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Paraguai. Após protestos, governo anuncia aumento salarial para professores

Do IHU, 01 Setembro 2017
Por: Lara Ely 

Para pleitear mais investimentos nas escolas, milhares de alunos do sistema público e privado saíram às ruas de Assunção, capital paraguaia, nesta terça-feira (29), colocando o tema do ensino público novamente na agenda do dia. O burburinho teve efeito: no mesmo dia, o Ministério da Educação e Ciência – MEC informou que aumentará em 12% o salário dos docentes.

Ao contrário do que ironicamente se poderia dizer em alusão aos produtos piratas de Ciudad del Leste, estudantes paraguaios não são falsificados – sua causa tem legitimidade. Enquanto na América Latina o investimento do PIB na educação cresceu de 4,6% para 5,2% entre os anos 2000 e 2013, no Paraguai houve queda de 5,3% para 3,9% no mesmo período.

Formado por um grupo de secundaristas que se apresenta como movimento social, a Federação Nacional de Estudantes Secundários – Fenaes é um espaço de participação estudantil que tem apresentado propostas e ações para melhorar a educaçãono país. Além de um orçamento próprio para a pasta da educação, eles pedem a implantação da política nacional de alimentação nas escolas, mais equipamentos para a formação técnica e a aquisição de tablets para as salas de aulas.




Segundo disse o porta-voz do movimento, Carlos Colarte, à reportagem da rede de televisão estatal venezuelana Telesur, o que se quer são benefícios estendidos a todo o país e não somente um plano piloto, como propõe o governo de Horacio Cartes.“Protestamos para solicitar ao MEC mais orçamento para infraestrutura, ajuda para o investimento técnico e um reforço do suplemento nutricional nas escolas”, disse ele.

No mesmo dia da manifestação, o responsável pelo Ministério da Educação, Enrique Riera, informou um aumento salarial de 12% ao ano para professores do setorpúblico e funcionários administrativos. O aumento é gradativo a partir de 2018, pelos próximos quatro anos, e inclui a qualificação do corpo docente, com treinamentos e avaliações contínuas dos profissionais em sala de aula.

“Passamos de uma proposta de 42 milhões de dólares a 79 milhões de dólares. O presidente decidiu cortar outros planos de investimento para apostar nisso e provavelmente parar de fazer alguma ponte ou algum outro trabalho para cumprir esse compromisso tão desejado “, informou Rieira na página oficial do governo.

Após dois meses parados, peruanos não descartam greve de fome

O desemparo ao setor do ensino não é demérito exclusivo da gestão paraguaia. Situação semelhante ocorre em outros países do continente, sobretudo no Peru, de Pedro Pablo Kuczynsk, onde a greve dos professores, que fechou o acesso a Machu Pichu durante manifestação, já ultrapassa 70 dias.

Por lá, a discussão principal gira em torno do sistema de avaliações de rendimento ao qual os professores são submetidos. Eles alegam que correm o risco de perder o posto em caso de não serem aprovados. Mas, como em grande parte da América Latina, a questão salarial também está no rol de anseios dos manifestantes: eles exigem um aumento do piso salarial para 4.050 soles. Caso não obtenha o resultado que busca nas negociações, o dirigente nacional da mobilização, Pedro Castillo, não descarta greve de fome.

Em artigo publicado no site América Latina em Movimento, o advogado e cientista político Luis Hallazi Méndez analisa a conjuntura da crise na educação a partir do modelo econômico neoliberal. Segundo ele, a transferência do papel do ensino do estado para as instituições privadas é responsável por afastar as conquistas de direitos históricos obtidas no âmbito do ensino público.

Ao citar dados sobre o número de escolas públicas no país (cerca de 2 mil) e privadas (cerca de 6 mil), ele reforça que é preciso contestar a ideia de que a educação privada deve ser a de melhor qualidade, como está enraizado no pensamento dos peruanos.

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