de pato – os justiceiros, herdeiros históricos dos famosos grupos de extermínio dos anos 1970/80. Por sua vez, essas relações estruturavam a gestão da ordem do bairro. O que se conta deles é muito impressionante, matavam ou davam uma dura em qualquer pessoa que parecesse “vagabundo” ou “malandro”, nos termos deles – os dados sobre homicídios mostram que os anos 1990 eram muito violentos, parte importante considero que era por essas ações.

O que acontecia? Esses eram os caras que dominavam a quebrada, essa trinca entre pés de pato, polícia e comerciantes. Esse era o poder de gravitação maior dos ilegalismos no bairro. Tinham uma certa coerência: moral do trabalho, respeito à família e aos mais velhos, o fascínio da ordem. É o velho conservadorismo autoritário com cara de extermínio que sempre assolou as periferias de São Paulo (acho que isso no Rio tem cara de Baixada Fluminense, com uma temporalidade que é até parecida, mas isso é outra conversa...). Tudo isso não é algo que apareceu de repente no Brasil anteontem, todo mundo sabe.

É contra isso que “o crime” se insurge, pensando “o crime” pela definição de Adalton Marques[2]. Eram as quadrilhas, eram galeras que ficavam ali, que faziam umas fitas, que por vezes vendiam uma parada ou saíam para roubar. Na cadeia, havia um espelhamento, o convívio era dividido por bairro, por quebrada, por área (se falava assim) – e o seguro era o lugar dos pés de pato, no Carandiru [3] era o COC. Essas quadrilhas foram se organizando para matar os pés de pato fora/dentro das cadeias. E mataram. Não dependiam dos comerciantes para pagar pelas execuções ou pela proteção, não dependiam dos policiais para fazerem a sua proteção em troca de outras mortes. E assim a coisa cresceu. O crescimento dos negócios é o que me chama mais a atenção, mas não vou poder entrar muito nisso.

Tudo isso se acoplou com uma demanda interna às prisões que vinha se construindo: dentro do cárcere, 1992, depois 2001, depois 2006. Os trabalhos de Karina Biondi [4], Gabriel Feltran[5] e Camila Dias [6], entre muitos outros, detalham isso de forma bastante clara. O PCC [7], como grupo prisional, produz uma articulação dessa história interna à cadeia, e essa história das ruas, das quebradas – o PCC é um amplificador das demandas dos prisioneiros e das quadrilhas e, não à toa, vem o lema: “paz entre os ladrões e guerra com a polícia”.

Do ponto de vista da história urbana, é claramente uma disputa pelo controle das quebradas, outras frações de classe em aliança, outros ilegalismos, outra política – igualmente mortal, diga-se de passagem. Eram os “feios sujos e malvados” – nem por isso eram os bonzinhos da história, não é isso que quero dizer, quero dizer que é outra composição social, outras associações sociológicas. O que me parece importante é que não tem, ao menos para mim, nada que foi propriamente inventado pelo PCC, mas tem muita ressonância, muita amplificação da época das quadrilhas. Tanto da política quanto dos negócios que foram feitos depois. O PCC, para usar um termo luminoso que a Vera Telles usa em outro contexto, é um operador de escala. Operador de escalas políticas e econômicas. Foi um operador de escala de uma disputa dentro das periferias, de estratos sociais diferentes, de visões políticas diferentes, de práticas diferentes, ou seja, cada um mobilizando aliados diferentes, conflitivos – para mim essa era a disputa, a disputa sobre a gestão da ordem.

IHU On-Line – O que é o chamado “dispositivo de gestão das mortes” e como se manifesta nas periferias? Quais os efeitos desse dispositivo quando vaza para regiões mais centrais?


O Michel Misse vem insistindo no conceito de mercadoria política para falar sobre os chamados mercados da proteção. Acho que esse é um conceito fundamental, porque ajuda a entender como existe uma articulação nas interações entre as forças da ordem e os coletivos criminais Tweet

Daniel Hirata – Isso se relaciona à gestão da ordem que você se referiu anteriormente. O dispositivo de gestão de mortes é como essa gestão da ordem atua especificamente em relação à questão da vida e da morte, ou seja, é uma expressão analítica que procura entender quais são as situações em que alguns perdem suas vidas. Isso tem uma modulação histórica, como disse antes.

