Pages

Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Política Brasileira de Aids

Na semana em que são lembrados os 20 anos da morte de Herbert de Souza, o Betinho(1935-1997), ativistas de todo o Brasil estarão nas ruas denunciando o descaso com que gestores dos três níveis (União, Estados e Municípios) têm tratado a epidemia de aids. A criação de uma falsa ideia de controle levou a um recrudescimento no número de mortes por aids no Brasil, hoje são duas a cada hora. Além de manifestações de rua, estão previstas ações nas redes sociais e atividades nas sedes das ONGs.

Assistimos ao crescimento da aids, principalmente entre jovens e nas populações vulneráveis, com o aumento de mortes e de casos, na contramão dos dados globais. Reconhecemos as conquistas obtidas nas últimas três décadas, fruto da mobilização social e da pressão política, mas não podemos fugir à atual realidade, em que estas mesmas conquistas estão, a cada dia, ameaçadas em função do retrocesso e da falta de comprometimento que se abate sobre as políticas de saúde em geral e do enfrentamento à epidemia de aids em específico.

A reportagem foi publicada por Articulação Nacional de Aids — Anaids e reproduzida por Jovem Soropositivo, 07-08-2017. Texto elaborado a partir do Manifesto preparado pelo Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo (Foaesp)e Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+).

As organizações comunitárias que trabalham com o tema sentem de perto esta realidade, recebendo cotidianamente em suas sedes pessoas que escapam muito dos perfis mostrados nas reportagens. São jovens, negros, pobres, muitos com coinfecções e outras doenças oportunistas e que aguardam nas filas dos serviços públicos pela oportunidade de tratamento, às vezes sem recursos mínimos para se deslocar até a unidade de saúde. Soma-se a isto a falta de financiamento de todas estas ações e a ameaça de final da destinação específica para aids, jogando os recursos num caixa único, sem definição de prioridades e ao gosto do gestor.
Em todo o Brasil a população vivendo com HIV passou de 700 mil para 830 mil entre 2010 e 2015, com 15 mil mortes de aids por ano, quase duas mortes por hora

Em todo o Brasil a população vivendo com HIV passou de 700 mil para 830 mil entre 2010 e 2015, com 15 mil mortes de aids por ano, quase duas mortes por hora. Por outro lado, os recentes episódios em todo o país de falta dos medicamentos antirretrovirais, cujo acesso universal é garantido por lei e sinônimo dos bons resultados alcançados pela resposta à aids no Brasil, exigem uma reação da sociedade.

Preocupados com este quadro, ativistas ligados às ONG e a redes de pessoas vivendo com HIV/aids se mobilizam em todos os estados dia 09 de agosto para chamar a atenção da sociedade brasileira para o problema. É preciso combater o preconceito e a aidsfobia que ganham cada vez mais vulto no Brasil. Caso contrário, teremos um quadro extremamente negativo da atual realidade de quem vive com HIV e aids em nosso país.
O momento é de luta e mobilização e não de ufanismos. Não vivemos em nenhum “País das Maravilhas”

O momento é de luta e mobilização e não de ufanismos. Não vivemos em nenhum “País das Maravilhas”. Há muito o Brasil não se configura como exemplo de combate à epidemia e muito ainda precisa ser feito para garantir um mínimo de qualidade de vida e de respeito à legislação que assegura o acesso à saúde como “um direito de todos e um dever do Estado”.

(Movimentos do Ceará, Pernambuco, Maranhão e São Paulo já confirmaram atividades para a semana da mobilização. No Ceará, o Fórum de ONGs Aids do Estado fará uma manifestação em frente ao Hospital São José, nesta terça-feira, dia 8, às 9h. Em São Paulo, o ato será realizado na quinta-feira, dia 10, às 18h, em frente à sede da prefeitura. Do dia 10 ao dia 12, delegações de ONG dos Estados da região sudeste estarão reunidas no Encontro Regional Sudeste de ONG/Aids.)

Leia mais
A aids é um problema de todos. Entrevista especial com Veriano Terto Jr.
Aids na África, os cristãos e o mal esquecido
Em parte da África, 3 em 4 pessoas com Aids não recebem tratamento
Aquela reação de Francisco à pergunta sobre a Aids e a camisinha
Francisco indica pouca preocupação sobre uso de preservativo na luta conta a Aids
Estudo conclui que mais pessoas morrem por poluição no ar que por malária e HIV/Aids juntos
Vale do Sinos: casos de AIDS no primeiro semestre de 2013
Ebola, AIDS, malária, cólera… a herança dos planos de ajuste estruturais
Oito novos casos de HIV/AIDS por mês em Sapucaia do Sul
Universidades jesuítas pedem o acesso a tratamentos antirretrovirais para todos os doentes de Aids
Mortalidade por aids cai 12% em 10 anos
8.607 casos de Aids no Vale do Sinos
Um óbito por HIV a cada dois dias no Vale do Sinos em 2014
Cuba é o primeiro país a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho

Nenhum comentário:

Postar um comentário