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Editorial | Uma prosa rápida sobre a América Latina

Se a TV inventa notícias do nosso próprio país, imagina de outros países do mundo


Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG),11 de Abril de 2017 

Grande parte da população da Venezuela apoia o presidente Nicolás Maduro / Reprodução

Notícias de outros países nos parece algo muito distante. Não costumamos refletir sobre a relação entre o que acontece no Brasil e o que rola mundo afora. Se a TV inventa notícias do nosso próprio país, imagina de outros países do mundo. Mas precisamos ficar atentos a América Latina, nossos vizinhos.

O Equador acabou de eleger um novo presidente, Lenín Moreno, que conta com o apoio do atual presidente Rafael Correa e do povo pobre equatoriano. Foi uma vitória disputada como foram as brasileiras que elegeram Dilma Rousseff, e lá, como aqui, o candidato perdedor adotou o mesmo comportamento do Aécio Neves: inventa fraudes, contesta o resultado e tenta vencer no tapetão.

No Paraguai, parte da população literalmente botou fogo no Congresso em protesto contra uma emenda que permitiria a reeleição no país. Não custa lembrar que em 2012 o país viveu um golpe parlamentar, que derrubou o presidente eleito Fernando Lugo, exatamente como ocorreu contra a Dilma, alguns anos depois, de forma aperfeiçoada.

Na Venezuela, depois da morte de Hugo Chávez e da crise internacional que derrubou o preço do barril de petróleo, a direita vem tentando o mesmo estilo de golpe que deu certo no Paraguai e no Brasil. Tentando dar uma cara de legalidade ao que, na verdade, é um golpe de estado contra o presidente Maduro. O parlamento e parte dos empresários sabotam a economia da forma mais safada, chegando ao cúmulo de esconder comida. Por sorte, a Venezuela conta com um Judiciário que não se acovarda, nem se rende diante dos golpistas como no Brasil. Em nenhum momento o parlamento foi fechado, muito menos a pedido do executivo, exceto na mentirada que circulou na grande imprensa.

Esses três países, assim como o Brasil e outros, vieram, nos últimos 10 anos, conquistando melhorias para a vida das suas populações. Com a crise econômica, o bolo deixou de crescer, e os ricos desses países não quiseram mais dividir seu pedaço com os mais pobres. O resultado disso foram golpes da direita derrubando presidentes eleitos.

Nesse cenário, uma retomada brasileira é fundamental. As três últimas grandes manifestações, 8, 15 e 31 de março já deram o recado. Cruzemos os braços dia 28 de abril, data convocada pelas centrais sindicais e pela Frente Brasil Popular para uma greve geral em defesa da aposentadoria, dos direitos trabalhistas e contra as terceirizações.

Edição: 179

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