Esse dispositivo de gestão das mortes é feito em uma articulação complexa entre os agentes oficiais das forças da ordem (as diversas polícias e agentes de fiscalização) e os atores informais ou criminais. O Michel Misse [8] vem insistindo há tempos no conceito de mercadoria política para falar sobre os chamados mercados da proteção. Acho que esse é um conceito fundamental, porque ajuda a entender como existe uma articulação nas interações entre as forças da ordem e os coletivos criminais. Não é que existe um equilíbrio, mas existe uma articulação que vai pontuando as configurações pelas quais as mortes acontecem. A delegação dos poderes soberanos de vida e morte são uma forma, a guerra entre coletivos criminais entre si ou com as forças da ordem outra, as chacinas outra, enfim, tudo isso passa por essa articulação, que tem direta ou indiretamente a ver com os negócios, porque a proteção é a condição de possibilidade dos negócios acontecerem. Então as duas coisas estão conectadas, o que sempre está em disputa é a gestão da ordem, o que reflete nas formas pelas quais as mortes vão acontecer.

Claro que isso tem uma distribuição desigual, aliás, como tudo, nos diversos territórios urbanos. Outro dia o comandante da ROTA [9] falou explicitamente que a abordagem era diferente nas periferias ou nos Jardins. Isso é explícito. “A carne mais barata do mercado é a carne negra” [10], “negra, pobre e periférica”, enfim, essa conformação não é um desvio de finalidade, uma disfunção, é assim mesmo que funciona e temos que enfrentar isso sem concessão. Não é casual, é uma coisa que tem um sentido muito claro e definido, e temos muitas pesquisas que sustentam esse sentido.

IHU On-Line – No que consiste a adesão de comunidades de periferias a grupos associados ao crime organizado? E por que algumas comunidades parecem aceitar mais esses grupos do que o próprio Estado?

Daniel Hirata – Não acho que exista adesão das pessoas das periferias ao crime organizado, claro que as pessoas sempre têm opção. Também não acho que aceitam mais o “crime” do que o Estado. Inclusive, a coisa, me parece, tem que ser melhor colocada, ou seja, não uso a categoria crime organizado justamente porque ela separa muito claramente Estado e crime, e todo um conjunto bem consolidado de pesquisas vem mostrando como essas duas dimensões são articuladas. Também não acho que a questão é dizer simplesmente “os criminosos são outros”. É isso, mas é mais que isso, são essas articulações entre crime e Estado que vão pontuando a construção conjunta e articulada dessas duas coisas.

IHU On-Line – Como compreender a complexidade dos coletivos criminais de hoje? De que forma se constituem como agente econômico, político e moral, conectado e conectando uma série de outros agentes?


Ao contrário da expressão ‘crime organizado’, "coletivos criminais" dá conta mais das associações que dos limites, especialmente aqueles entre Estado e sociedade Tweet

Daniel Hirata – Eu gosto da expressão coletivos criminais porque, ao contrário da expressão “crime organizado”, ela dá conta mais das associações que dos limites, especialmente aqueles entre Estado (Estado de direito, as instituições formais que são normalmente vinculadas a esse conjunto) e sociedade (os criminosos, os delinquentes etc). Os coletivos criminais são compostos de dimensões sociais, políticas, morais e econômicas, e tudo isso se associa para sua formação. Tem que ver como historicamente isso foi se formando, reformando, mudando, tem linhas de continuidade, enfim, é necessário entender como essas coisas vão acontecendo.

