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Ataques à Constituinte eram esperados, diz cônsul da Venezuela

De Caros Amigos, 06 DE AGOSTO, 2017


Documento apoia Assembleia Constituinte que tomou posse nesta sexta (4), em Caracas

Por Lúcia Rodrigues
Caros Amigos

O Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela entregou, nesta sexta-feira (4), ao cônsul adjunto da Venezuela em São Paulo, Robert Torrealba, um manifesto de apoio à Assembleia Constituinte, que tomou posse na sexta (4), em Caracas. O documento é chancelado por dezenas de entidades, organizações, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda.

O manifesto e a comitiva foram saudados pelo cônsul. "É de vital importância para nosso país. E reafirma a solidariedade que existe entre os dois povos." Ele informa que o documento será encaminhado para o governo do presidente Nicolás Maduro. O apoio recebido também já foi divulgado na imprensa venezuelana.

Em relação à pressão internacional contra a Assembleia Constituinte, Torrealba é enfático ao afirmar que isso não o surpreende. "Não é novidade. É de praxe que a direita internacional questione o resultado das eleições na Venezuela. Aconteceu assim desde a nossa primeira eleição. Mas isso não nos preocupa. Contamos com um sistema eleitoral reconhecido como um dos melhores e mais seguros do mundo."

Nem mesmo as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, que pregou abertamente a derrubada de Maduro do cargo preocupam o governo, de acordo com Torrealba. "Não nos surpreende. Faz parte de uma articulação internacional de ataque à legitimidade do presidente Nicolás Maduro. Não é uma novidade e portanto não é motivo de preocupação."

Participação popular

A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, classifica como absurdo o ataque ao direito do povo venezuelano de escolher o seu destino. "A população assumiu em suas mãos o direito de fazer suas leis. Isso é um direito inalienável de qualquer povo. Mas na Venezuela praticam até atos de terror contra isso. Defender a paz na Venezuela e sua soberania é defender a paz no continente e no Brasil."

Para a representante da Articulação dos Movimentos Sociais da Alba ( Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Paola Estrada, o manifesto entregue ao cônsul pelo Comitê é importante porque deixa claro que as forças progressistas brasileiras apoiam o processo constituinte e o governo Maduro. "Se contrapõe à ofensiva brutal nos meios de comunicação e da direita fascista. É uma forma de desconstruir esses ataques", frisa.

O ex-deputado e presidente municipal do PC do B, Jamil Murad, também reforça a importância do apoio dos movimentos sociais, de partidos políticos e das centrais sindicais. "Esse apoio à democracia venezuelana, baseada na participação popular, é fundamental. Por isso, estamos aqui nos somando ao povo venezuelano para evitar o golpe." Ele também acredita que os Estados Unidos estão por trás dos protestos na Venezuela. "Têm feito isso ao longo da história. Estão por trás dos golpes que derrubaram o presidente João Goulart, a presidenta Dilma. E agora querem fazer o mesmo na Venezuela. Querem colocar no lugar de Maduro alguém que saqueie o petróleo venezuelano."

"A saída é sempre pela democracia. E a constituinte é uma das saídas mais democráticas que poderia haver. Por isso o PT apoia a assembleia constituinte. Ela é justamente o contrário do que está acontecendo aqui, onde os partidos golpistas tiraram uma presidente legitimamente eleita com 54 milhões de votos e implantaram um programa anti-nacional e anti-popular que não foi votado nas urnas", afirma Monica Valente, secretária de Relações Internacionais do PT e secretária executiva do Foro de São Paulo.

Leia abaixo o manifesto entregue pelo Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela.

"MANIFESTO PELA PAZ NA VENEZUELA

O povo venezuelano, livre e soberano, retomou em suas mãos o poder originário, elegendo massivamente representantes para a Assembleia Nacional Constituinte.

Mais de oito milhões compareceram às urnas, apesar do boicote e da sabotagem de grupos antidemocráticos, em um processo acompanhado por personalidades jurídicas e políticas internacionais que atestaram lisura e transparência.

Todas as cidades, classes e setores estão presentes, com seus delegados, na máxima instituição da democracia venezuelana.
A Constituinte é o caminho para a paz e a normalidade, para retomar o caminho do desenvolvimento e da prosperidade, para superar a crise institucional e construir um programa que reunifique a pátria vizinha.

De forma pacífica e democrática, milhões de cidadãos e cidadãs disseram não aos bandos terroristas, às elites mesquinhas, aos golpistas e à ingerência de outros governos.

Homens e mulheres de bem, no mundo todo, devem celebrar esse gesto histórico de autodeterminação da Venezuela, repudiando as ameaças intervencionistas e se somando a uma grande corrente de solidariedade.

Também no Brasil se farão ouvir as vozes que rechaçam a violência e a sabotagem contra o governo legítimo do presidente Nicolás Maduro.

