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''A inteligência artificial causará a Terceira Guerra Mundial'', afirma Elon Musk

Do IHU, 05 Setembro 2017
Por Simone Cosimi, publicada no jornal La Repubblica. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


O vulcânico empresário não acredita na ameaça norte-coreana e lança uma discussão ao comentar as declarações de Vladimir Putin: “Um novo conflito poderia ser iniciado não pelos líderes dos vários países, mas por um dos seus sistemas de inteligência artificial”.

Entre ameaça nuclear e inteligência artificial, Elon Musk, o voluntário patrocinador da Tesla, SpaceX, Hyperloop e várias outras empresas, todas com alta taxa de inovação, faz as suas previsões sobre o futuro do mundo e sobre uma possível Terceira Guerra Mundial alimentada e até mesmo desencadeada pelas próprias inteligências artificiais.

Os pontos de partida são dois: por um lado, mais um teste atômico da Coreia do Norte, devastador desta vez, com uma bomba de hidrogênio que explodiu na montanha de Punggye-ri, provocando alguns terremotos que duraram vários segundos, avaliados em 6,3 e 4,6 graus na escala Richter.

Por outro lado, as declarações de Vladimir Putin, feitas durante uma conferência transmitida na última sexta-feira via satélite para mais de um milhão de estudantes russos para a inauguração do ano letivo, segundo o qual “a inteligência artificial é o futuro, não só para a Rússia, mas para todo o gênero humano. Ela traz enormes possibilidades, mas também ameaças que são difíceis de prever. Qualquer pessoa que se torne líder nesse âmbito será o soberano do mundo”.

Musk, que também está profundamente envolvido no setor – basta pensar na automação dos seus Tesla –, é também, e não de ontem, bastante crítico em relação aos riscos ligados ao desenvolvimento de redes neurais cada vez mais sofisticadas e inteligentes artificiais capazes, mais cedo ou mais tarde, de tomar um caminho determinado em plena autonomia, sem a supervisão do ser humano.

Ele também fundou, com outros, a OpenAI, uma fundação para a pesquisa que busca dirigir esse campo para caminhos pacíficos. Em julho passado, o empresário sul-africano naturalizado estadunidense, por exemplo, convidou os governos a regular o âmbito, instituindo regras e princípios que permitam, de algum modo, guiar os seus passos nos próximos anos.

Há poucos dias, ele voltou à questão um apelo à ONU para frear a corrida rumo aos armamentos autônomos, assinado com outros 116 empresários e especialistas reunidos na International Joint Conference on Artificial Intelligence, em Melbourne.

A questão é tão cara a ele que ele voltou ao assunto também no Twitter. Nessa segunda-feira, no seu perfil, ele relançou um artigo sobre as frases de Putin e, depois, desencadeou uma longa discussão, na qual ele continuou participando com várias respostas sobre o assunto.

“China, Rússia, em breve todas as nações fortes na informática” desenvolverão sistemas de inteligência artificial, afirma. “A competição pela superioridade pode provocar a Terceira Guerra Mundial.”

A mensagem oculta é que essa disputa corre o risco de ser mais complexa e perigosa para o destino da população mundial do que o braço de ferro com Pyongyang.

Mais tarde, Musk voltou a ressaltar que – em uma espécie de previsão apocalíptica da chamada singularidade tecnológica, isto é, do momento em que as inteligências artificiaissuperarão as humanas – “um novo conflito internacional poderia ser iniciado não pelos líderes dos vários países, mas por um dos seus sistemas de inteligência artificial, se este decidisse que um ataque preventivo é o caminho ideal para a vitória”.

Em suma, o alerta é sempre o mesmo: poderia não ser mais necessário que alguém pressione o botão vermelho, porque as máquinas poderiam fazer isso sozinhas.

O fato de que a Coreia do Norte, de Kim Jong-un, no centro das preocupações da comunidade internacional e das discussões do Conselho de Segurança convocado para essa segunda-feira, pode provocar um conflito de porte planetário parece altamente improvável a Musk: “Seria suicida para a sua liderança”, tuitou o chefe da Tesla, nada novo nessas rixas sobre política internacional. “A Coreia do Sul, os Estados Unidos e a China a invadiriam, decapitando o regime imediatamente.”

Nem todos concordam com o empresário. Durante a troca de mensagens, ainda em desenvolvimento, a ponto de ter reunidos mais de 8.000 respostas e 14.000 “curtidas”, alguns responderam que o jovem marechal não é exatamente alguém que pensa de modo racional, outros lhe responderam que os governos nunca seriam capazes de desenvolver seus próprios sistemas de inteligência artificial e que as autênticas ameaças virão de empresas privadas. Tentando, assim, colocar o empresário contra o muro.

Musk reagiu com alguns tuítes, explicando, por exemplo, que os governos não devem seguir as regras e poderão obter essas soluções de inteligência artificial quando quiserem e usá-las para chantagear os outros.

Outros usuários, ainda, céticos sobre essa leitura dos fatos, ressaltaram que, posta dessa forma, a questão Coreia do Norte parece realmente algo de pouca importância. E o fundador da SpaceX, que várias vezes definiu a inteligência artificial como uma espécie de “demônio” que estamos evocando sem pensar nas consequências, também voltou à questão: “A Coreia do Norte deveria ocupar um lugar muito baixo na lista das nossas preocupações. Ela não tem alianças a ponto de poder provocar um conflito global”.

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