Atualmente temos que dar um passo para trás e pensar com muita atenção, porque, depois da morte do Rafaat [11] e do ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim na virada do ano passado, as coisas ficaram meio loucas, não exatamente no mundão, mas na maneira pela qual as pessoas vem analisando a situação, inclusive aquelas contrárias ao uso da categoria “crime organizado”. É como se disséssemos “bom, agora é crime organizado”. Em relação ao que ocorreu em Manaus, o Fabio Candotti [12], a Flávia Cunha [13] e o Ítalo Siqueira [14] já cantaram a bola de que temos que entender a coisa situada historicamente e com um nível de complexidade outro. Em relação a morte do Rafaat, eu gostaria de ver algo parecido. Desde os anos 1990 os caras do PCC já tinham cumprido pena no centro oeste e no Paraná. Os negócios começaram ontem?

Cada coletivo criminal tem uma história de associações diferente, quando eles se encontram são essas associações que se encontram, então elas mudam. Bom, então a coisa não ficou com cara de crime organizado, ficou mais complicada, porque o que significa cada um desses coletivos está mudando. Como você disse, são redes políticas, econômicas e morais, então tem que entender as articulações que cada uma dessas coisas produz.

IHU On-Line – Quais são os principais coletivos criminais no Brasil hoje? Quais suas distinções e similaridades?


"A carne mais barata do mercado é a carne negra”, “negra, pobre e periférica”, enfim, essa conformação não é um desvio de finalidade, uma disfunção, é assim mesmo que funciona e temos que enfrentar isso sem concessão Tweet

Daniel Hirata – Essa é uma pergunta difícil, saber “quais os principais”. É difícil, mas a longo prazo temos que conhecê-los e como eles estão mudando.

Estou atualmente em uma empreitada com a Carolina Grillo [15], um trabalho de colocar em perspectiva as nossas pesquisas sobre os coletivos criminais, pensando as possíveis comparações entre Rio de Janeiro e São Paulo. Em um primeiro artigo, tentamos pensar alguns parâmetros comparativos no que diz respeito ao mercado varejista de drogas. Trabalhamos três dimensões: os lugares de venda de droga, os coletivos criminais e as relações com as forças da ordem.

A distribuição de drogas é muito distinta em cada uma dessas cidades. A circulação de mercadorias ocorre no Rio de Janeiro tendo por base uma extensão organizacional e territorial que multiplica as funções intermediárias e fragmenta progressivamente as quantidades de droga. Em São Paulo, utiliza-se unidades de venda compactas e com pouca abrangência, que concentram a venda no aumento de sua densidade e volume na circunscrição territorial. Assim, mesmo que os comandos paulistas e cariocas possam ser caracterizados como redes de alianças, como apontaram Antônio Rafael Barbosa [16] e Michel Misse, cujo alinhamento com uma ou outra facção determina a adesão de todos os seus subordinados, as diferenças são marcantes.

Vemos horizontalidade entre os “donos de morro” do Rio de Janeiro e os “patrões” em São Paulo, assim como hierarquia desses com seus subordinados nas “firmas”. Contudo, como a venda de drogas em São Paulo conforma um sistema de alianças formadora do coletivo composto por um número muito maior de “patrões” do que de “donos de morro”, o PCC emerge como um coletivo mais móvel e translocal, e o CV [17] como mais centralizado e hierárquico. Assim, os conflitos e negociações com as forças da ordem tendem a se caracterizar de forma distinta também – ainda que os arranjos políticos ao redor das mercadorias políticas sejam comuns às duas cidades.

Isso é acionado no Rio de Janeiro em contornos intra e interfaccionais mais bélicos que em São Paulo, onde acentuam-se as negociações intramuros seguidas de demonstrações de força em práticas de execuções extralegais, ao passo que, no Rio de Janeiro, os confrontos por regiões mais lucrativas têm impactos nas prisões. Essas três dimensões ajudam a entender como os conflitos pelos mercados criminais têm maiores consequências desestabilizadoras na dinâmica faccional no Rio de Janeiro que em São Paulo e como se relacionam de forma distinta com a gestão das mortes em cada cidade.

Tudo isso tem que ser feito com cuidado, porque quando comparamos meio indistintamente os coletivos criminais por meio de categorias muito genéricas, o risco é perder o mais importante, que são as diferenças de cada um que podem apontar elementos para se pensar o conjunto. É complicado, complexo, longe de ser evidente.

