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A ideia do comum | Christian Laval, Pierre Dardot e Christian Dunker [áudio original]



Por Christian Ingo Lenz Dunker.

O debate que tivemos com Christian Laval e Pierre Dardot parece cair em um momento crucial da situação brasileira. Mais do que nunca, se acirra no Brasil de hoje a falsa oposição entre o Estado e o mercado. Ao identificarmos o estatal com o público, e o público com o estatal ficamos sem alternativa positiva e prática aos argumentos de austeridade que justificam e naturalizam o desmonte de direitos, a precarização de equipamentos e predação de bens públicos. Essa autêntica terapia de reversão força uma escolha entre o Estado-público e a possessão privada. Por trás desta retórica há um argumento econômico: não há dinheiro para tudo e para todos. Começa então uma luta administrada para resistir ou se reapossar do Estado.

A alternativa que Dardot e Laval nos apresentam em seu novo livro, Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI, ultrapassa justamente este ponto. Criticando o paradigma estatista, que no Brasil tornou-se sinônimo agressivo de esquerda, eles nos mostram como esta é uma falsa escolha, precisamente porque além do Estatal e do privado há o comum. O comum que pode ser gerido e instituído de forma comum. O comum que subverte o binário formado por usuários de um lado e funcionários do outro.

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