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Cinco hipóteses para a Intervenção Militar no Rio, por Ion de Andrade



Do GGN, 18 de Fevereiro, 2018

Por ION DE ANDRADE



Cinco hipóteses para a Intervenção Militar no Rio

O tabuleiro da política nacional após o golpe e após a maldição do pré-sal é extremamente complexo. O Rio de Janeiro é a um só tempo a sede da Rede Globo, a sede operacional do Pré-Sal e a cidade potencialmente mais explosiva do Brasil pois ali as assimetrias sociais se assentam sobre uma geografia onde as periferias cercam as elites.

Sem mais delongas, penso haver cinco hipóteses válidas para explicar a intervenção militar no Rio de Janeiro. Os próximos dias serão decisivos para irmos entendendo o que ocorreu com mais profundidade.

1. A Intervenção como cortina de fumaça para um recuo na Reforma da Previdência


Essa hipótese não exige maiores explicações. Derrotado na Reforma da Previdência o governo criaria um factoide capaz de, por si só, justificar a impossibilidade de levar a matéria a votação, pois, sob intervenção federal a Constituição não pode ser modificada, como a Reforma da Previdência é uma PEC, estaria sacrificada e o governo não figuraria como derrotado.

2. A intervenção como uma ocupação da cidade potencialmente mais explosiva do Brasil diante de uma Reforma da Previdência líquida e certa.


Nesse caso, a intervenção teria sido disparada assim que o governo fechou o quantitativo suficiente de votos para a aprovação da Reforma. Nesse caso a presença do exército seria o posicionamento prévio de forças militares para conter a fúria previsível do povo numa cidade em que alguns alvos óbvios poderiam ser pesadamente atingidos. Esse cenário exigirá do Exército a repressão de um povo coberto de razão. Aqui a ideia da "suspensão" da intervenção para votar a Reforma da Previdência ganha total sentido.

3. A intervenção como preparo para a militarização do golpe


A ocupação do Rio seria um exercício e o preparo de uma militarização geral do Regime, fortalecendo o protagonismo dos militares e aplicando o ideário bolsonariano sob a batuta de Temer.

4. A intervenção como cartada eleitoral


Nesse caso, após a clareza meridiana de sua tremenda impopularidade, demonstrada por ocasião do carnaval o presidente ilegítimo estaria criando alguma iniciativa política em relação a um dos principais problemas nacionais, a Segurança Pública. A ideia é que tendo sucesso poderia ganhar viabilidade eleitoral.

5. Libanização da província petroleira


Muitas supostas “blitzkrieg” se tornaram crônicas devido a surpresas que prolongaram o conflito. A ideia aqui é que o imperialismo, interessado em enfraquecer de forma irreversível a governança brasileira sobre o Petróleo criasse no Rio de Janeiro ambiente de caos comparável ao que foi criado no Líbano, no Iraque ou na Líbia. Nesse caso os seus agentes a um só tempo teriam estimulado a intervenção militar no estado e já teriam armado o crime organizado para que tenha poder de fogo suficiente para produzir baixas e perdas ao Exército, perenizando o conflito com o propósito de ajoelhar a cidade.

Cada um desses cenários privilegia a ação de um protagonista ou de um interesse e me parece que até aqui nenhum deles pode a priori ser descartado. O Exército deve estar muito atento para não estar sendo instrumentalizado para fins escusos ou para cenários onde seja jogado contra o povo ou contra um poder criminoso aliado aos inimigos do país e interessado apenas em alimentar o caos.

Os próximos dias dirão para onde caminhamos.

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