Também tem uma questão importante, que é o tempo, a história desses coletivos. Podemos fazer comparações mais diacrônicas e mais sincrônicas, mas a dimensão do tempo, das camadas históricas, é fundamental. O CV se formou nos anos 1970 e o PCC, nos anos 1990. São momentos diferentes, que lidam com repertórios sociais diferentes, então isso tem que ser levado em conta.

IHU On-Line – Quais os limites do Estado, e da própria academia, para compreender a realidade das periferias?


O que sempre está em disputa é a gestão da ordem, o que reflete nas formas pelas quais as mortes vão acontecer Tweet

Daniel Hirata – Vale a pena o esforço de escuta sobre o que as pessoas dizem. Todas as pessoas. É imprescindível ouvir as pessoas que estão direta ou indiretamente implicadas na vida das periferias para estabelecermos os contornos de o que é pertinente e o que não é para tudo o que discutimos. Esse trabalho é ainda não muito valorizado, mas, sem ele, podemos ficar sem entender o que é mais importante e sem conseguir dar respostas ao principal, que é o fato de o Brasil ser um país onde se mata e morre muito. Essa tem que ser a questão principal. Nesse ponto, até tem uma rede de alianças possíveis bastante forte para contrapor aquelas políticas (hegemônicas) que só ampliam os confrontos e jogam gasolina na fogueira. Temos que esvaziar o balão.

IHU On-Line – Como pensar em linhas de fuga para comunidades de periferias mergulhadas nessas disputas entre o poder estatal (das polícias e dos governos) e o poder paralelo (coletivos associados ao crime organizado)?

Daniel Hirata – Uma coisa fica no ar: como negociar com esses atores? Porque a preocupação principal – acho que em relação a isso avançamos bastante – tem que ser baixar ao máximo as mortes. Como faremos? Não me parece que seja possível minorar isso sem negociar publicamente com todos os envolvidos e prestar atenção no que estão dizendo. O que acontece é que as negociações são feitas todas de forma encoberta e todos os holofotes são jogados nas ações bélicas e militaristas. O melhor seria inverter isso.

Notas:

[1] Vera Telles: graduada em Ciências Sociais, mestra em Ciência Política e doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo – USP. Realizou estágio pós-doutoral na École de Hautes Etudes en Sciences Sociales – Paris, França. É professora livre-docente do Departamento de Sociologia da USP. (Nota da IHU On-Line)

[2] Adalton José Marques: graduado em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo – USP e doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. É professor do Colegiado de Ciências Sociais da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). É pesquisador do Krisis – Antropologia Crítica – UNIVASF e do Hybris – Grupo de Estudo e Pesquisa em Relações de Poder, Conflitos e Socialidades – USP/UFSCar. Pesquisa correlações entre: 1) políticas de direitos humanos, controles democráticos e segurança pública; 2) saberes e estratégias de presos, "comandos" prisionais e controles penitenciários; 3) políticas de "quebrada", "crime" (relação) e gestões diferenciais de ilegalismos. A sua dissertação resultou no livro Crime e proceder: um experimento antropológico (Alameda Editorial, 2014). (Nota da IHU On-Line)

[3] Carandiru: nome popular da Casa de Detenção de São Paulo, complexo penitenciário que se localizava na zona norte da cidade de São Paulo. Foi fundado na década de 1920. Chegou a abrigar mais de 7 mil presos, sendo o maior presídio do Brasil e da América Latina. Um dos fatos mais conhecidos da história do presídio ocorreu em 1992, quando 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo durante uma rebelião. Esse fato teve grande repercussão nacional e internacional. Em 2002, iniciou-se o processo de desativação do Carandiru, com a transferência de presos para outras unidades. Hoje o presídio já se encontra totalmente desativado. (Nota da IHU On-Line)

[4] Karina Biondi (1983): graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo – USP, mestra e doutora em Antropologia Social na Universidade Federal de São Carlos – Ufscar. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e na Ufscar. Leciona na Universidade Estadual do Maranhão. É também pesquisadora do Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Relações de Poder, Conflitos, Socialidades – Hybris, do Núcleo de Antropologia Política – NuAP e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP. Escreveu Junto e Misturado: Uma Etnografia do PCC (São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2014), cuja versão em inglês foi publicada pela University of North Carolina Press com o título Sharing This Walk: An Ethnography of Prison Life and the PCC in Brazil. (Nota da IHU On-Line)

