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Jango, o Dia do Professor e milhares de docentes sem salários no RJ, por Roberto Bitencourt



Do GGN, 15 de Outubro, 2017
Por Roberto Bitencourt


O Dia do Professor, data comemorativa que visa valorizar o magistério nacional, foi reconhecido oficialmente no ano de 1963, em decreto editado pelo grande presidente João Goulart.

Não é gratuito que precisamente no governo do presidente que mais próximo chegou de abrir os caminhos da soberania política, produtiva e tecnológica nacional, assim como o governo que mais estimulou a participação popular direta nos processos decisórios e na agenda pública, a homenagem ao professor tenha sido feita.


Por uma dessas coincidências da vida, Jango foi o presidente mais perseguido pelas forças burguesas e oligárquicas, reacionárias e entreguistas, domésticas e externas. De tão perseguido e submetido ao ódio conservador, o ex-presidente destituído pela força ilegítima não conseguiu mais pisar em suas terras. Morreu no exílio.

Parte desse mesmo e antigo ódio reacionário contra o ideal de um Brasil potente e soberano, com um Povo altivo e participativo – um País que tanto precisa da educação –, hoje canaliza a sua energia destrutiva e entreguista à desmoralização, satanização e desvalorização do ensino e dos professores. O chamado movimento "escola sem partido" é uma das suas expressões.

Com efeito, é importante lembrar que nessa data comemorativa os professores do ensino público estadual do Rio de Janeiro, especialmente da educação superior, encontram-se com três salários e meio atrasados, assim como boa parte dos aposentados.

O governo estadual fluminense, não dá qualquer satisfação, esclarecimento. Não há pudor em simplesmente escantear esses professores e aposentados dos pagamentos. Outros setores do funcionalismo estadual recebem seus salários. Aqueles são considerados “não prioritários”. Uns "restos descartáveis", na ótica do PMDB de Pezão e Temer.

Para o magistério superior estadual do Rio de Janeiro, a avaliação de que tal procedimento arbitrário se trata de um laboratório nacional para redesenhar o escopo das atribuições do Poder Público, encerrando a educação superior, é a cada dia mais disseminada.

Em todo caso, é necessário parabenizar os/as professores/as, especialmente do Rio de Janeiro, vinculados à Uerj, Faetec, Uenf, Uezo e Cecierj, que cobrem a oferta estadual diversificada de ensino universitário no estado.

Segmentos do magistério escolhidos pelos governos estadual e federal – que tanto asfixia, constrange e pressiona financeira e administrativamente o Rio de Janeiro, em conluio com o governo do estado – para redesenhar as funções do Estado brasileiro, visando acabar com a educação superior pública, a pesquisa e a produção de conhecimento. Com três salários e meio sem receber, atrasados, eis o presente que recebem no Dia do Professor.

Parabéns para esses professores e professoras, porque a perseguição odienta não é casual. Por décadas dedicando-se a áridos e extenuantes estudos, ao ensino e à pesquisa, direta ou indiretamente são profissionais que procuram oferecer suas contribuições para um País melhor, dotado de soberania popular, altivez nas relações internacionais, domínio produtivo técnico-científico, menores índices de desigualdade social e econômica.

Contra tudo isso os governos estadual e federal perseguem e avexam ao professorado, tendo em vista incrementar a superexploração da nossa gente trabalhadora, o amesquinhamento da base produtiva, técnica, cultural e científica brasileira, deixar o País de joelhos, entregue a uma ignominiosa e subordinada dependência cavalar em relação às potências imperialistas do capitalismo.

Os governos federal e estadual do Rio agem em prol de tudo aquilo que o ex-presidente Jango tanto abominava, um presidente, assim como os professores fluminenses de hoje, que encarnou lutas sociais e visões de Brasil em sentido absolutamente contrário aos que lhe retiraram o mandato e àqueles que hoje gozam de prerrogativas mandatárias, de forma ilegítima e igualmente golpista.

Parabéns para os/as professores/as do Brasil e, sobretudo, aos do Rio de Janeiro, porque mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, a atual e preponderante canalha vende pátria, que odeia o professorado, passará. E os professores e as professoras passarinho. Para o bem da nossa juventude e da nossa Pátria.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

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