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Morre, aos 81 anos, Theotônio dos Santos, um dos criadores da Teoria da Dependência

O economista político e sociólogo brasileiro Theotônio dos Santos morreu nesta terça-feira (27), aos 81 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Foi um dos formuladores da Teoria da Dependência, e um dos principais formuladores da Teoria do Sistema Mundo.

Do IHU, 28 de fevereiro, 2018

imagem: Blog de Canhota

A reportagem é publicada por Diálogos do Sul, 27-02-2018.


Natural de Carangola, interior de Minas Gerais, militou na Polop (Organização Revolucionária Marxista Política Operária). Foi um dos fundadores da Revista Diálogos do Sul e colaborou com a publicação até o fim de sua vida. Escreveu 38 livros, foi co-autor ou colaborador de 78 livros. Seus trabalhos foram publicados em 16 línguas.

A seguir, compartilhamos a homenagem publicada pelo professor Carlos Eduardo Martins, professor do Programa de Estudos sobre Economia Política Internacional (UFRJ), coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ) e coordenador do Grupo de Integração e União Sul-Americana do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso): “Se Theotônio se vai fisicamente deste mundo, o sonho de um socialismo democrático e a continuidade de sua obra permanecem como desafio aberto para as novas gerações e para os muitos que diretamente ou indiretamente influenciou”.

Leia a nota na íntegra:

Prezados, acabo de saber da morte de Theotônio dos Santos. Theotônio, que foi meu professor na graduação da PUC nos anos 1980, e com quem trabalhei 20 anos, entre 1991-2011, deixa um legado importante para as ciências sociais e para a esquerda brasileira.

Sua obra é referência indispensável para se compreender as grandes tendências e contradições do capitalismo contemporâneo, sua crise civilizatória, assim como as mazelas do capitalismo dependente, que transforma este Brasil, com tanta potencialidade e vocação democrática, num país tão persistentemente desigual e injusto, cuja vida é violada pela reemergência estrutural de tendências fascistas que se entrelaçam com as liberais. Lamentavelmente, a tragédia política brasileira que estamos vivenciando e o parentesis democrático que foi a Nova República, só ressaltam a agudeza crítica e a pertinência de sua obra.

Junto com Ruy Mauro Marini e Vânia Bambirra, Theotônio foi fundador e grande expoente da Teoria Marxista da Dependência e, dos três, o que mais conseguiu ultrapassar o bloqueio que sofreram do pensamento institucionalista — desenvolvimentista ou neoliberal — no Brasil.

Theotônio foi quem mais internacionalizou a teoria marxista da dependência, concebendo-a como uma primeira etapa da construção de uma teoria marxista do sistema mundo, dialogando com Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi, Samir Amin, Andre Gunder Frank, Beverly Silver e tantos outros que trouxe ao Brasil.

Theotônio e Vânia não tiveram tempo para viver o que mais queriam: a época em que a teoria da dependência fosse peça de museu. Mas se Theotônio se vai fisicamente deste mundo, o sonho de um socialismo democrático e a continuidade de sua obra permanecem como desafio aberto para as novas gerações e para os muitos que diretamente ou indiretamente influenciou.

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