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Juventudes e cultura de paz em debate


Do IHU, 14 Novembro 2017
Por: Paula Nishizima


Juventudes e cultura de paz foi o tema responsável por reunir os(as) adolescentes e jovens participantes do ciclo de encontros Juventude e Democracia, na noite da última quinta-feira (09/11), na biblioteca do Colégio Estadual Polivalente, no Boqueirão, em Curitiba (PR). A atividade é promovida pelo CEPAT.

A oficina foi mediada pelos(as) educomunicadores(as) do coletivo Parafuso Educomunicação, e iniciou com uma chuva de ideias com base no questionamento principal “O que é preciso para termos uma cultura de paz?”. A partir daí, surgiram falas sobre respeito à diversidade, às mulheres e educação inclusiva, além de terem sido problematizadas questões como a importância de se colocar no lugar do outro, a desmilitarização das polícias e o diálogo interreligioso.




A violência na história do Brasil

Durante a atividade, também foi exibido um trecho do primeiro episódio da série Lutas.doc, produzida pela Buriti Filmes e Gullane em coprodução com a TV Brasil. O vídeo (intitulado Guerra sem fim?) traz falas de especialistas, trechos de filmes nacionais e recursos de animação para relembrar conflitos históricos e desconstruir a ideia do povo brasileiro como pacífico e cordial. A partir disso, são apontadas contradições na maneira como os(as) brasileiros(as) se relacionam no dia a dia, tanto reproduzindo uma violência histórica quanto buscando amenizá-la por meio da linguagem.

Com base no material, foram discutidas as consequências desse cenário em diferentes níveis, especialmente para a juventude. Em meio a um contexto de violência urbana, a maioria das vítimas de homicídio no Brasil são homens jovens e negros, como aponta o vídeo Queremos ver os jovens vivos, da Anistia Internacional, que também foi exibido na atividade. Outro ponto comentado durante a oficina foi a criminalização da juventude de periferia, traduzida na frequência com a qual adolescentes e jovens de bairros periféricos são abordados em batidas policiais.

Além disso, a maneira que nos relacionamos e os julgamentos que fazemos de grupos sociais distintos também podem carregar consigo uma violência simbólica, que contribui para a ideia de que determinados grupos são mais importantes que outros. “A violência influencia muito o jovem, porque é bem provável que ele(a) faça o que viu quando era mais novo(a)”, comenta Israel Rocha, de 20 anos, que participou da atividade.

Durante a conversa, os(as) jovens foram incentivados a pensarem sobre se e como reproduzem uma comunicação violenta no dia a dia. Sugiram falas a respeito de brincadeiras e apelidos que são usados entre amigos em momentos de descontração, mas que acabam refletindo um determinado tipo de discriminação. “O principal impacto seria esse ‘método de demonstração’, que leva nós, jovens, a praticar (a violência), mesmo que seja sem querer”, explica João Vitor Campos, de 18 anos, participante da oficina.
A comunicação no enfrentamento à violência

Ao término da oficina, os(as) participantes foram incentivados a produzir algum tipo de conteúdo com base na temática do encontro, como forma de alcançar outras pessoas a partir desse diálogo inicial. Alguns(mas) se propuseram a produzir pequenos jogos (como caça-palavras e palavras cruzadas), um rap e uma paródia. “Por muitos anos, não combati a violência, mas sempre ajudei as vítimas. Para combater a cultura da violência, movimentos devem ser feitos, pessoas devem falar, devem compartilhar”, reflete João Vitor Campos.

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