[5] Gabriel Feltran: etnógrafo urbano. Doutor em Ciências Sociais e mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, com estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS. Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo – USP. Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, coordenador de Pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole – CEM e pesquisador do Núcleo de Etnografias Urbanas do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – CEBRAP. Foi professor visitante no CIESAS Golfo (México, 2015) e na Humboldt University (Berlim, 2017). Atualmente pesquisa as dinâmicas sociais, políticas e de mercado nas periferias urbanas, a partir da perspectiva de grupos marginalizados e do "mundo do crime" em São Paulo. Coordenador do NaMargem – Núcleo de Pesquisas Urbanas, que integra os projetos "As margens da cidade" (CEPID/CEM – FAPESP), "A gestão do conflito na produção da cidade contemporânea" (Temático FAPESP/USP) e "State Paradoxes" (CEM-Humboldt Universtity). Autor de Fronteiras de Tensão: política e violência nas periferias de São Paulo (UNESP/CEM, 2011). Concedeu várias entrevistas para a IHU On-Line, entre elas, Periferia de São Paulo. 'Polícia, crime, igreja e trabalho são esferas de vida que se interpenetram', publicada nas Notícias do Dia de 5-7-2016. (Nota da IHU On-Line)

[6] Camila Nunes Dias: graduada, mestra e doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo – USP. É professora da Universidade Federal do ABC – UFABC, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência – NEV da USP e associada ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (Nota da IHU On-Line)

[7] Primeiro Comando da Capital (PCC): organização criminosa que comanda rebeliões, assaltos, sequestros, assassinatos e narcotráfico. Atua principalmente em São Paulo, mas tem presença em 22 dos 27 estados brasileiros, além de países próximos, como Bolívia, Paraguai e Colômbia. Estima-se que tenha cerca de 30 mil membros, sendo mais de 8 mil em São Paulo. É considerada uma das maiores organizações criminosas do país. Seu financiamento dcorre principalmente da venda de maconha e cocaína, além de roubo de cargas e assaltos a bancos. Está presente em 90% dos presídios paulistas e fatura cerca de 120 milhões de reais por ano. O PCC surgiu em 1993 no Centro de Reabilitação Penitenciária de Taubaté, no Vale do Paraíba, que acolhia prisioneiros transferidos por serem considerados de alta periculosidade pelas autoridades. Vários dos ex-líderes da organização estão presos, como Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola). (Nota da IHU On-Line)

[8] Michel Misse: bacharel em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre e doutor em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ/SBI/UCAM. Atualmente é professor Associado do Departamento de Sociologia da UFRJ. Publicou Crime e Violência no Brasil Contemporâneo. Estudos de sociologia do crime e da violência urbana (Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2006; 2a. edição: 2011), Acusados e Acusadores: estudos sobre ofensas, acusações e incriminações (Rio de Janeiro: Editora Revan/Faperj, 2008), As Guardas Municipais no Brasil (Rio: Booklink/Finep, 2010) e O Inquérito Policial no Brasil (Rio de Janeiro: Booklink/Fenapef, 2010). (Nota da IHU On-Line)

[9] ROTA [Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar]: tropa do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. É o maior batalhão de Polícia Militar do Brasil, possuindo cerca de 900 homens e 150 viaturas. Em 1851, foi batizado como Batalhão de Caçadores Tobias de Aguiar. O presidente da província Rafael Tobias de Aguiar, antigo nome dado ao então governador, ficou conhecido como o Patrono da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Constitui-se na Tropa de Elite da PM de São Paulo. É utilizada na necessidade do controle de distúrbios civis. (Nota da IHU On-Line)

[10] Trecho da canção A carne, composição de Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette, gravada pela cantora Elza Soares no álbum Do cóccix até o pescoço (2002). (Nota da IHU On-Line)

