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Fórum regional de combate aos agrotóxicos do baixo Amazonas será lançado em Santarém

Na última década a monocultura de grãos
se intensificou na região / Fundo Dema
Presidente do sindicato diz que é alarmante o número de casos de pessoas com câncer na região.

A região do Baixo Amazonas contará com mais um instrumento de luta no combate ao uso intensivo de agrotóxicos na região. Diversas organizações da sociedade civil estão criando nesta segunda (15) e terça-feira (16) o Fórum Permanente de Combate aos Agrotóxicos durante a audiência pública sobre grandes projetos e os conflitos socioambientais na Amazônia. O lançamento ocorre na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR), no Pará.
Do Brasil de Fato, 15 de maio, 2017

Belém (PA),15 de Maio de 2017 às 18:27
Lilian Campelo

De acordo com o presidente do STTR, Manuel Edivaldo Santos, comunidades rurais localizadas na região metropolitana de Santarém, que compreende os municípios de Belterra e Mojuí dos Campos, vem registrando números crescentes de pessoas com câncer, que estaria ligado ao alto índice de uso de agrotóxicos na região.

O caso mais alarmante citado por ele é a comunidade Boa Esperança, localizada no Km 43 da rodovia Curuá-Una (PA-370), situada na região metropolitana da cidade. As famílias que lá moram estão cercadas pelas plantações de soja e o uso intensivo de agrotóxicos estaria relacionado a causa da doença, segundo Santos. “No mês de março nós realizamos um evento em Mojuí dos Campos onde uma senhora deu um depoimento de como ela está morrendo em consequência do veneno. Mas não se trata apenas deste caso, são vários. A coisa é alarmante”, diz.

Objetivo

O presidente do STTR afirma que o Fórum visa realizar um levantamento sobre os impactos do uso intensivo de venenos em comunidades próximas a monocultura de grãos na região, para cobrar das autoridades responsáveis medidas que possam contribuir no combate às aplicações. Diante do cenário preocupante, Santos avalia que é necessário intensificar a luta contra os agrotóxicos.

“Se não fizermos alguma coisa agora, estamos ameaçados a ter uma população nessa região adoecida. Não adianta ter uma campanha para um crescimento econômico em exportação em commodities, gerar divisa para o país, enquanto a população adoece e morre sem nenhuma assistência”, argumenta.

Desmatamento

A criação do fórum regional de combate aos agrotóxicos acontece nesta terça (16). Samis Vieira, educador popular na Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase – Programa Amazônia), explica que na última década a região foi tomada pela expansão do agronegócio. Além do veneno que é usado de forma intensiva na monocultura de grãos, o desmatamento também foi acelerado, segundo Vieira.

“Áreas de floresta, de pastagem e de sitio, tudo foi convertido para a produção de soja. Além disso aumentou o índice de desmatamento, causando grande impacto na agricultura familiar. Os agricultores começaram a vender seus lotes. Devido ao plantio de soja o uso indiscriminado de agrotóxicos, as escolas também passaram a sofrer com isso”, afirma Vieira.

Estarão presentes na audiência representantes do Ministério Público Estadual e Federal, pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISCO); vinculado a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA); e Ministério do Trabalho. O evento também contará com a presença do médico Marcos Mota, do Instituto Evandro Chagas, e Francileia Paula de Castro, integrante na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Na audiência pública também serão debatidos outros temas como a Medida Provisória (MP759), proposta pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB), que pretende alterar as regras relacionadas à reforma agrária no país. Ainda será apresentado um mapa de conflitos socioambientais, construído pelos participantes das oficinas sobre direitos territoriais realizada nas comunidades rurais e extrativistas de Santarém e de outros municípios do oeste paraense.

Edição: Vanessa Martina Silva

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