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Organizações manifestam repúdio à anulação da Portaria Declaratória da Terra Indígena Jaraguá e exigem revogação das medidas anti-indígenas do governo


















Da página Combate Racismo Ambiental, sexta-feira, 25 de agosto, 2017
Do Cimi



Na última segunda-feira (21/8), o Governo Temer, por meio do Ministro da Justiça Torquato Jardim, anulou a Portaria n° 581 de 2015, que declarava 532 hectares de ocupação tradicional guarani na Terra Indígena Jaraguá. Nós, organizações da sociedade civil abaixo-assinadas, manifestamos nosso repúdio à medida e endossamos as manifestações da Comissão Guarani Yvyrupa e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Trata-se de uma medida inconstitucional que abre um grave precedente ao demonstrar a disposição do governo Temer em rever todos os processos de demarcação de Terras Indígenas para agradar a bancada ruralista, sua base no Congresso Nacional.

O também inconstitucional parecer nº 001/2017 da Advocacia-Geral da União, assinado por Michel Temer, busca servir ao mesmo propósito de inviabilizar as demarcações. Para isso impõe o uso das condicionantes do processo da TI Raposa Serra do Sol e do Marco Temporal para toda administração pública. O parecer da AGU atende exatamente às reivindicações de setores do agronegócio aos quais Temer precisa agradar para seguir seu mandato ilegítimo.

Da mesma forma, o governo Temer atende aos interesses do governo de Geraldo Alckmin em São Paulo, que é contra a demarcação da TI Jaraguá porque quer viabilizar seu projeto de concessões de Parques Estaduais para exploração da iniciativa privada.

Em decisão ilegal, através da Portaria n° 683 publicada na última segunda-feira (21), o ministro Torquato Jardim assina o confinamento de uma população de mais de 700 indígenas, mais da metade deles crianças, vivendo em apenas 1,7 hectare de terra: a menor área demarcada do país.

Para além da inconstitucionalidade e do autoritarismo do governo Temer, a medida escancara a total falta de sensibilidade humana com uma população que já vive em situação de extrema vulnerabilidade.

Diante disso, a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), junto com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e todo o fórum da Mobilização Nacional Indígena convocam a todos a participar de um ato público em defesa da Terra Indígena Jaraguá e em defesa de todas as demarcações de Terras Indígenas (veja aqui).

O ato acontece na próxima quarta-feira (30/08), às 17h, no Vão do MASP, em São Paulo (SP). As organizações abaixo-assinadas reforçam esse chamado e estarão presentes para, junto às comunidades indígenas, exigir:

– A imediata revogação do Parecer 01/2017 da AGU assinado por Michel Temer,

– A imediata revogação da Portaria n° 683 e a continuidade do processo de demarcação da Terra Indígena Jaraguá.

Assinam o presente manifesto:
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Comissão Guarani Yvyrupa – CGY
Centro de Trabalho Indigenista – CTI
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena – IEPÉ
Comissão Pró-Índio do Acre – CPI-AC
Comissão Pró-Índio de São Paulo – CPI-SP
Operação Amazônia Nativa – OPAN
Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAÍ
Rede de Cooperação Amazônica – RCA
Associação Terra Indígena Xingu – ATIX
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN
Hutukara Associação Yanomami
Conselho indígena de Roraima
Organização Geral Mayuruna – OGM
Associação Wyty Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins
Conselho das Aldeias Wajãpi – APINA
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME
Conselho Terena
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste – ARPINSUDESTE
Articulação dos Povos Indígenas do Sul – ARPINSUL
ATY GUASSU – Grande Assembleia do Povo Guarani
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB
União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA
Associação Kanamari do Vale do Javari – AKAVAJA
Associação dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AMAAIAC
Associação Ashaninka do Rio Amônia – APIWTXA
Associação de Desenvolvimento Comunitário do Povo Marubo do Alto Rio Curuçá – ASDEC
Associação Marubo de São Sebastião – AMAS
Associação do Povo Indígena Jiahui – APIJ
Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus – FOCIMP
Organização das Aldeias Marubo do Rio Ituí – OAMI
Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi – OPIAJ
Organização dos Professores Indígenas do Acre – OPIA

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