[11] Jorge Rafaat Toumani: poderoso narcotraficante, segundo a Polícia Federal do Brasil, no entanto, nunca se conseguiu comprovar vínculos dele com o mercado de drogas no Paraguai. Por isso circulava livremente pelo país, embora haja indícios contundentes em contrário. Conhecido como um "próspero empresário de Pedro Juan Caballero", chegou a disputar a gerência deixada na fronteira por Fernandinho Beira Mar. Foi processado pela Justiça brasileira quando tentou enviar do Paraguai 492 quilos de cocaína em agosto de 2004, e a operação foi abortada por agentes federais, que interceptaram o carregamento em 22 de agosto de 2004. Conhecido como "Rei da Fronteira", morreu em um tiroteio na noite de 15 de junho de 2016, em uma emboscada realizada no centro da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, onde morava. Rafaat teria assumido as rotas do tráfico que pertenciam ao então maior traficante do país, Fernandinho Beira-Mar, nos anos 2000. (Nota da IHU On-Line)

[12] Fábio Magalhães Candotti: doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo – USP. É professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Desenvolve pesquisas em sociologia e antropologia urbana, com ênfase em mobilidades e saberes, relações de poder e violências, gênero e raça, fronteiras e territorialidades. É coordenador do grupo de pesquisa Ilhargas – Cidades, Políticas e Saberes na Amazônia – UFAM, do programa de extensão Observatório da Violência de Gênero no Amazonas (MEC/SESU/UFAM) e do projeto de pesquisa Regimes de mobilidade espacial na Amazônia urbana (CNPq). (Nota da IHU On-Line)

[13] Flávia Melo da Cunha: doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo – USP, mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Docente da UFAM. Dedica-se a projetos de pesquisa e extensão em Antropologia do Direito, Estudos de Gênero e Violência, Direitos Humanos, Segurança Pública e Justiça na região do Alto Rio Solimões, na tríplice fronteira de Brasil-Peru-Colômbia. Integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Amazonas. Pesquisadora do Programa Observatório da Violência de Gênero no Amazonas. (Nota da IHU On-Line)

[14] Ítalo Barbosa Lima Siqueira: bacharel em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará – UFC. É pesquisador do grupo de pesquisa Ilhargas – Cidades, Políticas e Saberes na Amazônia (UFAM/CNPq). (Nota da IHU On-Line)

[15] Carolina Grillo: doutora em Ciências Humanas, mestre em Sociologia e graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de São Paulo – USP. Pesquisadora associada do Núcleo de Estudos da Cidadania Conflito e Violência Urbana (NECVU/IFCS/UFRJ). (Nota da IHU On-Line)

[16] Antônio Carlos Rafael Barbosa: doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/Museu Nacional, mestre em Antropologia e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense – UFF. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Nova de Lisboa e na UFF. Professor associado do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFF. Autor do livro Um abraço para todos os amigos: algumas considerações sobre o tráfico de drogas no Rio de Janeiro (Niterói: EDUFF, 1997) e organizador, em colaboração, do livro (I)legal: etnografias em uma fronteira difusa (Niterói: Eduff, 2013). Atualmente coordena o Grupo de Estudos em Antropologia e Movimentos Minoritários no âmbito do Núcleo de Pesquisa "Cosmopolíticas" da Universidade Federal Fluminense. (Nota da IHU On-Line)

[17] Comando Vermelho: é uma das maiores organizações criminosas do Brasil. Foi criada em 1979 na prisão Cândido Mendes, na Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, como um conjunto de presos comuns e presos políticos, militantes de grupos armados, sendo os presos comuns membros da conhecida Falange Vermelha. Entre os integrantes da facção, que se tornaram notórios depois de suas prisões, estão o líder Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP, Mineiro da Cidade Alta, Elias Maluco e Fabiano Atanazio (FB). O CV tem ramificações em outros estados brasileiros como Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, Pará, Maranhão, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas e algumas partes de Minas Gerais, Piauí, Paraíba, Pernambuco e da Bahia. Nos estados do Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso, Acre, Ceará e Tocantins o CV é maioria no sistema penitenciário. (Nota da IHU On-Line)

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