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Aplaudido de pé no Festival de Berlim, “O Processo” chegou a um veredito: foi golpe!



Do GGN, 24 de Fevereiro, 2018
Enviado por Franklin Jr.do Mobai



Aplaudido de pé, por longos minutos, o filme “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, estreou nesta última quarta-feira (21), na Mostra Panorama do Festival de Berlim, com enorme sucesso de crítica e de público.



Aguardado, principalmente por todos aqueles que lutam pela democracia no Brasil e denunciam o golpe sofrido por Dilma Rousseff, a indicação do filme para o Berlinale, o mais importante festival de cinema do mundo, foi notícia festejada por todos que denunciam a farsa do impeachment.

Após dois anos de produção, reunindo peças de 450 horas de filmagens em Brasília, desde o vergonhoso dia 17 de abril até o dia 31 de agosto e com acesso livre aos bastidores e à conversas reservadas no Planalto, Senado e Câmara, a cineasta brasileira apresentou, em primeira mão ao mundo, uma versão inédita do Golpe de 2016 – a versão da realidade.

“Faço filmes para entender a realidade. O que estava acontecendo no Brasil me preocupava muito”, disse a cineasta brasileira, em entrevista à AFP.

O processo que desencadeou o golpe no Brasil preocupa, ainda hoje, defensores da democracia no Brasil, juristas, intelectuais e toda a esquerda mundial. Passados dois anos do impedimento do mandato de Dilma Rousseff, entender a realidade, sob a ótica e narrativa midiáticas de um golpe midiático, é tarefa humanamente impossível. A maior dificuldade dos brasileiros é explicar aos estrangeiros como foi permitida a interrupção de um mandato legítimo e de um processo democrático, vitorioso nas urnas, por quatro mandatos consecutivos. O poder de uma mídia privada dando voz exclusiva à personagens que beiram ao ridículo, não facilitava o entendimento. Pouco se fala, pouco se compreende e pouco é difundido na Europa, dado o escasso material e a censura imposta para que se prevaleça o impedimento da democracia no Brasil, injusta e ilegalmente.

Sem espaço de fala, a resistência contra o golpe no Brasil vem sendo silenciada, desde a reeleição de Dilma Rousseff. Após o processo que a impede de cumprir e finalizar seu mandato, a mansa aceitação ao golpe fez surgir, de forma espontânea e legítima, comitês Pela Anulação do Impeachment e de Luta Contra o Golpe, organizados pela sociedade civil no Brasil e por brasileiros residentes no exterior, fazendo destes instrumentos populares, espaço de denúncia, da farsa que interrompeu de forma absurda, o mandato da primeira mulher eleita e reeleita no nosso país.

A QUEDA DO MURO DO SILÊNCIO: DO PROTESTO AO VEREDITO DE BERLIM

Enquanto a resistência popular da nossa militância saía às ruas do país e do mundo denunciando o golpe no Brasil, informando que o processo de impeachment é legalmente anulável, reunindo centenas de milhares de assinaturas pela anulação do impeachment, no universo artístico, a cineasta e sua equipe passaram dois anos organizando a ordem cronológica dos fatos que teriam o papel de trazer ao mundo o entendimento definitivo do que aconteceu no Brasil, à partir daquele vergonhoso 17 de abril de 2016.

A estreia do filme de Maria Augusta Ramos, no festival mais importante da Europa, era um fato político e uma rara oportunidade de denúncia internacional do golpe político-jurídico-midiático no Brasil. Militantes dos comitês de Zurique, Paris e até do Brasil, se deslocaram à Berlim, para acompanhar a estreia de “O Processo”.

Horas antes, se concentraram na Potsdamer Platz, chamando a atenção de brasileiros e estrangeiros que passavam pelo local, com faixas, cartazes, distribuição de panfletos e leituras de manifestos que explicavam o processo do golpe no Brasil e denunciavam o sequestro dos nossos 54,5 milhões de votos. A adesão de brasileiros à pauta da anulação do impeachment, se converteu em várias assinaturas em Berlim, para a Ação Popular que será entregue em 17 de abril de 2018.

O protesto em defesa de Dilma Rousseff, foi registrado em veículos do Brasil e do mundo, presentes para a estreia do filme. O silêncio e a censura dos meios de comunicação brasileiros, estavam sendo derrubados, como o muro daquela histórica praça.



Mais tarde, já na porta do cinema, nossa militância é surpreendida pela polícia local com uma falsa denúncia. Avisada de que a nossa militância era contrária à exibição do filme e que estaria ali para tumultuar a sessão, o golpe mostrava as caras em Berlim. Após muita negociação e depois de constarem a improcedência da tal denúncia, a polícia liberou a entrada de todos à sala de exibição.

Na sala lotada, militantes, ativistas, público estrangeiro, artistas, jornalistas e críticos de cinema, aguardavam a informação que lhes faltava para um julgamento público sobre o que ocorreu no Brasil, em 2016.

Maria Augusta Ramos conseguiu recriar para o cinema o que, ao povo brasileiro, não foi dado o direito – um tribunal justo à sua escolha soberana. Deu voz aos dois lados (o eleito pelo povo e o eleito pela mídia) e deixou ao espectador, o papel de anunciar a sentença final de “O Processo”, de acordo com cada consciência livre. Ao final do filme, os longos minutos de aplausos ao resultado da película, anunciaram o veredito – a Presidenta Dilma Rousseff não sofreu um processo de impeachment, mas sim, um golpe de Estado.

Com 2 horas e 17 minutos de exibição, a plateia saiu convencida. “O Processo” já pode ser considerado documento histórico do nosso país e peça fundamental para o entendimento, através da arte, de todos os mecanismos que ainda hoje sustentam o ataque à nossa democracia. Farsas processuais, acusações infundadas, grande apoio midiático e ampla censura à voz da defesa e da resistência, são os pilares de sustentação do golpe de 2016 que, ainda hoje, fazem vítimas, a exemplo de Lula.

Sem economizar na realidade dos fatos, em momentos do filme de Maria Augusta, é possível identificar o processo de surgimento da nossa militância pela anulação do impeachment. A emoção toma conta da nossa militância quando ela é pega de surpresa, assistindo sua própria história de luta, na grande tela.

O filme, ainda inédito no Brasil, espera percorrer os circuitos dos festivais internacionais antes de chegar ao grande público brasileiro. A expectativa no Brasil, à partir da repercussão do filme na mostra mais importante do cinema-verdade da Europa, é grande.

A censura da informação no nosso país e a carência de informações dos reais acontecimentos do Brasil, no exterior, explicam o grande sucesso da estréia do filme de Maria Augusta Ramos, no Festival de Berlim.

O mais importante prêmio ao Brasil, esperado agora pelo povo brasileiro, é o resgate ao respeito do voto popular, com a anulação do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Matéria originalmente publicada no site do MOBAI, disponível em: https://mobai.ch/blog/archives/315

Vídeo adicional: Filippo Pitanga (direto de Berlim) analisa documentário O PROCESSO de Maria Augusta Ramos na Berlinale 2018, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6JXZJZFLErU

Vídeo adicional: Flávio Aguiar (direto de Berlim) comenta "O Processo" em reportagem da Rede TVT, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uPZS1J97Oxw&t=4s

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