Qual moral tem um usurpador como Michel Temer para falar em democracia, violando a própria Constituição de nosso país, ao adotar posições que ofendem a independência venezuelana?

O Brasil não pode passar pela infâmia de se aliar a governos que conspiram contra uma nação livre e se associam a facções dedicadas a tomar o poder de assalto, apelando para o caos e a coação.

Convocamos todos os brasileiros e brasileiras à defesa da democracia e da autodeterminação de nossos irmãos venezuelanos, ao seu direito de viver em paz e a definir o próprio destino.

Repudiamos as manobras de bloqueio e agressão que estão sendo tramadas nas sombras da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a batuta da Casa Branca e com a cumplicidade do governo golpista de nosso país.

Denunciamos o comportamento repulsivo dos meios de comunicação que manipulam informações e atropelam a verdade, para servir a um plano de desestabilização e isolamento.

Declaramos nossa solidariedade ao bravo povo de Bolívar. Sua luta pela paz também é nossa.

COMITÊ BRASILEIRO PELA PAZ NA VENEZUELA

São Paulo, 01 de Agosto de 2017.

ADESÕES

Receberemos adesões individuais e de organizações somente por email (paznavenezuelabr@gmail.com) até o dia 8 de Agosto de 2017.

ORGANIZAÇÕES:
1. Articulação brasileira dos movimentos sociais da ALBA
2. Brigadas Populares
3. Campanha Brasil Justo para todos e para Lula
4. Central de Movimentos Populares – CMP
5. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
6. Central Única dos Trabalhadores – CUT
7. Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – Cebrapaz
8. Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
9. Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini
10. Coletivo Poder Popular
11. Conselho Mundial da Paz – CMP
12. Consulta Popular
13. Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
14. Democracia no Ar
15. Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
16. Fundação Perseu Abramo
17. Instituto Astrojildo Pereira
18. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
19. Levante Popular da Juventude
20. Marcha Mundial de Mulheres – MMM
21. Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
22. Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA
23. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
24. Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
25. Partido Comunista do Brasil – PCdoB
26. Partido dos Trabalhadores – PT
27. Rede De Médicas e Médicos Populares
28. Sindicato dos Arquitetos
29. Sindicato dos Bancários de Santos
30. União Brasileira de Mulheres – UBM
31. União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
32. União da Juventude Socialista – UJS
33. União Nacional dos Estudantes – UNE


APOIADORES:
1. Aline Piva – Jornalista do Blog Nocaute
2. Amir Bertoni Gebara – Biólogo
3. Anivaldo Padilha - Teólogo
4. Aray Nabuco - Editor da Caros Amigos
5. Artur Araújo – Consultor de Orçamento e Gestão
6. Carlos Tibúrcio – Jornalista, editor do Democracia no Ar, Rede de Resistência Democrática
7. César Cordaro - Procurador aposentado
8. Clayton Figueiredo de Oliveira
9. Conceição Lemes – Jornalista
10. Cristiana Castro – Advogada
11. Denise Fon - Jornalista
12. Denise Ramiro – Jornalista
13. Eliana Ada Gasparini
14. Eliana Guimarães Silva
15. Emir Sader – Intelectual brasileiro
16. Ernesto Germano Parés – Jornalista, radialista e assessor sindical
17. Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da UFABC
18. Gladstone Leonel Júnior - Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense
19. Heitor Claro da Silva – Estudante de Ciências Sociais da Universidade de Brasília
20. Igor Fuser – Professor de Relações Internacionais da UFABC
21. Jacqueline Denise de Alcântara
22. José Luiz del Roio - Ex-senador na Itália
23. José Marcio Gomes dos Santos Cunha – ex-Presidente do SINTRAPE, ex-Secretário-Geral da FETAM/CUT
24. José Reinaldo Carvalho – Jornalista e editor do Resistência
25. Laurindo Lalo Leal Filho - Sociólogo e Jornalista
26. Lilian Vaz – Arquiteta
27. Lucas Rafael Chianello – Advogado
28. Lúcia Rodrigues - Repórter Especial da Caros Amigos
29. Marcio Sotelo Felippe - Procurador
30. Marília Equi Martins – Assistente social na USP e membra do grupo de estudos de Marx RP
31. Mário Goncalves Viana Júnior – Engenheiro Civil
32. Maurício Ianês – Artista Plástico
33. Nilton Viana – Jornalista
34. Patricia Valim – Historiadora
35. Paulo Henrique Silva e Costa – Administrador
36. Pedro Pomar - Jornalista
37. Socorro Gomes – Presidenta do Conselho Mundial da Paz
38. Valter Pomar – Professor da UFABC
39. Wevergton Brito Lima – Secretário-Geral do Cebrapaz

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