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'Os africanos serão os maiores perdedores deixando o exército estrangeiro entrar no continente'

A África se tornou um palanque onde os países estrangeiros podem mostrar suas capacidades militares um contra o outro longe de seus países de origem


















Da página Carta Maior, sexta-feira, 18 de agosto, 2017
Por RT News



A África se tornou um palanque onde os países estrangeiros podem mostrar suas capacidades militares um contra o outro longe de seus países de origem às custas dos africanos, disse o experto em assuntos africanos, Ayo Johnson.

A Turquia está se montando para abrir sua maior base militar além mar na Somália.

Os Emirados Árabes Unidos estão construindo uma base militar no porto de Berbera, na auto-declarada República de Somaliland.



A África é um atrativo aos exércitos estrangeiros: a China abriu sua primeira base militar além mar no dia 1 de Agosto em Djibouti. Que também é onde estão alocadas tropas norte-americanas, japonesas e francesas.

O RT discutiu o porquê da África ter se tornado tão popular entre os exércitos militares com o expert em assuntos africanos, Ayo Johnson, que acredita que as potencias mundiais estão transformando o continente em um teatro de confrontação militar.


“Nos tempos coloniais, vimos a África ser cortada e escavada pelas nações ocidentais. Agora vemos a África, novamente, sendo o palanque de uma nova vertente de protótipo de guerra por causa de todos esses países que estão fundando bases militares no continente africano. É uma grande preocupação”, disse Johnson ao RT.

Na opinião de Johnson, “isso mostra que os africanos não podem se proteger e também mostra que não podem controlar suas próprias questões domésticas”.

“Temos a China que já tem uma base militar própria, e a justificativa é que o país quer proteger seus investimentos que sabemos que estão por todo o continente. Também, usa como justificativa a prevenção contra a pirataria”, disse Johnson.


“Os norte-americanos têm bases similares, sem mencionar os europeus. Então, no território, o continente está se tornando palanque para o próximo confronto possivelmente violento entre as potências do mundo em seus tais protótipos de batalhas”, ele continuou.

De acordo com Johnson, tal interesse no continente pode ser explicado por sua localização estratégica.

“O Chifre da África é a porta de entrada para muitas rotas de navios, então a proteção dessa área é importante para questões de pirataria a longo prazo. Mas outros diriam que é sobre apropriação de terra; é sobre influência”.


Os norte-americanos, os britânicos e outros europeus, sem mencionar os chineses mais recentemente, todos parecem ter muito em jogo e podem mostrar seus músculos e suas capacidades militares um contra o outro. A África, agora, se tornou um palanque no qual eles podem explorar essas oportunidades longe de seus países, um lugar em que podem mostrar as proezas de seus exércitos às custas dos africanos”, notou Johnson.

Mesmo com a presença cada vez maior do exército estrangeiro, o problema da pirataria na região continua sem resolução.

“Uma coisa é certa, a pirataria ainda existe e continuará e é improvável que pare”.

“Novamente, em termos de terrorismo, a Al-Qaeda e o EI ainda têm laços sólidos, controle e influência nessa parte do mundo e nas bases militares que estão posicionadas fisicamente lá. Se estiverem lá para prevenir tais ataques, creio que em curto prazo ou longo prazo poderia criar antagonismo, criar um problema para os locais que talvez queiram se juntar à essas organizações, para atacar os poderes militares que lá estão. Então a proteção da África se torna o reverso, se torna uma área onde todo mundo quer mostrar do que é capaz e é essa a preocupação”, disse ao RT.

Johnson alegou que “que isso tudo vem às custas de todas as nações africanas – e os maiores perdedores serão cada indivíduo do continente”.


Créditos da foto: rt news

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